Blog do Orlando http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br Artes gráficas, ilustração, cartum, quadrinhos e assuntos aleatórios. Fri, 29 Sep 2017 15:36:57 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 ricardo antunes lança zeppelin, hq baseada em geni de chico buarque, em sp http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/09/28/ricardo-antunes-lanca-zeppelin-hq-baseada-em-geni-de-chico-buarque-em-sp/ http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/09/28/ricardo-antunes-lanca-zeppelin-hq-baseada-em-geni-de-chico-buarque-em-sp/#respond Thu, 28 Sep 2017 23:40:06 +0000 http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/?p=4752 ricardo antunes é o pai do guia do ilustrador e da revista ilustrar. fora isso, ele é o moderador do maior grupo brasileiro de ilustradores na internet, o ilustragrupo. fora isso ele é o cara que topa todo tipo de parceria que venha trazer benefícios para a categoria e acabou por fundar a reference press, editora que publicou sketchbooks de muitos desenhistas além de livros com trabalhos de benício, hiro e carlos nine.
morando em lisboa há mais de 20 anos e trabalhando basicamente com publicidade, tem a formiguinha eternamente mordendo a bunda para não ficar acomodado.
de passagem pelo brasil, lança nesta sexta, dia 29, na escola panamericana de artes onde foi professor, e na comicon , em dezembro, sua versão gráfica para a música geni e o zepelin, de chico buarque.
abaixo, entrevista com o comedor de pastéis de belém:

 

blogdoorlando – vc foi professor e trabalha, basicamente, com publicidade. por que fazer quadrinhos?
Ricardo Antunes – De tempos em tempos acabo me envolvendo em projetos fora do que costumo fazer, e quadrinhos era algo que eu ainda não tinha feito, e queria tentar. Não sei se deu certo. Espero que sim.

blogdoorlando – e por que começar com Zeppelin?
Ricardo Antunes – Zeppelin é um projeto antigo, faz exatamente 39 anos que está em minha cabeça, desde o dia em que a música “Geni e o Zepelim” foi lançada, em 1978. Na época eu tinha 13 anos de idade, e quando ouvi a música foi um impacto, não só pela história mas acima de tudo por ser uma narrativa completamente visual. Basicamente “Geni e o Zepelim” é um roteiro de cinema pronto, e fiquei imaginando a história por anos, mas nunca me achei capaz de fazer uma história em quadrinhos. Há 10 anos resolvi encarar o projeto. Comecei a produzir o material, cheguei até a apresentar a uma editora, mas desisti. Achei que estava muito ruim e engavetei. No ano passado retomei o projeto me baseando vagamente na música. Esbocei tudo mas refiz as primeiras páginas 3 vezes, em 3 acabamentos diferentes. Tenho um lado mega exigente comigo e com o meu trabalho e continuava não gostando, até que acabei fechando em um estilo que achei que funcionava. Ainda não estou 100% feliz e fiz algumas alterações de última hora mas acho que agora funcionou.

blogdoorlando – aliás a negociação com o chico buarque tem uma história, não?
Ricardo Antunes – Nada de especial. Eu tratei com a agência que representa os direitos do Chico e eles (assim como o Chico de forma indireta) foram extremamente gentis, gostaram do projeto e liberaram os direitos. Entre as condições estava o de não promover o nome do Chico que por motivos pessoais queria se manter fora dos holofotes devido o momento que o Brasil vive. Só isso.

blogdoorlando – qual a maior dificuldade em se adaptar uma música para desenhos mudos?
Ricardo Antunes – Adaptar uma música ou qualquer texto para uma narrativa exclusivamente visual sem qualquer apoio de texto é algo um pouco complexo. Ainda mais quando existem certas sutilezas no texto. A comunicação visual tem que ser clara, um trabalho quase de mímico e, nesse sentido, ajudou a experiência de quase 30 anos fazendo storyboards para agências de publicidade.

blogdoorlando – além de editar livros pela reference press vc disponibilizou mais de 30 edições da revista ilustrar. ela volta? em que condições?
Ricardo Antunes – Eu dei uma pausa forçada na revista de quase dois anos por motivos pessoais, foi um período bem complicado. Mas a revista, da qual tenho um enorme carinho, volta agora no mês que vem e com vários projetos legais ligados a ela.

blogdoorlando – morando fora do brasil por tantos anos, como vc compara os mercados brasileiro e europeu?
Ricardo Antunes – No meu caso, o mercado onde atuo é principalmente o publicitário e, de vez em quando, o editorial. Em termos gerais os mercados no Brasil e na Europa são muito semelhantes, com as mesmas qualidades e problemas… acho que os mercados estão cada vez mais globalizados, para o bem e para o mal.

blogdoorlando – isso quer dizer que vc vai continuar em portugal ainda por um bom tempo…
Ricardo Antunes – Na verdade moro metade no Brasil e metade no exterior. Morar fora, em especial na Europa, tem outros atrativos além do mercado de trabalho, principalmente a qualidade de vida, então por enquanto vou continuar comendo pastel de Belém e beber vinho do Porto direto da fonte…. rsrsrs

blogdoorlando – o bichinho dos quadrinhos te mordeu ou essa vai ser uma experiência única?
Ricardo Antunes – Vou ser sempre ilustrador e designer gráfico. É o que mais gosto de fazer. Mas,  com certeza, vou fazer mais quadrinhos. Até porque já tenho outros projetos em mente.

 

Ricardo Antunes é ilustrador, designer gráfico e editor nascido em São Paulo (SP). Durante cinco anos foi professor na Escola Panamericana de Arte e hoje é moderador no maior fórum de ilustração do País, “Ilustragrupo”. Como editor criou duas importantes publicações sobre a área, “Guia do Ilustrador” e “Ilustrar Magazine”. Em 2011 criou sua editora, a Reference Press, focada em livros de arte e ilustração.

Zeppelin
Autor: Ricardo Antunes
Editora Reference Press
Papel couché 170gr
68 páginas
30 x 21,5 cm

Escola Panamericana de Artes
R. Groenlândia, 77
dia 29.09.2017
das 18h às 22h
R$ 35,00

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luis fernando veríssimo é demitido da rbs depois de 45 anos de colaboração http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/09/18/luis-fernando-verissimo-e-demitido-da-rbs-depois-de-40-anos-de-colaboracao/ http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/09/18/luis-fernando-verissimo-e-demitido-da-rbs-depois-de-40-anos-de-colaboracao/#respond Mon, 18 Sep 2017 14:31:22 +0000 http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/?p=4745 que tempos esses…
lfv foi demitido pelo administrativo.
desde o dia 1º de setembro ele não faz mais parte do grupo de contratados.
mais uma economia porca como tantas outras praticadas pela área contábil das grandes publicações.
a notícia foi dada pelo jornal extra classe, órgão oficial do SINPRO-RS, sindicato dos professores particulares.
o jornal zero hora deve continuar publicando suas crônicas compradas da agência globo.
veríssimo também doou parte de seu acervo – textos, rascunhos, rabiscos, livros, traduções –  para a universidade do vale do rio dos sinos, a unisinos, que está em etapa de catalogação do material gigantesco.
abaixo, entrevista cedida ao extra classe:

 

Extra Classe – Por que essa ideia de ceder seu acervo a uma instituição universitária?
Luis Fernando Verissimo – A ideia do acervo é justamente essa: pesquisadores, estudantes e qualquer pessoa se informar sobre o autor, fazer pesquisa, essas coisas. Está ali para quem quiser ver. Então, o acervo vai ser um cantinho ali da biblioteca da Unisinos (no campus de Porto Alegre). Ficou simpático. Por enquanto reunimos material físico, mas é uma discussão que temos de ter. De vários anos para cá os textos são digitais, não há mais originais impressos. E muito material está só no formato digital, nunca foi para uma publicação física.

EC – Começa em 1969?
Verissimo – Sim, com as primeiras publicações na Zero Hora. Algumas coisas de publicidade, também, muitos anúncios publicados, com autoria. Roteiros da TV Pirata, da Comédia da Vida Privada. E vai para lá também um exemplar de cada primeira edição, as traduções em russo, inglês, francês, italiano, coreano, sérvio. Tem troféus, presentes.

EC – Os horóscopos não?
Verissimo – Não, acho que não (risos). Tem muita ilustração, também. Campanhas da Ipiranga, da época da (agência) MPM. Coisas que a Lúcia guardou ao longo do tempo. Tem muito rascunho, muitos papéis avulsos. Frases. Muitos desenhos, geralmente de figuras humanas. Mas nada feito para usar em textos, é só passatempo mesmo. Enquanto se está pensando sobre que escrever, vou desenhando. Nesse caso, apelo muito para o jogo da paciência também. Mas isso não está indo para o acervo (risos). A tesoura da Lúcia é incrível.

EC – Era hora de fazer isso?
Verissimo – Sim, estava na hora. Todo esse material estava guardado aqui em casa, numa catalogação caseira, doméstica. A ideia da Unisinos, desde o início, há cerca de dois anos, era que o acervo ficasse em Porto Alegre. Viesse junto com a abertura do novo campus, o que acabou ocorrendo. A ideia é de o acervo ser usado por diferentes áreas, o que me agrada.


EC – Qual é a sensação de virar um acervo?
Verissimo – Eu acho que o acervo devia ser a obra acabada, o que evidentemente não é o caso (risos). A minha biblioteca pessoal naturalmente não vai para lá, o que é um elemento importante de pesquisa, saber quem me influenciou, o que eu li. Então, digamos que seja um meio acervo de um autor meio vivo (risos). Mas não vou reclamar, não.

EC – Teus livros têm anotações? Ou páginas dobradas nos cantinhos
Verissimo –
Anotações não. Mas páginas dobradas nos cantinhos têm bastante. Só que às vezes, como não tem anotação, esqueço por que marquei aquela página. (risos)

EC – Como lidar com um volume tão extraordinário de informação, necessário ao teu ofício?
Verissimo – O grande problema é que esse ofício, de escrever sobre o que está acontecendo de fato, não me permite mais ler livros, literatura de ficção. Faz anos, nem sei quantos, que não leio um livro de ficção inteiro. Apenas trechos esparsos. O prazer de ler, que me levou a esse caminho, ficou de lado. Leio muita revista, muito ensaio, jornais estrangeiros.

EC – Isso te incomoda?
Verissimo – Sim, porque perdi o prazer da leitura descompromissada. Estou perdendo muita literatura boa, de novos autores. Conheço muito pouco do que se produz atualmente. E lamento muito não ter esse tempo para autores novos.

EC – Tu achas que a tua primeira crônica (publicada em abril de 1969) já era uma credencial do que serias dali para a frente? As tuas características principais já estão ali.
Verissimo – Eu acho que sim. Eu comecei muito tarde, então já tinha lido muito durante toda a juventude. Nunca tinha escrito nada mas, como tinha lido bastante, sabia como se fazia. Quando comecei eu já sabia, estava formado.

EC – Nunca ensaiaste nada? Nunca escreveste para ti mesmo?
Verissimo – Não, nunca. Nunca me vi como escritor, nem como jornalista. Tinha apenas algumas traduções, publicadas na (revista) Mistério Magazine. Nem lembro os autores, mas basicamente americanos e ingleses, de suspense, terror. Mas o fato de sempre ter sido um leitor voraz, quando comecei já conhecia os truques todos.

EC – E os cartuns?
Verissimo – Sempre gostei muito de quadrinhos, então comecei a variar entre texto e cartum. Especialmente nas colunas de segunda-feira, em que eu fazia a crônica do futebol do domingo em desenho. Bonequinhos dialogando sobre os jogos do domingo.

EC – Quem te influenciou nessa área?
Verissimo – Principalmente Saul Steinberg (1914-1999). Meu desenho era muito rudimentar, não tinha acabamento. Fazia com canetinha mesmo, em qualquer papel. Cheguei a fazer um curso de desenho com o Glênio Bianchetti (1928-2014), desenho, pintura, trabalhávamos com modelo vivo, essas coisas. Por um ano mais ou menos. Mas não passou disso. Nunca fiz uma tela.

EC – E o fim da Família Brasil?

Verissimo – Pois é. Eu realmente estava trabalhando com coisa demais, então foi só para trabalhar menos. Como fui demitido da Zero Hora, não tinha mais sentido manter só para um jornal (O Estado de São Paulo).

EC – Como foi esse episódio?
Verissimo – Foi um processo normal. Apenas deixei de ter vínculo com a empresa, agora eles compram meu material da Agência Globo. Foi uma decisão administrativa, estão fazendo muito isso com os velhos, que têm salários mais altos. Mas não ficou nenhum trauma, não.

EC – Tem algum livro novo sendo organizado?
Verissimo – A Cia das Letras está organizando um volume de crônicas que estão sendo selecionadas pela (roteirista e escritora) Adriana Falcão, que deverá sair até o final do ano. Basicamente com as crônicas mais ficcionais, publicadas aos domingos no Estadão. As crônicas sobre política atualmente perdem a atualidade com muita rapidez.

EC – Como estás acompanhando a conjuntura política?
Verissimo – A novidade é essa nova direita, que sempre existiu mas está mais evidente agora. É uma onda de reacionarismo que me preocupa muito. Imaginar um cara como o Bolsonaro com os índices de intenção de votos que ele tem é realmente preocupante.

EC – Já foste alvo de alguma agressão ou ameaça?
Verissimo – Recebo muita carta desaforada, dizem para eu viver em Cuba, me chamam de comunista, uma vez até me mandaram viver na Coréia do Norte! Seria uma experiência muito boa. Quer dizer, boa não sei, mas pelo menos diferente (risos). Eu não dou bola, é claro.

EC – Alguma ameaça?
Verissimo – Só na candidatura do Collor (em 1989). Me mandaram uma carta ameaçando meus filhos, que sabiam da rotina deles, iam atacar e tal. Mas não fizeram nada. O tom de agressividade subiu nos últimos meses, é verdade, mas não chega ao extremo da ameaça violenta.

EC – Qual livro teu colocaria à disposição dessa nova direita para que seja queimado em praça pública, quando chegar o momento?
Verissimo – (risos) Tem um livro meu com crônicas bem políticas, A Versão dos Afogados (L&PM, 1994), que imagino que eles gostariam de queimar. Está meio desatualizado, mas acho que isso não fará muita diferença (risos).

EC – E a tua relação com a ficção?
Verissimo – A quase totalidade de meus romances foi feita por encomenda, só Os Espiões (2009) que partiu de uma ideia própria, achei que era hora e fiz. Ficou direitinho. Mas meu preferido é Borges e os Orangotangos Eternos (Cia.das Letras, 2000), que é um pouco melhor do que os outros. Não tenho, de verdade, grandes pretensões literárias.

EC – Por escrever entretenimento?
Verissimo – É, acho que sim. No Brasil é uma literatura considerada não muito respeitável, por isso os autores relutam em se dedicar a ela. Como não busco respeito… (risos). Mas é um gênero que precisa existir, até para a sobrevivência do mercado editorial.

EC – Como esperas contribuir para que novos leitores entendam esse período da história brasileira?
Verissimo – Meu trabalho é testemunho desse tempo, isso pode ser lido em todos os cronistas. Quem quer saber como era o Brasil nos anos de 1960 vai ler Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Antônio Maria. Se eu puder fazer isso também, estará bom.

EC – Que tipo de testemunho acha que deste?
Verissimo – Nós falamos há pouco sobre essa nova onda reacionária, coisas que hoje são preocupantes que há algum tempo, pouco tempo, não eram. Apesar desse conflito social no Brasil ser permanente. O que mudaria no meu jeito de ver a realidade seria um crescimento nesse jeito de ação reacionária evidente e preocupante.

EC – Na tua opinião, não para por aí?
Verissimo – Acho que não para. Principalmente por essa desmoralização crescente do Congresso e da política em geral, isso motiva as pessoas que imaginem a solução num governo de força. Não sei se é inevitável, mas é uma ameaça real. Um perigo. Quando se poderia esperar tanta nostalgia da ditadura, mesmo sabendo de tudo que aconteceu? Isso é surpreendente. Comecei em plena ditadura, no governo do general Médici, então a gente já sabia dos limites. Sabia quem citar e quem não citar. A censura era implícita, havia autocensura, e eu tentava escrever nas entrelinhas mas às vezes nem eu entendia o que queria dizer. (risos)

EC – Temes a volta da censura?
Verissimo – Acho que isso é possível, sim. Eu me preocupo com isso. Há uma ameaça e uma tendência possível de ser notada aí.

EC – E o que achas do MBL?
Verissimo – Começa com a ironia do próprio nome: Brasil Livre. Livre de quê? É só uma das manifestações do que pode nos esperar no futuro. Esse tipo de pressão, esse tipo de censura, tem até características paramilitares, o que preocupa até a imprensa internacional.

EC – O brasileiro deixou de ser aquele homem cordial do Sergio Buarque de Holanda?
Verissimo – Quando a gente fala no perigo desse crescimento da direita está se referindo a isso, que não sei aonde vai nos levar. Certamente está havendo uma mudança no caráter do brasileiro, na personalidade comum do brasileiro. Estamos nos transformando, para continuar na comparação que você fez, no brasileiro selvagem. Acho que estamos ficando mais intolerantes.

EC – Por quê?
Verissimo – Em parte em razão desse desencanto com a política, culminando no desencanto com o PT. Foi uma promessa que apareceu mas que, no entanto, degringolou. Não sei se é para a gente perder a esperança no PT ou ainda não, se esse partido pode nos dar algum tipo de esperança, mas o fato é que houve um acúmulo de desencanto que culminou no que estamos vivendo.

EC – Tu és um desencantado com o PT?
Verissimo – Um pouco, sim. Nunca fui um ativista, um militante, mas tinha simpatias que nunca escondi. Mas nunca fui personalista com o Lula, por exemplo, embora reconheça que é uma figura admirável.

EC – Como te defines politicamente?
Verissimo – Eu me defino como um humanista. Meu pai se definia como um socialista democrático, o que me parece adequado para mim também: contra qualquer tipo de totalitarismo, inclusive de esquerda.

EC – Quando começaste, em 1969, imaginavas ter a carreira que teve no jornalismo e na literatura?
Verissimo – De forma nenhuma, foi tudo acontecendo, sem planejamento. Como minha escrita: quando começo a pensar em um assunto, muitas vezes descubro o que penso sobre ele ao longo da escrita.

EC – É muito difícil?
Verissimo – Varia muito. Mais difícil é começar. Estabelecer um tom. Uma amarrada final também é difícil. Mas às vezes vem com facilidade, não tem muita regra.

EC – Usas muito o senhor Google?
Verissimo – Uso bastante. Eu sempre parto do princípio de que ele sabe o que está dizendo, então eu confio nele. Temos uma relação saudável. (risos)

EC – Tens metodologia?
Verissimo – Escrevo sempre para ser publicado, nunca para deleite próprio. Só com esse foco. Nunca fiz isso, de escrever para mim. A diferença é que eu escrevia muito mais no passado, tinha mais volume. Não sei se fiquei mais conciso ou mais preguiçoso, mas meu texto diminuiu bastante. (risos)

EC – Então, não há prazer em escrever?
Verissimo – Concordo com o que diz o Zuenir Ventura, que não gosta de escrever, gosta de ter escrito. O ato em si não é muito prazeroso, não. Ás vezes, não se tem a mínima ideia do que escrever, mas é necessário, é um modo de vida. Nesse sentido, não é uma coisa que dê muito prazer. Mas ler o que escrevi e gostar do que escrevi compensa, mostra que valeu a pena.

EC – E a música?
Verissimo – Quando aprendi a tocar saxofone, com 16 anos, minha ideia era brincar com o instrumento. Nunca pensei em me profissionalizar, apesar de ter aprendido a tocar com partitura e tudo mais. Com o tempo esqueci, embora tenha eventualmente tocado em conjuntos profissionais. Eu até lamento não ter me aprofundado na música porque hoje eu preferiria ser músico do que qualquer outra coisa.

 EC – É mesmo? Por quê?
Verissimo – É. Um pouco pela minha admiração pelo jazz, por tudo que o jazz proporciona, a improvisação, a criação instantânea. Me parece bem mais completo que a criação literária. Mas em algum momento da vida perdi a oportunidade de me aprofundar, de dominar o instrumento. O que me deu mais prazer nesse tempo todo foi, com certeza, a música.

EC – Na tua opinião, para onde vai a literatura com essa tendência de textos cada vez menores?
Verissimo – Para falar a verdade, não tenho a menor ideia! (risos)

 

link para a matéria no extra classe: http://www.extraclasse.org.br/exclusivoweb/2017/09/obrasileiroestamudandodecarater

 

 

 

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a laje é um espaço de convivência que é a cara de são paulo http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/09/15/a-laje-e-um-espaco-de-convivencia-que-e-a-cara-de-sao-paulo/ http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/09/15/a-laje-e-um-espaco-de-convivencia-que-e-a-cara-de-sao-paulo/#respond Sat, 16 Sep 2017 01:20:29 +0000 http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/?p=4730 em são paulo não são poucas as pessoas que, na falta de opções, criam novas opções, e assim, pipocam aqui, ali e acolá, espaços de convivência artística com os mais diversos formatos e arquiteturas.
a laje, segue essa tendência mas prima pelo despojamento e por oferecer um ambiente que pode servir tanto para a ferveção quanto para momentos contemplativos.
salas que podem ser alugadas ou compartilhadas, a oferta de cursos e um “quintal” gigante (a laje) cercado de prédios e céu para se tomar sol, ler, juntar gente.
juntar gente parece ser a expressão correta para o empreendimento que o artista dw ribatski propõe.
o espaço tem uma agenda própria mas está aberta a novos projetos.
tocado por um curitibano, a laje oferece uma casa com portas abertas com diversidade de atividades e de pessoas.
a cara de são paulo.

fotos: lajepress

blogdoorlando – o que é a laje? um espaço? um coletivo? um clube?
DW Ribatski! – Laje é um espaço cultural independente, criado por mim, Eugênia Fajardo e Filipi Filippo, atualmente capitaneado por mim. É um espaço pra pessoas se reunirem e trocarem, no caso pegando um solzinho ou olhando as estrelas (ok, as vezes chove também (risos). Temos eventos gratuitos e cursos pagos, café e água sempre grátis. É proibido dançar juntinho, mas se quiser, pode.

blogdoorlando – como vc acha que essas atividades díspares podem conversar umas com as outras?
DW Ribatski! – O foco é a energia do lugar, é algo que foi (vai) se criando com o tempo e o fluxo natural das coisas. Então não importa a modalidade artística, a conversa é em outro plano, vale fotografia, quadrinhos, artes plásticas, escultura, serigrafia, humor, roteiro pra cinema, etc. E mesmo quando rola, tipo o Curso de Defesa Pessoal da Heloíse Fruchi, que não se define como “arte” propriamente dita, mas lida com filosofia e conexões importantes.

blogdoorlando – parece que hoje a coisa que as pessoas mais precisam é conversar e entender para onde ir, não?
DW Ribatski! – Sim, ou entender que não vamos pra lugar nenhum. (risos). O lance de lidar com o presente também. É isso, o importante é o diálogo.

blogdoorlando – mesmo juntando fotografia, psicologia, bate-papos e cerveja, quadrinhos continuam sendo o foco principal…
DW Ribatski! – Acho que não tem como não ser né. Eu sou quadrinista e muitos dos meus amigos são. Mas ao mesmo tempo temos o Grupo de Acompanhamento de Processo de Fotografia do André Penteado acontecendo desde o começo da Laje. Eu prefiro quando as coisas não tem necessariamente a “minha cara” e mais a “cara” do coletivo que se instaurar. Eu cuido do espaço e sou tipo um curador, mas gosto de pensar que ele é de todo mundo que se sente à vontade nele.


blogdoorlando – como tem funcionado os workshops de desenho?
DW Ribatski! – Tivemos um de desenho de observação com a Laerte e Rafa Coutinho (que agora migrou pro BREU), tínhamos o Clube do Desenho que agora deu um tempo pra reformulação mas que deve voltar, era um encontro quinzenal pra desenhar e trocar, tivemos um curso de fanzine com o Fabio Zimbres, eu mesmo dei um de Ilustração Editorial, tivemos dois com o Zansky de serigrafia, etc

blogdoorlando – vi que na programação tem um do bruno maron.
DW Ribatski! – Já tivemos anteriormente um do Bruno Maron com o Rafael Sica e agora o Maron vem de novo acompanhado do seu parça Ricardo Coimbra, dando curso pela primeira vez. Ele tem desenvolvido uma narrativa pra se pensar humor durante a história e algumas práticas pra ativar cérebros sebosos.

 

blogdoorlando – como faz para falar com vcs?
DW Ribatski! – manda email pra lajecontato@gmail.com, mensagem na nossa page do face: https://www.facebook.com/LAJESP/
ou no instagram: https://www.instagram.com/laje_sp/

lojinha

 

 

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temer se livra de primeiro processo http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/08/03/temer-se-livra-de-primeiro-processo/ http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/08/03/temer-se-livra-de-primeiro-processo/#respond Thu, 03 Aug 2017 21:32:19 +0000 http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/?p=4726

 

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radaelli abre exposição e mostra que artista pode ter dupla vida http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/07/24/radaelli-abre-exposicao-e-mostra-que-artista-pode-ter-dupla-vida/ http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/07/24/radaelli-abre-exposicao-e-mostra-que-artista-pode-ter-dupla-vida/#respond Mon, 24 Jul 2017 17:49:59 +0000 http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/?p=4704

fotos: orlando pedroso

 

conheci gelson radaelli em algum ponto no início dos anos 2000 levado a seu restaurante pelos amigos fabio zimbres e hugo rodrigues, diretor do museu do trabalho de porto alegre.
o restaurante, atelier de massas, é parceiro do museu e ponto de parada obrigatório para quem gosta de boa comida, bons vinhos, bom papo e artes.
além de bom anfitrião, radaelli é um baita pintor e desenhista e este post tem sua exposição “neon” como desculpa para falar de uma pessoa que, apesar de ter como profissão a comida, não deixa de ter a arte como ofício.
conhecemos dezenas de pessoas que postergam suas habilidades por conta de um emprego, de um trabalho ou de uma atividade remunerada como se isso fosse um eterno empecilho para escrever, desenhar, pintar ou atuar.
não é.
projetos de gaveta podem se eternizar num sono profundo se acreditarmos que não temos tempo para nada além de bater cartão.
radaelli nasceu em nova bréscia, interior do rio grande do sul e desenha desde muito cedo incentivado pelo pai e por um padrinho que lhe deu as primeiras tintas e pincéis.
com o restaurante, criou um mecenas para chamar de seu e montou um atelier a poucas quadras do trabalho.
lá, entre tintas, papéis, telas, vinhos, máscaras africanas e amigos, passa boa parte do tempo com a mão na massa antes de voltar a por a mão nas massas.
abaixo, entrevista com o artista:

 

blogdoorlando – no que os trabalhos da exposição neon diferem de suas exposições anteriores?
Radaelli – As pinturas dessa mostra possuem uma grande unidade. São painéis com um fundo rosa irregular que sustenta pinceladas largas e rápidas, mesclando tons, que fazem surgir várias gamas de cinza. O rosa interage, criando uma sensação ora de tranquilidade ora de desconforto. O meu trabalho sempre teve essa intenção, de perturbar mas também proporcionar deleite estético. Nesse momento acredito que a pintura que eu faço atingiu maturidade. Me parece que, depois de quase 50 anos pintando, é a primeira vez que tenho a impressão que pinto com quase plena certeza. Esse último lote de telas se parecem muito comigo, com os meus pensamentos, com os meus sentimentos, como o meu olhar pousa sobre as coisas estanques ou fugazes do mundo. Para quem vê a pintura, pretendo que ela  seja uma espécie de janela, por onde se pode enxergar o mundo e o mesmo de si, não que veja o pintor que as fez. Acredito que a arte, quando verdadeira, é uma plataforma para começar a mudar pequenas coisas e que, ao longo do tempo e da vida, possa se tornar um dos elementos para grandes transformações.

 

 

blogdoorlando – vc é um artista compulsivo. desenha, risca e pinta freneticamente. como é isso?
Radaelli –
Desde que me lembro, muito pequeno, sempre desenhei. Nas noites da minha infância, sentado no colo do meu pai junto à grande mesa de madeira da cozinha com muitos lápis de cor, criávamos paisagens cheias de encantos, casinhas com chaminés, florestas e animais estranhos.  Meu pai adorava arte e a natureza. Além de se dedicar às flores, folhagens, a plantar arvores e cultivar fruteiras, ele desenhava e possuía nas paredes de casa reproduções de Renoir, Cézanne, Van Gogh (Noite Estrelada), Toulouse-Lautrec, Manet e várias outras imagens de neo-expressionistas alemães. Com menos de sete anos eu tinha, lá no interior, em uma cidade minúscula, tinta óleo, várias telas, pincéis e livros de arte. Comecei a pintar com essa idade e nunca mais parei. Hoje, desenhar e pintar é algo que faz parte do meu cotidiano como qualquer outra atividade, como dormir, comer e tomar banho.

 


blogdoorlando– vc, aliás, vive uma vida dupla. como vc divide o tempo e a dedicação para pintar, cuidar do restaurante e do negócio de vinhos?
Radaelli –
Quando tive que decidir o que iria fazer para ganhar dinheiro, tive clara a noção que não seria com a pintura. Não queria criar um ciclo vicioso para a minha arte. Se por acaso o meu trabalho começasse a vender, eu cairia na armadilha de reproduzir aquilo pelo resto da vida. Então estudei e comecei a trabalhar com propaganda, mas logo vi que aquela não era a minha praia. Como eu cozinhava de maneira autoral – a minha namorada adorava o que eu fazia  – e eu era apaixonado por espaguete (acho o prato mais inteligente do mundo: com um pouco de bom óleo e um alho se faz um prato para servir um rei) resolvi abri um restaurante de massas com a intenção de cuidar dele durante uns dois ou três anos e juntar dinheiro para morar na Europa, onde me dedicaria a pintura.”Infelizmente”o restaurante deu mais certo que o esperado. Acabei não indo embora mas conquistei um mecenas muito generoso que patrocina tudo e não interfere no meu trabalho. Estou sempre fazendo algo. Não consigo relaxar e curtir o que chamam de “il dolce far niente”. Se estou fazendo uma coisa que me dá prazer, ao mesmo tempo estou juntando informações para usar em algo noutro momento.

 

blogdoorlando – esse é um dos pontos que me chama muito a atenção. a maior parte das pessoas posterga seus projetos artísticos por conta do “trabalho”. tem muita gente com projetos engavetados eternamente.
Radaelli –
 Apesar dessa dinâmica em que eu vivo, que faço aparecer resultados em forma de objetos e idéias, tenho muitos projetos engavetados. Mas não suportaria ter todos eles lá presos no escuro, no esquecimento. A nossa passagem pelo mundo é muito curta, deixar os nossos sonhos em segundo plano é quase morrer em vida. É necessário deixar a novela e o facebook um pouco de lado e topar os desafios.

 


blogdoorlando – o atelier de massas é um ponto de encontro de artistas e intelectuais. fale um pouco dele.
Radaelli –
Quando abri o restaurante pensei: “quero criar um lugar onde eu me sinta muito bem em estar ali, já que vou ter que passar a maior parte do tempo”. Coloquei na parede arte de qualidade (minha e de conhecidos) e objetos que me emocionam, incorporei vinhos das melhores procedências,  escolhi músicas super boas,  trouxe destilados inebriantes (ops!) e criei as receitas que eu próprio adoraria comer todos os dias. Os pratos são de massas artesanais, frescas e os molhos elaborados como se fossem feitos em casa Usamos produtos de primeira e tudo é feito na hora. O público percebeu isso e hoje a casa vive com muito movimento. O único problema é que eu fico sem um lugar para sentar e comer e beber tranquilo.
No início o meu atelier para fazer a pintura era no segundo andar do local. É por isso que o nome do restaurante é Atelier. Mas criar é um ato solitário e não deu certo com o espaço alí. Era o cobrador, o vendedor de vinhos, o entregador de hortaliças, um ou outro cliente que vinham ao estúdio e queriam dar uma olhada naquilo que eu estava fazendo. Sai e criei uma galeria de arte nesse ambiente. Com o passar do tempo as mesas do restaurante começaram a invadir o espaço de exposições. Hoje está tudo misturado. É um restaurante que serve pratos bem elaborados e expõe arte contemporânea. Eu tenho um certo relacionamento e afinidade com os artistas da cidade e o ambiente possui esse aspecto “cult”;. Talvez esses sejam os motivos que tragam essa significativa quantidade de intelectuais e pessoas que criam arte para cá, além da boa comida. O restaurante é quase um ponto de turismo cultural em Porto Alegre. Todos que vem a cidade e que se interessam por cultura, vêm ao Atelier de Massas.

 

blogdoorlando – e o restaurante é todo correto enquanto seu estúdio é uma zona imensa…
Radaelli –
No restaurante tenho uma infinidade de colaboradores, cuja função é deixar o espaço o mais agradável possível aos olhos e à alma de quem vem. Já o meu atelier é um lugar de criação e só eu estou ali, só eu tenho a chave dessa fortaleza. Então entre criar, fazer aparecer algo, limpar e arrumar, acabo sempre optando pela primeira. Além do mais, a bagunça e a poeira não me incomodam. Uma vez por ano organizo alguma coisa e limpo outras.

 

foto: divulgação

 

blogdoorlando – voltando ao seu trabalho, como vc vê o cenário artístico gaúcho? o rio grande do sul é um celeiro de talento seja na pintura, na literatura, no cartum…
Radaelli –
No Rio Grande do Sul há inúmeros artistas verdadeiramente bons que poderiam estar nos melhores museus e galerias do mundo. Aliás, em todas as áreas da produção artística a criação é grande e de qualidade. Mas falta a ponte que liga o atelier às grandes mostras, ao mercado e aos olhos sedentos por novidades e criatividade. Não existem aqui agentes nem mecenato, não existem revistas de arte, não existem instituições que incentivem com dinheiro ou serviço, não existem salões e prêmios, nem espaço em jornais e TV. São poucos espaços para exposições. Eu estou morando na cidade há quase quarenta anos e vejo as possibilidades para os artistas sempre diminuírem mais.

 

foto: divulgação

 

 

Neon

pinturas recentes de Radaelli

curadoria: Icleia Borsa Cattani

abertura: 25.07.2017

de 26 de julho a 10 de setembro

terças a domingos, das 10h às 19h

Museu do Rio Grande do Sul Ado Malagoli

Rua 7 de Setembro, 90010-191 Porto Alegre, Rio Grande do Sul

(51) 3227-2311

museu@margs.rs.gov.br

 

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não cabe todo mundo no inferno http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/nao-cabe-todo-mundo-no-inferno/ http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/07/14/nao-cabe-todo-mundo-no-inferno/#respond Fri, 14 Jul 2017 20:06:18 +0000 http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/?p=4681

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governo temer continua firme! http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/06/26/governo-temer-continua-firme/ http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/06/26/governo-temer-continua-firme/#respond Mon, 26 Jun 2017 19:32:29 +0000 http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/?p=4678

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o vôo de miriam leitão a um passado presente http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/06/13/o-voo-de-miriam-leitao-a-um-passado-presente/ http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/06/13/o-voo-de-miriam-leitao-a-um-passado-presente/#respond Tue, 13 Jun 2017 17:45:11 +0000 http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/?p=4675
tenho saudades de um futuro em que valham os argumentos.
vivemos num eterno passado em que adjetivos e xingamentos dão a tônica.
são os que ofendem os camisa amarelas, são os que xingam os camisas vermelhas.
todos dizem lutar pela democracia e por um mundo melhor.
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já senti esse cheiro antes http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/05/21/ja-senti-esse-cheiro-antes/ http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/05/21/ja-senti-esse-cheiro-antes/#respond Sun, 21 May 2017 17:14:05 +0000 http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/?p=4672 charge feita por mim e osvaldo pavanelli para a folha em setembro de 1992, 15 dias antes do presidente collor ser impichado.
o cheiro continua o mesmo.

 

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vc tem até sábado para conferir exposição “fantasma” de fabio zimbres em são paulo http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/04/24/vc-tem-ate-sabado-para-conferir-exposicao-fantasma-de-fabio-zimbres-em-sao-paulo/ http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/2017/04/24/vc-tem-ate-sabado-para-conferir-exposicao-fantasma-de-fabio-zimbres-em-sao-paulo/#respond Tue, 25 Apr 2017 00:29:24 +0000 http://blogdoorlando.blogosfera.uol.com.br/?p=4660

vc tem até o dia 29 de abril, sábado, para conferir mais um capítulo da brilhante carreira do artista paulistano radicado em porto alegre, fabio zimbres.
fanzineiro, editor, ilustrador, quadrinista, artista gráfico, artista plástico e pensador da profissão do desenhista, ele traz a sp, através da galeria bolsa de arte, a exposição fantasma que impressiona pela paixão pelo desenho, pelo uso de suportes não convencionais e, claro, por ter a cara do artista.
quem conhece o fabio como editor da revista animal ou quadrinista da chiclete com banana ou folha de s. paulo, pode ver e sentir como horizontes e invenções podem dar certo quando a liberdade e a curiosidade são os motores impulsores do trabalho.
a galeria, na vila madalena, em são paulo, é ampla, charmosa, confortável e abriga de forma respeitosa os cerca de 20 trabalhos que insistem em ter tamanhos diferentes, técnicas diferentes mas unidade mesmo quando fragmentadas.
abaixo, entrevista com o semi gaúcho:

blogdoorlando – vc, como artista gráfico, de certa forma sempre flertou com
as artes plásticas. como vc encara esse trânsito?
Fabio Zimbres – Nunca levei muito a sério a separação entre entre artes
gráficas e artes plásticas, ou como chamam hoje em dia, artes visuais.
Grande parte do que se estuda hoje em dia na história da Arte vem de
trabalhos gráficos ou são trabalhos encomendados como acontece hoje em
dia na ilustração. Então eu considero esse trânsito como uma
movimentação dentro de um grande território chamado Arte, na falta de
outro termo.

blogdoorlando – essa não é sua primeira individual. qual a diferença com
relação às outras?
Fabio Zimbres – Antes das diferenças, as semelhanças: todas partiram do
caos em busca de uma organização e acabaram se resolvendo numa
diagramação que não é muito diferente de como se constrói um livro ou
uma história em quadrinhos. Todas tb tentaram se valer da
especificidade do meio, ou seja, uma exposição é um contato direto de
uma pessoa com um conjunto de obras e assim, as obras foram feitas
levando em consideração esse contato direto, sem intermediação de foto
e impressão, ou seja, é quem vê diante de uma coisa que ele pode se
aproximar, se afastar, perceber detalhes que num livro não existem. Os
trabalhos acabam virando objetos tanto quanto imagens. Outra
característica comum é que as exposições funcionam como um
instantâneo, uma foto de onde estou naquele momento. Essa também é
assim. Por outro lado as outras se valeram de trabalhos mais diversos,
que eu tinha feito com objetivos muito distintos, que já existiam
antes da ideia de  exposição. Essa exposição é resultado de um esforço
mais concentrado aplicado num período mais curto de produção com um
fim em mente.

blogdoorlando – tem tela, tem papel, tem chapas de metal e formatos variados.
a exposição foi pensada como um todo ou é um ajuntamento de trabalhos
independentes uns dos outros?
Fabio Zimbres – A diversidade de suporte vem da necessidade de criar
objetos interessantes. De serem vistos e tb de serem criados.
Superfícies novas me estimulam. Antes de montar e diagramar a
exposição eu achava que o resultado seria bem esquizofrênico mas a
medida que fui diagramando fui percebendo uma coerência. O resultado
final me sugeriu uma certa concentração e clareza que eu não
percebia antes, no momento do caos. Isso me surpreendeu e foi
interessante porque me deu a ideia de algo trabalhando paralelamente
em minha cabeça a medida que eu era atraído por ideias bem
contraditórias enquanto produzia. Tinha medo dessa exposição não ser
muito diferente da anterior, Obra, de 2012, por achar que o processo
caótico em que eu me meti estava muito semelhante ao das exposições
anteriores mas depois de me afastar um pouco e ver o conjunto percebi
que apesar do processo semelhante parecia que eu estava em outro lugar
realmente e o resultado tinha outro peso.

blogdoorlando – e qual sua relação com a bolsa de arte?
Fabio Zimbres – Ela me representa em Porto Alegre e São Paulo. Em maio
faço outra exposição em Porto Alegre, com alguns trabalhos da Fantasma
e outros.

blogdoorlando – vários desenhistas como o adão, o jaca e o odyr têm migrado
para a tela e para as paredes.
vc vê isso como uma tendência ou é uma opção para a secura do ramo
editorial?
Fabio Zimbres – A lista é bem longa, várias pessoas estão ignorando
essas fronteiras. Não consigo discernir um motivo comum ou um objetivo
em comum entre os vários artistas que resolveram pintar ou produzir
obras únicas depois de uma carreira editorial, ou seja, criando
imagens para serem reproduzidas. Em 2002, por aí, montei uma exposição
na galeria Obra Aberta (em Porto Alegre, que infelizmente não existe
mais) atendendo convite de Carlos Pasquetti chamada “Ed Tonto
apresenta desenhos nunca vistos” cujo sentido era justamente mostrar
como os desenhistas que eram publicados pela editora Tonto (daí o ‘Ed
Tonto’) faziam muita coisa além dos quadrinhos, ilustrações e
trabalhos encomendados ou feitos para veiculação impressa (daí o
‘desenhos nunca vistos’, já que não circulavam). Havia de tudo:
tecidos gigantes pintados pelo MZK, livros de artista do Elenio Pico e
Schiavon, objetos 3D feitos pelo Eduardo Oliveira, animações
experimentais feitas por Diego Bianchi, Jaca e outros, além de
pinturas e objetos estranhos do Jaca. Quer dizer, esse processo é
antigo. E o Jaca é o maior exemplo de alguém que ignorava essas
fronteiras. O que vale é a invenção que vc incute no que vc faz, seja
ilustração editorial ou um painel. Se vc faz isso, uma ilustração
feita sob encomenda com um tema X vai transcender esse tema, o meio em
que foi publicado e vai ter uma vida autônoma além desse meio. Fazer
telas ou pintar sobre superfícies inusitadas é um passo natural para
um artista como o Jaca se vc presta atenção no que ele fazia antes
numa folha de jornal. E é assim para várias outras pessoas, suponho.

 

serviço:

Exposição: Fantasma
De: Fabio Zimbres
Onde: Galeria Bolsa de Arte
Rua Mourato Coelho, 790 | Vila Madalena | CEP 05417-001 | São Paulo | SP
(11) 3097-9673
Segunda a sexta: 10h às 19h. Sábado: 10h às 17h.

http://www.bolsadearte.com.br/site/pt/

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