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front comemora 15 anos do primeiro lançamento com coletânea de hqs

Orlando

12/08/2016 12h23

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henrique antonio kipper, gaúcho de santa cruz do sul é um dos grandes expoentes da ilustração e dos quadrinhos surgidos na década de 80.
mais que isso, foi, talvez, o primeiro artista gráfico a perceber a força que a internet e, em especial, os e-grupos teriam na relação entre artistas, e entre artista e trabalhos de outros artistas.
de fato, ao criar os grupos imagodays e frontbraza, ele abriu a possibilidade de reunir um número gigante de desenhistas espalhados pelo brasil afora e fazer com que todos esses solitários se sentissem fazendo parte de uma tribo em torno de um projeto.
“para quem tem menos de 25 ou 30 anos, e-grupos eram a forma popular de conversa antes do orkut e antes do facebook. eram baseados em resumos de e-mail em que todos recebiam as conversas trocadas… algo como um grupo de whatsapp por e-mail”, explica kipper.
o cenário, nessa época, não era dos melhores. as publicações de banca haviam minguado, editoras passaram a investir em álbuns de luxo, a economia sofria de anemia profunda (quando não?) e ainda não existia uma tecnologia que barateasse os custos de pequenas tiragens.
nesse ponto, os e-grupos se tornaram um oásis.
contrário ao humor pelo humor, kipper esperava que as discussões girassem em torno de conceitos, de histórias longas e perenes.
a publicação do álbum , pela editora via lettera, se tornou inevitável.
para se fugir da terrível sina de acabar logo nos primeiros números, a primeira edição começa pelo número 7 e teve 13 edições temáticas entre 2001 e 2007 e mais outra, especial, em 2008.
15 anos depois, uma compilação de histórias das primeiras edições é lançada em comemoração pela mesma via lettera em parceria com o instituto hq e editada por kipper, orlando e maringoni.
o projeto gráfico é de orlando pedroso/estúdio bala.
nela são reunidas histórias experimentais, cartuns, ilustrações, uma sessão de cartas bizarra e a ilustração textada que era um desenho enviado para três profissionais do texto para que escrevessem uma crônica em torno dela, invertendo o processo.
abaixo, entrevista com o homem de cabelos vermelhos:

blogdoorlando – qual era o cenário quando o projeto front surgiu?
Kipper –  No aspecto material, era muito, muito difícil publicar. Os custos editoriais e de gráfica eram inviáveis para produções de livraria e baixa tiragem como a maioria das atuais. Para publicações de banca, mudou pouco: os custos continuam proibitivos. Publicar um álbum pessoal individual era um “sonho de vida” .  Já no aspecto conceitual tínhamos também uma mentalidade diferente, todos os exemplos bem sucedidos (ou que chegaram a existir) eram publicações mix de banca baseadas no quadrinho europeu ou cartunistas oriundos da imprensa, trabalhando com humor… por ordem cronológica tivemos Circo, Animal, Chiclete, Piratas, Mil Perigos, Lúcifer e CyberComix neste modelo.   O que viria a ser a FRONT online em 98 quase saiu em banca pela Abril em 95/96. Foi sair em livraria só em 2001.  Enquanto isso, claro, todo o pessoal que fazia HQ estilo norte-americano continuava trabalhando para fora.  Algumas coisas não mudaram: desde 1999  não conseguimos chegar ao grande público com trabalhos autorais de quadrinho brasileiro. Mesmo a FRONT ficou limitada à distribuição de setorizada. Nos últimos anos apenas os webcomics do modelo tiras ou cartuns conseguem ter publico online, mas ainda assim é uma restrição de forma e de segmento social atingido.

Front 01

kitagawa

blogdoorlando – muita gente guardava projetos em gavetas. como esse povo foi encontrado?
Kipper –  Na verdade a maior parte do material publicado inicialmente foi material novo, produzido pela motivação e desafios dos debates nos e-grupos* Imago Days e depois o FrontBraza.   Nos e-grupos tivemos o encontro de várias gerações, tanto sobreviventes dos anos 80 e 90 quanto um pessoal que se formou naquela época e está por aí hoje publicando muita coisa maravilhosa.   Mas como, lá por 2001 muita gente não tinha onde publicar – o que é  difícil de entender hoje – pessoas tinham trabalhos guardados.

guazzelli

guazzelli

blogdoorlando – a lista imagodays existia quando arquivos de mais de 100 kb eram de um peso absurdo…
Kipper –   A capacidade de envio e a velocidade da internet brasileira aumentou incrivelmente desde o início em 1996. Para quem trabalha com imagens era uma tortura e um pesadelo.  Imaginem que por 2000 ou 2001 deixávamos uma (1) música em mp3 baixando a noite para gastar menos…. Hoje é uma maravilha!

samuel casal

samuel casal

blogdoorlando – muitos artistas publicaram suas primeiras histórias ou ilustrações nessa época e depois se destacaram. isso não é pouco, não?
Kipper – Sim, tivemos a honra de ser ninho da formação de muitos artistas que estão fazendo coisas muito boas hoje, mas penso que o diferencial não está na existência deles, mas em certas características dos seus trabalhos terem sido potencializadas pelo trabalho e reflexão que fizemos na FRONT.  Esse tipo de reflexão e abordagem dos quadrinhos continua necessária hoje, e muito, neste momento em que o Brasil regride em termos conceituais na maioria das áreas humanas.

cau gomez

cau gomez

blogdoorlando – vc foi o primeiro a criar um yahoogrupo que juntava desenhistas do brasil todo. por que desistiu dele?
Kipper –  Criei vários, a Imago Days teve irmãs, e depois a Front Braza em que se produzia o FRONT.  A lógica que me rege é republicana  Não adianta fundar uma república democrática e se manter como “presidente” indefinidamente, rsss.   O importante é que a república continue democrática.   Se as pessoas autosabotarem, a democracia (como estamos vendo no Brasil hoje)  bem, então é hora de começar tudo de novo, pois o aprendizado de qualquer coisa não é linear, se dá por aproximações e afastamentos.

d'salete

d’salete

blogdoorlando – hoje temos uma cena repleta de feiras que reúnem pequenos e médios produtores de quadrinhos e de peças gráficas. como vc vê isso?
Kipper –  Como produção é maravilhoso, as pessoas estão fazendo tiragens baixas do que 15 ou 20 anos atrás ficaria na gaveta… MAS… abandonamos a maior parte do público potencial de quadrinhos, porque estamos fazendo produtos caros, em tiragens baixas que só chegam até as feiras e livrarias.  Ou seja: atingimos um recorte de uma classe social mais alta, e um recorte geográfico mínimo.  No mundo real continua a existir só Disney, Mônica (formatinho ou jovem) e quando muito, os Mangás. Os super heróis perdem terreno, ficando como público mais velho (devido principalmente ao preço alto dos álbuns).

pepe casals

pepe casals

blogdoorlando – depois dessa coletânea comemorativa, qual o futuro da front e de outros projetos seus?
Kipper – Pessoalmente, tenho na parede uma lista de roteiros meus para uns 10 anos, rs. Eles existirem depende só de financiamento.  Mas a FRONT não se trata  apenas de uma publicação mix para mostrar trabalhos individuais. É um processo de reflexão que tem que ser contínuo porque, como estamos vendo no Brasil hoje, avanços estruturais e conceituais podem se perder e irmos retornando ao século XX, XIX, XVIII…  Por isso estamos de volta com o grupo FRONT-BRAZA. Não sabermos as respostas não é motivo para paramos de procurar a pergunta certa: https://www.facebook.com/groups/372389779551358/

caco galhardo

caco galhardo

blogdoorlando – e pra encerrar?
Kipper – 

A grande e boa arte sempre foi política, apenas a arte ruim prejudica sua ideologia sendo panfletária.

 

 

serviço:
Front: 15 anos uma história
Guazzelli, Kipper, Custódio, Samuel Casal, Pepe Casals, Jinnie, Fabio Zimbres, Caco Galhardo, Cau Gomez, Caco Xavier, Maxx, Orlandeli, Maria Eugênia, Marcelo D’Salete, Kitagawa, Theo, Maringoni, Spacca, Marcelo de Andrade, Negreiros, Bueno, Mariza, Marcelo Duarte, Moacir Scliar, Plínio de Arruda Sampaio, Emílio Damiani, Galvão, Orlando
Formato:17×26 cm

onde: Livraria Monkix
R. Harmonia, 150
Vila Madalena – SP
Quando: sábado, 13/08 a partir das 15h
Preço: R$42,00

 

 

 

 

 

 

 

Salvar

Salvar

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Sobre o autor

Orlando Pedroso é artista gráfico e ilustrador, trabalhou com praticamente todas as publicações da grande imprensa. Foi colaborador da Folha de S. Paulo de 1985 a 2011. Ilustrou mais de 60 livros infanto-juvenis e é co-autor de “Livro dos Segundos Socorros” e “Não Vou Dormir” – finalista do prêmio Jabuti de 2007 nas categorias “ilustração” e “melhor livro”. Foi vencedor do Prêmio HQ Mix de melhor ilustrador nos anos de 2001, 2005 e 2006. Expôs nas mostras individuais como “Como o Diabo Gosta”(1997) , “Olha o Passarinho!”(2001), “Uns Desenhos” e “Ôtros Desenhos” (2007). Em 2008, faz uma exposição retrospectiva de 30 anos de trabalho como artista convidado do 35º Salão de Humor de Piracicaba.- É autor dos livros Moças Finas, Árvres e do infantil Vida Simples, e membro do conselho da SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil.

Sobre o blog

Este blog trata de artes gráficas, ilustração, cartum, quadrinhos e assuntos aleatórios.

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