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parada gráfica, de porto alegre, acontece neste fim de semana
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Orlando

logoParada

 

nos dias 1 e 2 de agosto acontece, no museu do trabalho em porto alegre, a terceira edição da parada gráfica, feira de zines, publicações e peças gráficas.
neste ano, muito maior, conta com mais espaço e mais de 100 expositores.
o museu do trabalho é ponto de referência na cena gráfica portoalegrense por conta da intensa atividade em suas oficinas de lito, serigrafia, gravura em metal, xilo e escultura além das exposições de arte contemporânea.
a parada gráfica mantém essa efervescência reunindo novos talentos e tendências das artes gráficas e se tornando um dos maiores pontos de encontro do brasil.
a exemplo da feira plana de são paulo, o evento abrigará artistas e editores de vários pontos do país. há representantes da argentina e uruguai também. acontecerão oficinas e debates. confira a programação abaixo.
para falar sobre a parada, falamos com fabio zimbres, um dos organizadores:

blogdoorlando – essa é a terceira parada gráfica. o que ela tem de diferente das outras?
Fabio – Ela aumentou de tamanho pq foi incorporada uma área nova do Museu que antes não foi usada. A inscrição foi massiva e tivemos que fazer um esforço extra para aceitar o máximo de participantes. Há uma área infantil com destaque o que antes não tinha. E mais espaço para as pessoas ficarem de bobeira descansando. A expectativa é que o público seja muito maior então há a preocupação de receber todo o mundo com conforto, editores e público.

Parada 01

blogdoorlando – tamanha quantidade de produções independentes mostra que as grandes editoras já não dão conta?
Fabio – As grandes editoras nunca deram conta, pode-se dizer. Seria injusto querer que elas publicassem tudo que a imaginação humana produz. Isso já era impossível antes das atuais técnicas de produção e propagação de imagens e textos e mais verdade ainda hoje em dia. Mas mais importante, mostra que os meios estão aí e as pessoas estão aproveitando e ainda mais importante, mostra que há um público com enorme curiosidade e interesse.

blogdoorlando – antigamente a garotada se dava por contente por fazer um zine de xerox. hoje quase tudo tem um acabamento profissional. mas e o conteúdo?
Fabio – Na verdade a garotada não se dava por contente com o zine de xerox. Existia sempre uma sensação tipo, bom, isso é o que dá pra fazer agora. O objetivo era conseguir rodar uma revista ou achar uma editora que gostasse do fanzine e topasse dar o próximo passo. Hoje em dia, na verdade, há uma valorização do fanzine de xerox, que é visto como um meio com suas próprias qualidades e não é mais uma etapa num processo maior. E essa é a característica desse momento: há vários meios disponíveis e cada um usa de acordo com seus interesses e possibilidades.
É verdade que o conteúdo não vai evoluir da mesma maneira que os meios gráficos, uma coisa é independente da outra. E também existe uma pressão do mercado que atualmente é mais receptivo ao formato livro que o formato revista (com a transferência dos quadrinhos das bancas para as livrarias, por exemplo) o que faz com que muita coisa pule do blog direto para o livro com lombada quadrada. Mas mesmo assim, existe toda uma experimentação que explora qualquer meio disponível e encontra nessas feiras a maneira de se apresentar fisicamente para o público.

Parada 04

blogdoorlando – como foi feita a seleção de expositores?
Fabio – Pensamos que se um cara de Salvador quer fazer todo o esforço de vir até a ponta do Brasil para mostrar seu material, nós devíamos dar um jeito de recebê-lo. Felizmente, esses editores ousados, em geral são de boa qualidade. E nos esforçamos para receber o máximo de expositores locais também porque achamos que o contato dos fanzineiros daqui com o público e os editores de fora é importante para que os autores cresçam. Essa vontade acabou pressionando para o aumento da feira. Mas tentamos manter o foco nas publicações, há toda uma turma explorando produtos diversos, de cadernos a camisetas, mas a prioridade da feira foi trazer primeiro as editoras e publicações: zines, livros e revistas.. E como o Museu tem uma relação tradicional com gravura, também demos uma atenção para o pessoal que quer expor xilos, serigrafias, tiragens de cartazes etc.

blogdoorlando – o museu do trabalho tem sido um ponto de encontro de novos talentos e de uma garotada bastante pilhada.
a que deve isso?
Fabio – A informalidade das relações dentro do Museu ajudou a criar esse espaço voltado para as questões da criação e da criatividade e isso sempre vai atrair os criadores, sejam jovens ou mais experientes. O Museu é auto sustentável financeiramente e isso possibilita que as decisões, desde a programação das exposições na galeria até a maneira de gerenciar as oficinas de gravura e escultura, sempre tem o foco voltado para a criação.

Parada 02

blogdoorlando – o museu se mantém pelos sócios e pelo clube de gravura. economicamente, o que significa a parada?
Fabio – A Parada nasceu através do encontro do Hugo, diretor do Museu, com os desenhistas Nik e Rafael Sica e eu acredito que o propósito se encaixa na missão que o Museu do Trabalho tomou para si: manter um espaço independente voltado para a arte que sirva a comunidade de artistas (brasileiros) e o público portoalegrense. Para viabilizar a existência da Parada o Museu não pode contar apenas com seu orçamento normal e para isso parte para uma rede de apoiadores e financiadores entre os amigos e colaboradores do Museu, o que mostra como a comunidade entende essa missão do Museu e participa colaborando com as propostas que o Museu lança.

blogdoorlando – a parada gráfica dialoga com outras feiras do tipo? no que vc acha que vai dar isso?
Fabio – Esse fenômeno das feiras é mais ou menos recente e as pessoas estão aos poucos procurando entender e fazer evoluir as possibilidades que essas feiras propiciam. Nesse ano a Bia Bittencourt (Feira Plana) e o Augusto Botelho (Dente) vão compor uma mesa imaginada pelo Hugo onde as Feiras vão ser o assunto, a partir do ponto de vista de quem organiza essas feiras. Vai ser uma oportunidade de discutir esse assunto, não apenas a partir da experiência de quem produz as feiras mas também de quem só produz os zines (os dois, Bia e Augusto, claro, também são produtores de zines) e do público que visita as feiras e que devem estar sentados na arquibancada do Teatro do Museu para essa conversa.
Essas feiras não são apenas a oportunidade de se travar contato com esses produtos de papel, de vender e comprar esses produtos, mas também é uma oportunidade dos autores se encontrarem e gerarem projetos futuros. O que isso tudo vai dar pode estar sendo gerado exatamente pelos encontros proporcionados pela Parada Gráfica nesse fim de semana.

fotos da parada gráfica 2014

fotos da parada gráfica 2014

PROGRAMAÇÃO:
Exposição de abertura: A Máfia Líquida
Dia 31 de julho, sexta, das 19h às 22h
 
No Solar Coruja
Rua Riachuelo, 525
Centro Histórico
Porto Alegre
 
A Máfia Líquida é um coletivo formado em São Leopoldo, RS. Ativo desde 2007,
foi inicialmente concebido como uma festa que servisse de pretexto para a produção
de cartazes em serigrafia. Desde então as atividades do grupo se expandiram e
hoje englobam, além das festas e cartazes, atividades multidisciplinares no campo
do design e das artes visuais, incluindo intervenções em locais públicos,
campanhas políticas fictícias, fanzines e projetos comerciais sortidos.

A mostra traça a trajetória de produção do coletivo em paralelo à realização de suas festas
até os dias atuais, incluindo todo seu acervo de produção em serigrafia e demais artefatos
gráficos como flyers, revista e cartazes, além de um bom número de esboços e originais.

O ‘núcleo duro’ do grupo atualmente é composto por Sergio Rodriguez (artista visual), Filipi Filippo
(designer e músico), Diego Gerlach (cartunista e designer) e José Fonseca (músico e produtor).
Em diferentes ocasiões, a Máfia agrega membros honorários para projetos específicos.
 
 
Visitação: quintas, sextas e sábados, das 18h às 23h.
Até 29 de agosto de 2015.
 
 
Mesa de Conversa
Augusto Botelho e Bia Bittencourt.
Mediação: Orlando Pedroso
A cena das publicações independentes no Brasil está em ebulição, e as feiras de artes gráficas são o
termômetro, o lar, a vitrine e a celebração dessa cena, além de ajudar a manter as editoras financeiramente
saudáveis. O tema da Conversa é justamente esse momento na visão de quem organiza essas feiras.
 
Sábado, 1 de agosto, às 19 horas.
No Teatro do Museu do Trabalho
Bia Bittencourt, 29 anos, estudou Artes Plásticas e fez mestrado em Audiovisual na Escola de 
Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Trabalhou como produtora 
de promo e gráficos na MTV Brasil e foi editora da TV Folha na Folha de São Paulo.
Atualmente participa de feiras internacionais de livros de arte, representando editoras brasileiras, 
como New York Art Book Fair no MoMA Ps1 e na Libros Mutantes em La Casa Encendida em 
Madrid, Espanha. É idealizadora e curadora da Feira Plana,  a maior e mais importante feira de publicações 
independentes do Brasil que acontece anualmente no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.
Augusto Botelho, 24 anos, estudou Artes Plásticas na Universidade de Brasília – UnB.
É um dos editores da MÊS, editora independente que começou em 2013 através
da publicação da zine “MÊS”. Publicou tiras semanais na página do facebook Batata Frita Murcha
e teve trabalhos publicados na revista A ZICA, 3 e 4; na segunda edição da revista 'Pesadelos Metafísicos''.
Publicou “O Aguardado”, primeira história longa em que revisita lendas brasileiras dentro do atual
contexto político do país. Participou do 8º FIQ – Festival Internacional de Quadrinhos; a
s três edições da Feira Plana, em SP; três edições do Encontro de Zines e Publicações Independentes
do Par de Ideias, em BsB; a segunda edição da Feira Pão de Forma, no Rio; na quarta edição
do Ugra Zine Fest em SP; e em várias feiras locais no DF. É um dos organizadores da DENTE,
feira de publicações, que teve sua primeira edição realizada em Junho de 2015,
em Brasília, e contou com 35 editoras, selos e artistas da cidade e de outros estados.
 

Oficinas
Sábado, dia 1 de agosto, a partir das 14h30
Desenho Compulsivo
com Gabriel Góes

Integrante do coletivo Sindicato, em Brasília, fez parte do grupo que criou e editou a revista Samba e é um dos responsáveis 
pelo Fabio Zine, adaptou com Arnaldo Branco as peças de Nelson Rodrigues, Vestido de Noiva e Beijo no Asfalto.
Exercitar uma fluência e naturalidade (desapego) no desenho a partir de uma produção em quantidade
(compulsiva). No fim, o material selecionado vira um zine. Para desenhistas.
Ponta-seca 
com Marcelo Lunardi

Formado em Artes Visuais pela ULBRA. É o responsável pela oficina de gravura
em metal do Museu do Trabalho e impressor no atelier da Fundação Iberê Camargo.
A oficina será uma experiência na gravação e impressão de uma matriz.
Uma matriz e duas cópias por participante. Para leigos em gravura,
mas que tenham desenho.

Serigrafia Alternativa
com Itapa Rodrigues

Artista visual e músico, ministra oficinas de Serigrafia Alternativa desde 2005.
É uma versão da serigrafia industrial mais voltada para o artístico,
mais adaptável a espaços reduzidos e com custos menores,
e mais relacionada também com o reaproveitamento de materiais.
Nessa atividade se experimenta a gravação de telas com a luz do dia,
dispensando o uso de mesas de gravação, o uso de artes-finais em forma
de fotocópias ou recortes e a impressão com tintas à base de água.
Domingo, 2 de agosto, a partir das 14h30:
Gravura em Vidro
com Ottjörg A.C.

O artista alemão é formado em Artes Visuais pela Universidade de
Belas Artes de Berlim e foi aluno de Rolf Szymanski e Alfred Hrdlicka.
Gravação em matriz de vidro e impressão.
A oficina é dirigida a quem já possue experiência com as técnicas de gravura.
Estamparia com Carimbo para Crianças
com Luciana Pinto

Designer Visual formada pela ESPM de Porto Alegre, com
especialização em Design de Superfície pela UFRGS.
Exercitar a capacidade de desenho e criação das crianças.
E desenvolver seu próprio carimbo para impressão manual.
Materiais por conta da professora.
Para crianças de 5 a 10 anos.

Todas as atividades são gratuitas.

Atividades extras
Ilustre a contracapa da YOYO!!!

A equipe da revista infantil YOYO vai receber as crianças na Parada Gráfica 
para desenhar e fazer colagens com flores e folhas.
Um dos trabalhos será escolhido para ilustrar a contracapa da 
YOYO#5 que terá a Botânica como tema. 
É só chegar!


Lista de expositores
Adauany Zimovski
Alexandre Carvalho ZHQ

Adri A. e Xablo Lutz
Amaro Abreu
Ana Paula Zonta
Antonio Mainieri e Filipe Rossetti

Argonautas Editora
Ateliê Midiológico – Belo Horizonte
Ateliê ReTina – Santa Maria/RS
Atelier Livre da PMPA
Augusto Abreu
Aura Curadoria Contemporânea
Avocado Edições – São Paulo
Azulejo Arte Impressa
Bebel Books + Ale Kalko – São Paulo
Beira Movida Editorial

Bendita Gambiarra – Rio de Janeiro
Bianca – Belo Horizonte
Byrata – Santa Maria/RS
Café Impresso – Curitiba
Calafia

Carine Wallauer
Carla Pilla
Carolina Veiga – Rio de Janeiro
Chocolate Notebooks – São Paulo

Coisa Edições
Coletivo Korja – Belo Horizonte
Coletivo Prensa – Santa Maria/RS
Coletivo Tomate
Coletivo Verruma – São Paulo
Coticoá – Santo André/SP

Desvio
Diego Medina
Diego Sanchez – Rio de Janeiro
DODO Publicações – Rio de Janeiro
Doutor Insekto – Santo Antônio da Patrulha/RS
Drunken Butterfly – Rio de Janeiro
Edições de Zaster – São Paulo 
Edições
Porta Amarela – São Paulo
Editora Cachalote / Narval Comix – São Paulo
Editora Criatura – Rio de Janeiro 
Editora Gato Preto – São Paulo 

Editora Zouk
Equipe ELF – Rio de Janeiro
Ernani Cousandier – Bento Gonçalves/RS
Estúdio 6 Coletivo de Arte – Santa Maria/RS
Estúdio YOYO – São Paulo
Fabiano Gummo – Canoas/RS
Fabio Mariano – São Paulo
Faca na Manteiga
FestFoto

Gabriela Gil – São Paulo
Galeria Hipotética
Gilberto Tomé / Gráfica Fábrica – São Paulo

Leidson  Rocha
GRAFAR 
Guilherme Caldas – Curitiba
Guilherme Sommermeyer – Novo Hamburgo/RS
Hypnobooks
ITEM72ForCollectors – São Paulo
Ivan Riskin – Buenos Aires
Jacqueline De Boni
João Azeitona
Jornal Relevo – Curitiba

Jubarte Mugidor  – São Paulo/Porto Alegre
Juliana Monteiro Montenegro – Rio de Janeiro
Katnip Press – Rio de Janeiro

Laura Loyola – Rio de Janeiro
Lezma Records
Lídia Brancher
Lote 42 – São Paulo
Máfia Líquida – São Leopoldo/RS

Maldito Ofício 
Maria Nanquim – São Paulo
Mario Pirata 
Mayra
Flamínio – Curitiba

Mês – Brasília
MZK – São Paulo
Músculo

Nik Neves
Noia Coletiva – Caxias do Sul/RS
Norbert Heinz – Guarapuava/PR

Otto Desenhos Animados
Outprint (Farofa) – São Paulo
Papelera
Patrick Antunes – São Paulo
Pedro Balboni – São Paulo
Pedro Marodin
Pipoca Press – Rio de Janeiro
Piti Dutra
Projeto Circular – Novo Hamburgo/RS
Quarto Ambiente
Rafael Corrêa
Rafael Sica – Pelotas/RS
Rejunte – Florianópolis
Revista Aerolito – Brasília
Revista Beleléu – Rio de Janeiro
Rio Tesa – São Paulo
Rodrigo Chaves
Ronaldo Dias – Vacaria/RS
Samanta Flôor
Selo Editorial Outras Dimensões – Rio de Janeiro

Selo Piqui – Brasília
Selo Rabanete + Chupa Manga Records
Silvo

Sindicato – Brasília 
Sociedade da Prensa – Salvador
Sylvio Ayala – São Paulo
Tobias Barletta – São Paulo
Tonto / Fabio Zimbres
Tridente

Gervasio Troche – Montevideo
Tuchi 
Usina das Artes – Rio Grande/RS
Waldemar Max – Gravataí/RS
Walter Pax

Xadalu – Alegrete/RS
Zine George

 *Participantes sem indicação de local são de Porto Alegre.

______________________________________________
Patrocínio:

Cerveja Coruja
Bilhar Porto Dez
Serigrafia Gaúcha
Ossip Cidade Baixa
Apoio:

Atelier de Massas
Atelier Serigráfico
BD Divulgação
Boteco Histórico
Goethe-Institut Porto Alegre
Noz Cozinha Vegetariana
Tango Sabores de Uruguay
Ficha técnica:
Seleção: Fabio Zimbres, Nik Neves e Rafael Sica
Release: Bebê Baumgarten
Divulgação: BD Divulgação
Cartaz Parada Gráfica 2015: Lídia Brancher
Serigrafia do cartaz: Xadalu
Design identidade: Nik Neves
Design zine: Fabio Zimbres
Marcenaria: Henrique Pasqual
Elétrica: Paulo Pereira
Técnico de luz e som: Charle
Atendentes: Lucio Gastal e Manoela Rodrigues
Auxílio luxuoso: Julio Zanotta
Assistente geral: Anne Fahlke
Produção: Museu do Trabalho
 
Uma promoção do Museu do Trabalho
 

www.facebook.com/aparadagrafica
 
Museu do Trabalho
Rua dos Andradas, 230
Centro Histórico, Porto Alegre
Terça a sábado das 13h30 às 18h30
Domingos e feriados das 14h00 às 18h30
(51) 3227 5196
museu@museudotrabalho.org
www.museudotrabalho.org

 
 


amely, de pryscila vieira, chega ao 10 anos com muita festa e muita d.r.
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Orlando

tira numero 1

amely é que é a mulher de verdade.
contestadora, auto-suficiente, exigente, não cozinha, não lava, não passa.
amely tem só 10 anos e é de borracha. exige d.r. e preliminares. mas, também, se não tiver, dá conta do recado.
amely é a personagem criada pela curitibana pryscila vieira, uma das cartunistas mulheres do sexo feminino que desafiaram o império masculino das histórias em quadrinhos. fosse pouco isso, seu personagem completa 10 anos de vida na imprensa. para qualquer um isso não seria pouco.
publicada em inúmeras revistas e jornais, teve passagens pelo jornal metro e, recentemente, pela seção quadrinhas da ilustrada, da folha de são paulo.
para comemorar a data, uma série de festividades.
abaixo, entrevista com a cartunista:

blogdoorlando – o jaguar diz que existem duas profissões que não servem para as mulheres: a de estivador e a de cartunista.
como vc lida com uma profissão quase 100% masculina?
Pryscila Vieira –
Essa afirmação do Jaguar é tão célebre e defasada quanto aquela do Ziraldo, que disse “nunca brochei'', lá pela década de 80. Sei que nenhum deles concorda mais com as próprias palavras. Tanto é que já encontrei o Jaguar diversas vezes e ele sempre explicita a alegria e o respeito por ver uma mulher atuante no reconhecido universo testosteronizado do cartoon.
Particularmente, em qualquer espécie de trabalho, desconsidero o gênero para sua execução. Não existe homem ou mulher. O que existe é trabalho bom ou trabalho ruim. Esforço-me por fazer um bom trabalho. Sou dedicada, perfeccionista, antenada, curiosa e acima de tudo, amo meu ofício.

tira apaixonada

blogdoorlando – o que vc fazia antes da amely?
Pryscila Vieira –
Fazia e ainda faço. Apesar de ser mais conhecida pelo trabalho autoral com a personagem Amely, sou formada em Design Gráfico e ainda atuo nessa área. E como sou cartunista, uso o dom mantendo uma empresa de ilustração que produz todo tipo de imagem para publicidade, editoras, assessorias de imprensa e clientes diretos. Tem muita propaganda por aí que eu desenhei, mas que as pessoas nem sabem porque não são trabalhos assinados.

blogdoorlando – e como surgiu a idéia do personagem?
Pryscila Vieira –
Bem, em 2005 eu estava às turras com um ser avesso à análises do relacionamento. Ele parecia querer uma pessoa inanimada para se relacionar. Ao perceber isso, sugeri que ele procurasse uma boneca inflável para namorar. Tornei-me solteira nesse momento e fui para a prancheta me “vingar''. Então, tive a ideia de desenhar uma boneca inflável que, por mágica do destino, chega à casa de seu comprador, um homem frustrado, cheia de ideias, desejos e vida. Batizei-a de Amely em alusão ao samba “Ai que saudades da Amélia'', essa que “era uma mulher de verdade'' por ser um exemplo de resignação. O detalhe é que a matriz de Amely, foi desenhada com a mão esquerda, porque eu estava cansada de trabalhar naquele dia. Então, resolvi dar uma folga para a direita. Por isso ela tem esse visual meio tosco, erradinho.
Fato é que a criei despretensiosamente, só para publicar no meu blog e dar umas risadas do fim daquele relacionamento moribundo. Meu mister é extrair comédia da tragédia.
Em pouco tempo, Amely começou a receber convites para participar de exposições sobre direitos da mulher que aconteciam no mundo todo. Daí o Metro Internacional me contratou e as coisas foram acontecendo.

blogdoorlando – amely completa 10 anos de uso ininterrupto. vc acha que a borracha dela aguenta ainda por muito tempo?
Pryscila Vieira –
Personagens que sobrevivem ao tempo, ao leitor, à crise do autor, têm uma característica peculiar: a flexibilidade. Eles adaptam-se às mudanças da sociedade e da história. São imortais. Não adianta empurrar da ponte, dar tiro de .12, parar de desenhar. Acontece isso aí, ó:

datauri-file

 

blogdoorlando – a tira trata de relacionamentos e comportamento. o que vc acha que mudou no brasil desde a primeira tirinha?
Pryscila Vieira
– Nesses dez anos vimos revoluções. Surgiram leis, como a Maria da Penha, a lei do Feminicídio e presenciamos uma luta pelo respeito entre gêneros como nunca antes visto no país. Sinto que é hora de guerrear pela paz. Fazer humor com essa efervescência é como andar em campo minado. Por outro lado, é desafiador.
Já no meu microcosmo particular, percebo que também mudei. Ninguém resiste incólume a dez anos de “tirapia''. Minha prancheta é meu divã, meus personagens, meus psicólogos.

tira aniversario

blogdoorlando – há uma programação comemorativa pelos 10 anos. quais seus próximos planos para ela?
Pryscila Vieira –
Para comemorar a data, estão programadas exposições. A primeira, será em Curitiba (Gibiteca de Curitiba, 16 de julho até 13 de setembro), a outra acontecerá em São Paulo (Galeria Ornitorrinco e Comedians Club entre outubro e novembro). Em 2016 Amely estará em Roma, com data a confirmar.
Além da exposição, uma edição de luxo de um livro de tirinhas da personagem será lançado no fim de 2015 pela Contenido Editora.
Uma peça teatral também está no forno.
Ufa!
Ah! Quase esqueço! Lancei um novo site da boneca mais metida do Brasil. Acesse www.amelyreal.com

cartaz orlando

 

 

 

 

 

 

 

 

 


baptistão lança livro comemorativo de 30 anos de carreira, hoje em sp
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Orlando

eduardo baptistão é referência da excelência da caricatura brasileira.
poucos chegam perto do nível de distorção, acabamento e, principalmente, elegância de seu trabalho.
profissional desde 1985, quando publicou pela primeira vez, fez escola mesmo sendo inimitável.
agora, com 30 anos de profissão, o cinco vezes premiado como melhor caricaturista no prêmio hqmix, premiado no salão carioca de humor, no world press cartum e no tehran international cartoon biennial, baptistão reúne parte de sua história no  the art of baptistão – 30 anos, editado pela reference press.
é a reunião do que ele acha mais relevante de sua trajetória recente.

capa BAP

abaixo, entrevista com o artista:
blogdoorlando – fazer 30 anos de profissão não é para fracos.
como foi revisitar toda sua produção?
Baptistão – Trinta anos é uma data redonda, que merece ser comemorada. Felizmente tive a oportunidade de publicar essa coletânea, que é um sonho muito antigo. A ideia poderia ser reunir trabalhos da vida toda, estabelecer uma cronologia, mas, conversando com o Ricardo Antunes, editor do livro, chegamos à conclusão de que seria mais legal reunir os trabalhos que considero melhores e mais importantes. Em função disso, a grande maioria dos desenhos escolhidos é mais recente. Mas a escolha me levou a revisitar tudo, revirar as gavetas e pastas, e isso é sempre saudável.

josemujica

blogdoorlando – vc mantém uma unidade impressionante em seu trabalho. como vc lida com as “necessidades” de mudança?
Baptistão – De uns anos para cá, fiz a opção radical de só trabalhar com caricaturas – com raríssimas exceções. Isso implica em fechar o leque, ter menos opções de trabalho, mas traz como contrapartida o prazer de fazer só o que gosto. Até aqui eu vivi bem assim, mas sinto que, de agora em diante, vai ser muito difícil manter a exclusividade das caricaturas. O mercado – ou a falta dele – vai me obrigar a uma readaptação a outras modalidades de ilustração, se eu quiser continuar a viver do meu desenho.

billclinton

blogdoorlando – como vc resolve o embate “digital” e “analógico”? o que te dá mais prazer?
Baptistão – A praticidade faz com que eu use o acabamento digital com maior frequência, mas adoro quando o prazo de uma encomenda me permite ficar “lambendo'' um desenho com os velhos lápis de cor. O resultado do artesanal é, sem dúvida, mais rico. Mas tenho prazer em trabalhar com ambas as técnicas.

5.1.2

5.1.2

blogdoorlando – nos salões de humor, a caricatura tem se destacado pelo grau de deformação e acabamento.
por outro lado, cartuns e charges, mais opinativos, parecem demonstrar um certo esgotamento. como vc vê isso?
Baptistão – Sou suspeito para falar das caricaturas, que são a minha predileção – até pela minha falta de talento para cartuns e charges. De fato, o nível das caricaturas nos salões é cada vez mais alto, e as outras modalidades muitas vezes não mostram o mesmo fôlego. Não tenho uma teoria formada sobre isso, mas talvez as novas gerações se sintam menos atraídas pelo cartum e pela charge, que naturalmente exigem muita informação – e formação – para ser feitas em alto nível.

OZZY

blogdoorlando – os espaços dentro dos jornais e das revistas têm sido reduzidos drasticamente. quem perde com isso?
Baptistão – Isso é muito triste. Eu, que nesses 30 anos vivi de publicar meus desenhos nos veículos impressos, no momento me vejo meio perdido. Não sei como estará esse mercado nos próximos seis meses, que dirá daqui a seis anos. Quem perde é fácil de responder. Além dos profissionais que veem o seu espaço desaparecer, quem mais perde é o leitor, privado da diversidade visual e da carga cultural das ilustrações.

millorfernandes

blogdoorlando – o que vc gostaria que fosse mudado nesse cenário?
Baptistão – Eu tenho nostalgia dos anos 1970, que não vivi profissionalmente, mas que conheço pelas histórias dos meus colegas mais veteranos. Época em que a ilustração tinha amplo espaço e era muito valorizada. Eu sonho com a volta milagrosa desse cenário, mas sei que caminhamos, infelizmente, cada vez mais no sentido oposto.

cartazpreço de lançamento: R$50

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


liniers traz, finalmente, seu macanudismo a são paulo
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Orlando

 

Macanudismo-titulo expo

 

liniers está de volta ao brasil. depois e passar por recife, brasília e rio de janeiro, o cartunista argentino que mais atravessou fronteiras sulamericanas nos últimos anos traz sua exposição “macanudismo'' a são paulo, no centro cultural correios.

organizada pela mandacaru e tendo como curadora bebel abreu, a mostra apresenta materiais inéditos e uma programação que inclui oficinas e palestras com adão iturrusgarai, laerte, diego sanches e gustavo duarte.Cosas.indd

 

abaixo, entrevista com ricardo liniers siri:

blogdoorlando – como vc vê o atual cenário do humor na argentina?
Liniers – En Argentina siempre hubo mucho humor. Supongo quemes nuestro mecanismo de defensa ante las múltiples calamidades a las que nos exponemos y el resultado de la mezcla de inmigraciones a lo largo de la historia. Así que ya sea en cine, libros, teatro y especialmente en humor gráfico, el humor goza de buena salud.

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blogdoorlando – artistas como crist, sábat, fontanarrossa, caloi, carlos nine, quino e tantos outros influenciaram muito o trabalho de cartunistas brasileiros nos anos 70. por que, a seu ver, brasileiros e argentinos ficaram tão distantes?
Liniers – Lo mismo sucede con la música o el cine. Tenemos todos puesta nuestra atención en Europa o USA y no prestamos atención a nuestros vecinos. Me hubiese mucho poder leer a Angeli, o Laerte en los periódicos argentinos. Pero las tiras que publicaban extranjeras  siempre eran norteamericanas. Creo que con el fenómeno de internet eso está cambiando ya que los posibilidades de leer a tal o cual dibujante no dependen del gusto de un editor, sino que nosotros somos nuestros propios editores de contenidos. Que responsabilidad!

Macanudismo-tira Macanudo11b

blogdoorlando – histórias em quadrinhos divertem as pessoas mas modificam muito pouco o mundo nos dias de hoje. vc acha que falta política como assunto ou está bom assim?
Liniers – No sé. EL mundo de la política es el mundo de las decisiones sobre lo gigantesco. Personalmente me interesa lo pequeño. Pero creo que una política que acompañe la cultura es importante.

Entrevista Ricardo Darin

blogdoorlando – seus personagens são muito lúdicos e universais. é sua intenção não deixá-los absolutamente argentinos?
Liniers – Cuando dibujaba las primeras tiras no tenía ninguna fantasía de que llegaran más allá de Uruguay. No pensé que el universo ecléctico, extraño y a veces críptico de Macanudo necesitaría mucho pasaporte. Pero para agradable sorpresa los dibujos empezaron a saltar fronteras. Hago tantas cosas en la tira que no sé exactamente qué es lo que funciona en cada país.
Macanudismo-tira Macanudo10b
blogdoorlando – crist, certa vez, disse que era mais reconhecido no brasil do que na argentina.
vc sente o mesmo?
Liniers – Es lindo ir a Brasil todos los años y ver que viene cada vez más gentes, incluso con tatuajes de Olga o Fellini! Es una sensación maravillosa llegar a un país que no es el tuyo y ser recibido por gente que no conoces como si fueras un viejo amigo.
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blogdoorlando – vc está trabalhando em novos projetos? quais?
Liniers – Siempre. En este momento, además de los macanudismos, estoy dibujando una novela gráfica sobre un texto del escritor Mario Bellatin. Espero terminarlo este año. También siguen los shows con Kevin Johansen. Siempre con ganas de seguir visitando Brasil.

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serviço:

Macanudismo: quadrinhos, desenhos e pinturas de Liniers

Centro Cultural Correios São Paulo Av. São João, s/nº
Vale do Anhangabaú
São Paulo – SP
Tel. (11) 3227-9461

ABERTURA: 4 de julho de 2015 às 11h e às 14h
Entrada por ordem de chegada, sujeito à lotação do espaço.

Programação:

4/7, às 11h

Pintura ao vivo de Liniers + música de Cheba Massolo SESSÃO DE AUTÓGRAFOS: 4/7 às 14h

5/7, das 11h30 às 13h

PALESTRA: VIDA DE CARTUNISTA | LINIERS

18/7, das 11H30 às 16H30

OFICINA: QUADRINHOS PARA INICIANTES | DIEGO SANCHES

25/7, das 15h às 16h30

MESA REDONDA: CARTOON, CHARGE, DESENHO: NO BRASIL E LÁ FORA | LAERTE COUTINHO e GUSTAVO DUARTE

8/8, das 11h30 às 16h30

OFICINA: QUADRINHOS SEM PALAVRAS | GUSTAVO DUARTE

22/8, 11h30 às 13h00

PALESTRA: VIDA DE CARTUNISTA | ADÃO ITURRUSGARAI

23/8, 14h00 às 17h00

OFICINA: INTRODUÇÃO AO MUNDO DA TIRA, COM OU SEM HUMOR | ADÃO ITURRUSGARAI


VISITAÇÃO: de 4 de julho a 1 de setembro de 2015
Terça a domingo, das 11h às 17h
Sábados e domingos, às 15h, visitas orientadas sem necessidade de agendamento prévio
Curadoria: Bebel Abreu
Classificação: livre para todos os públicos.

VISITAS ORIENTADAS

Aos sábados e domingos às 15h, voltadas ao público espontâneo.
Não é necessário agendamento prévio.

VISITAS ORIENTADAS + ATIVIDADES EDUCATIVAS COM MATERIAL DIDÁTICO
De terça a sexta-feira, voltadas a grupos escolares e outras instituições, com agendamento prévio.
Será disponibilizado, com vagas limitadas, transporte e lanche a instituições públicas.
Agendamento: (11) 4106-0789
agendamento@mandacarudesign.com.br

TODAS AS ATIVIDADES SÃO GRATUITAS
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IMPRENSA
Assessoria de imprensa:
Camila Hessel
macanudismo@mandacarudesign.com.br
tel. (11) 99306-6411

Informações para a imprensa:
Centro Cultural Correios
Silvana Espíndola – tel. (11) 4313-8293
silvanaespindola@correios.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 


galeria ornitorrinco oferece cursos de desenho para crianças nas férias
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Orlando

Cartaz ferias_orn_2PROGRAMAÇÃO:

04/07

Pintura em aquarela – 10h>12h30 (R$50,00) – Nina Anderson

Teatro – ABC da Água – 14h>14h45h (Gratuito) – Nina Anderson

Pintura em Guache – 15h>17h30h (R$50,00) – Gilberto Valadares e Marcio Guerra.

 

11/07

Pintura Experimental – 10h>12h30 (R$50,00) – Kleverson Mariano

Pintura em Madeira – 15h>17h30 (R$50,00) – Fabiana Guimarães

 

18/07

Scrapbook – 10h>12h30 (R$50,00) – Cyntia Souza

Oficina de criatividade – 15h>17h30 (R$50,00) – Alexandr Eschenbach

 

25/07

Fantoche de papel – 10h>12h30 (R$50,00) – Andreia Vieira

Oficina de criatividade – 15h>17h30 (R$50,00) – Gilberto Valadares e Marcio Guerra

 


depois de omissão, folha publica anúncio citando seus cartunistas
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Orlando

o caderno de esportes da folha de s. paulo de hoje, domingo 21, traz anúncio dizendo que “sem a opinião de seus cartunistas, o jornal não teria a mesma graça“.
semanas atrás o jornal publicou um anúncio de página inteira listando 126 de seus multifacetados colunistas. nenhum deles era chargista, cartunista ou ilustrador.
vc pode relembrar aqui.

joão montanaro e laerte escreveram para o painel do leitor protestando pela omissão.
o anúncio de hoje, clara correção pela bola fora, ainda omite os chargistas do caderno mercado, por exemplo.
de qualquer forma, parabéns aos cartunistas que se manifestaram e à folha que deu a mão à palmatória.

 

 

cartunistas

 

 

 

 

 

 

 


quadrão no lugar das quadrinhas traz cheiro de fanzine ao caderno ilustrada
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Orlando

desenho de luciano salles para a seção quadrão da folha de s.paulo

desenho de luciano salles para a seção quadrão da folha de s.paulo

 

a bomba da semana veio, através da ilustrada, caderno de cultura da folha de s. paulo, que reformulou sua página de quadrinhos de segunda-feira.
saem os desenhos feitos por cartunistas “do sexo feminino'' para darem lugar a um “quadrão” produzido por um convidado.
os “convidados” podem enviar seus trabalhos para avaliação para quadrao@grupofolha.com.br no formato 19×15 cm.
o primeiro foi luciano salles, de araraquara.

a imprensa está sendo obrigada a dar seus pulinhos para se re-inventar e nessa arte a folha tem lá seus méritos. inovou na diagramação, no enfoque de determinados assuntos, na edição das fotos, no convite a colunistas multi-facetados.
desde seu polêmico projeto no início dos anos 80, conseguiu ampliar seu público e sua relevância. note-se que esse público é formado, também, por quem a odeia.

num desses lampejos, a ilustrada que tem como um de seus carros-chefes a sessão de quadrinhos, resolveu dar espaço a um time de cartunistas mulheres lá por meados de 2013.
sempre é bom que novos espaços sejam conquistados mas esse negócio de segregar mulheres num canto especial acaba sempre por cheirar meio mal.
como diz um amigo, se vc precisa de um dia comemorativo é porque as coisas não vão bem.
depois, jornal é uma experiência diária. publicar uma vez por semana ou uma vez a cada 15 dias não cria comprometimento do cartunista com o jornal nem com o leitor. e o jornal e o leitor também não se sentem cúmplices dele. o mesmo acontece com a ilustração que trabalha com o material quente do dia.
colunistas, em geral, passam a semana remoendo qual vai ser o assunto que vão abordar e como. é diferente.
no caso dos quadrinistas e chargistas, a liga é dada pelo convívio diário e pela possibilidade de experimentações, de construção de personagens, etc.
portanto, a meu ver, as meninas tinham esses dois problemas para contornar: estarem sozinhas num canto e publicando pouco.
olhando por outro viés, é importante que cartunistas mulheres conquistem espaços e sejam inseridas num mercado ainda predominantemente masculino.
essa conquista já aconteceu na literatura infantil, por exemplo, onde mulheres vêm se despontando e produzindo verdadeiras joias visuais já faz muito tempo.

a imprensa é um órgão mutante e é bom que seja assim. o que devemos considerar é qual tipo de opção fazer para que a roda não crie limo.
no caso das meninas, mesmo com altos e baixos, o espaço era importante porque algumas delas poderiam passar a colaborar na edição diária, seja na sessão de quadrinhos ou de charges.
mas não. o que se faz é dispensá-las por telefone (sim, a folha não usa mais telegramas) e colocar no lugar… tcham-tcham-tchaaaaam!… sim, um espaço para novatos!
a folha adora novatos! e aqui não tem nenhuma ironia.
ela sempre deu chances para o sanguinho novo e aparecerão trabalhos ótimos, com certeza.
mas, veja bem, houve um tempo em que se um sujeito publicasse uma vinheta em suas páginas, poderia colocar isso em seu portifolio tranquilamente. todo mundo via seu desenho lá e isso contava.
hoje o artista pode fazer um desenho de página inteira que o silêncio continuará imperando e isso é péssimo para o jornal e para aqueles, que como eu, adoram e acompanham a imprensa diária.

a ilustrada dá espaço para uma garotada que já aprendeu a se divulgar por si própria. todos têm um site, um blog, participam de coletivos, se auto-publicam. não dependem mais da imprensa, muito menos da grande imprensa que os publicará esporadicamente.
é importante publicar, aparecer, se divulgar, ter seu desenho estampado num jornal? não vou ser eu que vou dizer que não mas num momento dramático para o jornal, se comportar como um fanzine dos anos 70 não parece ser a saída mais adequada para sua crise, nem para fortalecer seus colaboradores, nem para alavancar novos talentos.