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entre desenhistas a terceirização é realidade faz tempo

Orlando

28/03/2017 11h53

 

nos próximos dias ou semanas, o presidente temer deve sancionar uma lei sobre terceirização que altera as relações trabalhistas no brasil.
na verdade, o que ela vem a fazer é regularizar uma atividade que já é moeda corrente entre profissionais de várias áreas, inclusive nas artes gráficas.
se a clt se mostrou um instrumento de segurança para trabalhadores, também é verdade que engessou e travou boa parte das negociações entre patrões e empregados.
mas aqui falamos de cartunistas, ilustradores e tantos outros que, na prática, sempre foram terceirizados, prestadores de serviço.
eu mesmo, por opção, nunca tirei carteira de trabalho. sempre fui um pj – pessoa jurídica – paguei meus impostos, inss, etc e nunca me senti prejudicado por isso.
nunca tive fundo de garantia mas, veja bem, com meu dinheiro, fiz o que queria. o fundo de garantia é descontado da folha de pagamento compulsoriamente e devolvido depois da mordida do governo.

o fato é que, ao longo dos anos, passamos por várias mudanças que nos empurraram para o trabalho sem vínculo.
nas redações hoje é quase impossível encontrar alguém com carteira assinada e isso começou lá pelos anos 90 com a reengenharia, método que “otimizava” e “dinamizava” o trabalho dentro das empresas. a regra era não deixar a peteca cair. menos gente, mais trabalho, mais produtividade.
nesse ponto, a nova lei pouco atinge os desenhistas que, em sua gritante maioria, são “donos” de seu próprio negócio desde sempre.
vivemos assim pelo menos pelos últimos 30 anos.
o nó é que em épocas de crise, sempre tem quem ganhe muito dinheiro. e não somos nós.
o capitalismo dá certo porque sempre tem lenha para queimar. demite, corta, diminui qualidade e aumenta preço.
em épocas de bonança, cada um de nós, dono de seu próprio negócio, administra suas tarefas, tempo e lucro sem se importar tanto com a concorrência.
ao contrário, em épocas de crise – e quando não? – terceirizados são jogados aos leões e salve-se quem puder.
a concorrência desleal só serve para precarizar cada vez mais as relações, baixar preços, tornar jovens talentos em vítimas de suas próprias estratégias e escantear profissionais mais rodados.

em países com economia estável e altos índices de crescimento, a terceirização não é problema. cada um toca sua vida e negócio conforme seu talento e não precisa viver sob tutela do estado. cada profissional estabelece seu ritmo de trabalho, programa sua poupança, se previne para o futuro, arca com seus impostos.
no brasil a realidade é bem diferente. empresários cuidam do seu e colaboradores que se matem aceitando condições que mal vão dar para pagar as contas, quanto mais planejar o futuro.
já contei isso aqui mas acho que ainda vale: muitos veteranos como eu trabalharam numa época mais romântica em que os funcionários e colaboradores eram mais fiéis à empresas que os contratavam. em contrapartida, todos, de certa forma, faziam parte do crescimento e dos lucros dos patrões.
funcionários ganhavam bem e valorizavam seus colaboradores.
não era incomum um diretor de arte dizer que vc podia cobrar mais do que estava pedindo por um determinado trabalho.
parece conto da carochinha mas não é.
outro dia, numa negociação de orçamento, uma diretora de arte num determinado momento de desespero manda essa: “quer saber quanto eu ganho?”.
não, não quero. isso era um problema dela, não meu nem de quanto acho que vale meu trabalho.

portanto, para nós, terceirização é um detalhe.
com leis trabalhistas ou não, o que vale é a lei de quem tem o dinheiro.
pagam o quanto querem, no prazo que querem e de que forma quiserem.
a segurança do trabalho só vai existir quando o país tiver uma economia realmente forte, estável e com um empresariado que consiga enxergar um pouco além do para-brisa de sua lancha.
com mais progresso, mais gente trabalhando e ganhando mais, mais arrecadação e isso vai bater numa outra discussão: a previdência.
mas esse assunto fica para outro post.

 

 

 

 

 

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Sobre o autor

Orlando Pedroso é artista gráfico e ilustrador, trabalhou com praticamente todas as publicações da grande imprensa. Foi colaborador da Folha de S. Paulo de 1985 a 2011. Ilustrou mais de 60 livros infanto-juvenis e é co-autor de “Livro dos Segundos Socorros” e “Não Vou Dormir” – finalista do prêmio Jabuti de 2007 nas categorias “ilustração” e “melhor livro”. Foi vencedor do Prêmio HQ Mix de melhor ilustrador nos anos de 2001, 2005 e 2006. Expôs nas mostras individuais como “Como o Diabo Gosta”(1997) , “Olha o Passarinho!”(2001), “Uns Desenhos” e “Ôtros Desenhos” (2007). Em 2008, faz uma exposição retrospectiva de 30 anos de trabalho como artista convidado do 35º Salão de Humor de Piracicaba.- É autor dos livros Moças Finas, Árvres e do infantil Vida Simples, e membro do conselho da SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil.

Sobre o blog

Este blog trata de artes gráficas, ilustração, cartum, quadrinhos e assuntos aleatórios.

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