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humor latino americano se encontra no memorial em são paulo
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a américa latina volta a se encontrar. pelo menos no humor.
nesta terça, 19, será aberto o 1º salão latino-americano de humor com o tema “sons da américa latina'' no memorial da américa latina e com curadoria e organização do cartunista e jornalista jal e de gualberto costa. o apoio é da associação dos cartunistas do brasil.
150 dos 800 trabalhos enviados por cartunistas de 47 países estarão expostos e outros 650 serão projetados ininterruptamente.
o premiado, escolhido pelos 150 selecionados receberá um prêmio de R$12.000,00.
na abertura haverá um debate sobre o humor na américa latina com a cartunista argentina ana von reuber que também terá uma exposição paralela.
abaixo, entrevista com jal:

blogdoorlando – o brasil já teve estreitas ligações com as artes gráficas e o cartum de humor de outros países da américa latina, especialmente argentina e uruguai. quando e por que isso se perdeu?
Jal – Acho que nunca se encontrou. o que havia era um certo conhecer entre os próprios artistas mas não pela população. Temos uma barreira incrível na América Latina que não se explica. Por exemplo, a língua diferente entre Brasil e os outros países do continente sempre foi colocada como obstáculo a essa integração. Mentira. O espanhol e o português são línguas parecidas e todos se entendem. A tradução é mais fácil do que em inglês e temos mais livros traduzidos do inglês que o espanhol. Falta vontade política e cultural.

desenho de carvall

desenho de carvall

blogdoorlando – o salão é uma tentativa de recuperar esse elo perdido?
Jal – É uma afirmação que parece supervalorizando o humor gráfico além de suas condições mas tem uma verdade. Creio que o humor gráfico pode ser a ponte para a integração continental. É de simples e rápido entendimento. Por essa razão pode ser disseminado com maior funcionalidade no diálogo dos povos.

blogdoorlando – salões são importantes como troca de experiências e visões mas também tem sido uma alternativa para artistas de países em que o mercado não tem tantos espaços para se publicar. como vc vê isso?
Jal – Acho que no mundo inteiro a mídia vem reduzindo os espaços para o humor gráfico. Pode ver que poucos jornais e revistas de humor são publicados. Livros de caricaturas então nem se fala. Por isso os salões precisam ser um ponto de referência não só pelo oba-oba da competição, mas para expor com maior força todo o conjunto de cartuns e não apenas os poucos vencedores. Os Salões de Humor começaram com força há mais de 50 anos e o formato não teve mudanças acompanhando a evolução da mídia. Por isso resolvemos avançar um pouco mais na proposta com a ideia de colocar todos os trabalhos enviados na exposição. isso dá uma transparência e valoriza até desenhistas com poucas possibilidades de serem selecionados por estarem ainda no inicio de um processo. Mas alavanca esse processo mais rapidamente e aumenta o senso de responsabilidade de cada um pois o trabalho será exposto com certeza. E para isso foi uma solução simples. os 150 finalistas são impressos e os outros são projetados em looping com nome e país dos desenhistas. Todos salões poderiam fazer isso quase sem custo.

bonil

blogdoorlando – apesar de o tema ser estritamente sulamericano, artistas de outros países puderam participar. qual o resultado?
Jal – Confesso que fiquei apreensivo com o tema pois é mais dificil conseguir novos cartuns com tema fechado do que com tema aberto. Reduz o número de participantes que precisam realmente parar, pesquisar, pensar e produzir. Enquanto o tema aberto ou tema fácil quase todos já tem na gaveta para enviar. Mas colocamos no site uma seleção de pesquisas que puderam ajudar aos cartunistas nesse processo. Realmente os de países como Ucrânia, China, Indonésia, Irã entre outros enviavam em sua maioria trabalhos sobre música e esqueciam sobre o tema América-Latina. mas procuramos avisá-los e muitos voltaram a fazer o tema correto. Foi um acompanhamento dia-a-dia para que tudo desse certo. Enfim foram 47 países participantes. Assim o resultado foi muito bom. Se houvesse espaço poderíamos ter selecionado mais um 50 além dos 150 finalistas. Mas o mais importante é que de certa forma conseguimos nosso intento de propagar os temas sobre a nossa América Latina.

blogdoorlando – outra coisa interessante é que o vencedor será escolhido pelos 150 finalistas. como será feito isso?
o escolhido será anunciado somente no dia?
Jal – Pois é! Estamos também propondo que os salões comecem a se utilizar dessa votação democrática. Os 150 selecionados votam entre si para escolherem o que ganha os R$ 12.000,00 do prêmio. Apenas um ou dois cartunistas de fora do Brasil reclamaram que esse processo, como tem maior participação de brasileiros, quase que obriga a que um brasileiro seja o mais votado. Explicamos que esse tipo de votação já vem sendo testado por 5 anos nas flashexpo que organizo. Uma delas foi no próprio Memorial da América Latina homenageando Gabriel Garcia Marquez. Foram muitos cartuns de brasileiros e mais outros em menor número vindos de fora do país. O vencedor foi um cartunista espanhol. Resolve vários problemas que vivem acontecendo nos salões. Se o desenhista reclama quando há um juri de personalidades que não entendem direito da linguagem, ou que são sempre os mesmos e se identificam com uma panelinha, com nosso jeito não há como reclamar pois está sendo julgado pelos seus pares de trabalho. Se há desenhistas hoje no mundo que vivem copiando ideias de outros para enviarem aos salões e fica muito dificil do juri conhecer se é cópia mesmo, nesse procedimento o cartunista pensará duas vezes antes de mandar um trabalho chupado de outro. Ele estará diante de muitos juizes cartunistas de diversos países e pode virar um mico internacional. Isso é sério porque foram descobertos alguns cartunistas chupões que ganharam prêmio em salões internacionais. Isso além de que o cartunista indo pro outro lado do balcão começa a ter uma auto-crítica maior pois também está julgando com direito a voto. E para terminar, todos os votos de quem votou em quem é divulgado aos votantes no final. Isso inibe que haja troca de votos entre amigos, por exemplo, porque ficará muito evidente entre todos e pode fazer com que percam votos futuramente por essa jogada.

desenho de pepe sanmartin

desenho de pepe sanmartin

blogdoorlando – como surgiu a parceria com o memorial da américa latina?
Jal – Começou quando o jornalista Gonçalo Junior trabalhava na assessoria de imprensa do Memorial e deu a ideia de fazermos uma exposição logo que o Oscar Niemeyer faleceu em homenagem á ele. Como o arquiteto criador do projeto do Memorial estava para fazer 105 anos, a ideia foi conseguir 105 caricaturas dele em pouco tempo. O presidente do memorial, João Batista de Andrade apoiou de imediato e conseguimos uma bela exposição. Ele faleceu no dia 5 de dezembro e uma semana depois a exposição já estava montada. Depois disso já tivemos mais 4 exposições montadas no memorial – “Sansão também faz 50 anos''(50 anos da Mônica), “Gabriel Garcia Marquez'', “50 anos de novelas da Globo'' e “Chaves''.

blogdoorlando – existem outros parceiros que viabilizaram o evento?
Jal – A ideia do evento já tem alguns anos, mas só houve um sinal verde em agosto do ano passado. Assim o Memorial está bancando toda a base e conseguimos organizar com pouco tempo. O único apoio de fora foi da Premium Travel, uma agência de turismo que patrocina a vinda da Ana Von Rebeur. O maior apoio é a equipe que o Memorial tem trabalhando nos bastidores de tantos eventos como vem acontecendo.

blogdoorlando – esse é o primeiro de vários?
Jal – Pelo sucesso que vem conseguindo e pela estrutura e localização do Memorial que estão sendo muito bem aproveitadas pela atual diretoria creio que o segundo salão já está assegurado. E com muitas outras novas ideias para que possamos mostrar que os salões podem voltar a ser o ponto de convergência entre o cartunista e seu público com a força de quando foram criados.

 

ana

 

Serviço:

 

Data: 19 de abril a 22 de maio de 2016

Abertura: 19 de abril, às 19h30 – Debate sobre o Humor Gráfico na América Latina – com Ana Von Rebeur (cartunista e escritora argentina)

Horário: de terça a domingo, das 9 às 18 horas

Local: Salão de Atos Tiradentes – Memorial da América Latina

Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 (ao lado da Estação Barra Funda)

Entrada gratuita

Faixa etária: livre

Informações: www.salaolatinoamericanodehumor.com

Site: www.memorial.org.br

Visita monitorada: Não

Ar condicionado: Sim

Acesso para deficientes: Sim

Área para fumantes: Sim

Wi-fi: Sim

Estacionamento: Sim (Portão 4 – R$ 20/período)

Apoio: agência Premium Travel

 


de que lado a imprensa está? não do nosso, parece.
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Orlando

Veja

 

a revista veja desta semana nos trouxe, além da capa falando sobre a troca de mensagens entre empreiteiros que cuidaram das reformas do apartamento e do sítio do “chefe e da madame”, um editorial com o título “de que lado está a veja?”.
o texto mostra o quanto as pessoas detestam a revista por ela ser de direita, de esquerda, radical ou moderada conforme avaliação de seus leitores ou detratores.
defende que sua linha editorial é pautada pela missão de informar, noticiar fatos e que tem só um lado: a defesa intransigente do brasil.
para ilustrar o texto, numa livre leitura de uma campanha publicitária dos anos 90, conclui: “incrível que seja a maior revista do país, mesmo desagradando tanta gente.”

bem, desagradar tanta gente tem sido a missão de boa parte da imprensa seja ela a mídia golpista ou blogs alternativos. em tempos em que todo mundo desagrada todo mundo, o noticiário tem feito sua parte.
mas eu sou um romântico e fico sempre tentando achar o lado positivo das coisas.
na contra-mão, assino publicações, tenho conta na banca na esquina de casa, assisto a jornais de tv e pulo de canal em canal na internet para entender essa pluraridade.
vou sempre defender os jornalistas que passam meses em cima de uma única pauta esmiuçando documentos, procurando pelo faro onde é que está a ponta do nó. e isso só é possível estando ligado a um grande órgão que banque esse tempo todo de investigação.
vou defender aqueles que têm fontes – geralmente profissionais que se desligaram dos jornalões – e que continuam tendo acesso aos bastidores.
e vou defender uma garotada que vai na base da guerrilha formar barricadas e captar o outro lado com câmeras digitais no meio de conflitos urbanos, por exemplo.

mas, voltando à veja desta semana, minha expectativa era como ela trataria o caso fhc.
não quero notícias sobre o filho, não quero ponderações sobre as declarações de mirian dutra, nem se ela passou apuro nem como era sua relação com o ex-presidente.
tudo o que eu esperava era que a revista colocasse na pauta que o dinheiro enviado a ela ou ao filho talvez tivesse trilhado esquemas da brasif de forma ilegal e que isso deveria ser investigado.
ao contrário do que diz o editorial, a revista não zelou por sua missão de informar. sobre fhc nenhuma linha. nada, zero.
se bato palmas para as matérias investigativas (ah, agora vou escutar aquele blablablá infinito de que a veja não faz jornalismo, coisas da mídia golpista e o escambau…) me vejo na obrigação de me sentir lesado pela promessa não cumprida.
quem é o joão santana da veja? quem é esse marqueteiro que escreve um editorial desse querendo vender honestidade quando suas páginas refletem exatamente o contrário.
fhc pode ser inocente. lula, dilma, cunha, maluf, todos podem ser inocentes mas a imprensa, mais do que a vocação, tem obrigação de duvidar e ir atrás.

admiro os profissionais que passam meses mergulhados em pautas seguindo pistas e unindo pontos. admiro a imprensa que investe grana e paciência atrás de furos.
cabe aos editores – e aqui falamos de todos eles – fazer esse dinheiro empenhado valer trazendo luz aos fatos e reconquistando uma credibilidade que se esvai pelo ralo.

na pior das hipóteses, se não houver nada o que fazer, evitar certo tipo de editorial numa edição que, publicamente, lhe desmente.

 

 

 

 

 

 

 


gabriel bá oferece curso de narrativa visual em seu estúdio em são paulo
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Orlando

Ba 72

foto: fábio moon

gabriel bá dispensa apresentações. ele e seu irmão, fábio moon, são os quadrinistas brasileiros mais bem sucedidos do país tanto em vendas, como em prêmios e reconhecimento no brasil e no exterior.
se descola agora um pouco do irmão gêmeo e promove, sozinho, um curso que pretende se aprofundar na técnica e nos segredos da narrativa dos quadrinhos. é um curso longo – 6 meses – para iniciados, gente que já publica ou se auto edita.
num país em que todo mundo é obrigado a aprender tudo sozinho, o curso não deixa de ser uma baita oportunidade para um mergulho dentro da própria produção.
abaixo, entrevista com o p'sor:

 

blogdoorlando – a garotada brasileira sempre produziu muito quadrinho mas parece que agora há um bum nessa produção. como vc está vendo esse cenário?
Gabriel Bá – São vários fatores para essa explosão de novos talentos e de publicações. Em primeiro lugar, ficou mais fácil e mais barato imprimir uma revista independente. Ainda mais com ferramentas como o Catarse, de financiamento coletivo, o autor nem precisa mais ter a grana pra pagar a gráfica. Depois tem os festivais e eventos como FIQ, CCXP, Feira Plana, que têm possibilitado que os autores encontrem seu público e vendam suas revistas, o que tem dado uma energia boa para todo mundo. E por último tem a internet, que ajuda de várias maneiras. Ela serve pra conectar os autores que antes viviam isolados, cada um na sua casa, na sua cidade. Hoje eles conversam, discutem. Esse sentimento de comunidade é muito bom e ajuda os autores a continuarem produzindo. A internet também ajudou o povo a descobrir mais trabalhos diferentes, ganhar mais repertório. A nova geração é informada, conectada. Isso gera uma pluralidade maior de trabalhos, quando antes tudo era muito igual, pois todo mundo só via as mesmas coisas. E tem muita gente que publica direto na internet, faz webcomics e tiras, trabalhos que podem ser vistos no mundo inteiro. Tudo isso é resultado do autor tendo contato com o público. Existe público para os Quadrinhos no Brasil. O público apoia os Catarses, o público lota os eventos e compra as revistas, o público curte e compartilha as coisas na internet.

blogdoorlando – o quanto vc consegue acompanhar dessa produção toda?
Gabriel Bá – Muito pouco. Há uns 10 anos, eu ia num evento de Quadrinhos e conhecia todo mundo que estava produzindo. Isso não acontece mais. É muita gente, muitos trabalhos diferentes. Eu leio notícias, me interesso por uma coisa aqui e ali, mas só vou procurar mesmo quando vou num evento. Se não estiver ali, fica difícil. Tem muita coisa na internet que eu não vejo, não sou leitor de webcomics, gosto de papel, revista, virada de página. O Nunes traz algumas coisas novas pro estúdio e a gente olha, lê, discute, mas mesmo assim tem muito mais que eu não estou vendo.

blogdoorlando – aliás, o que vc tem lido que gostaria de destacar?
Gabriel Bá – As Aventuras da Ilha do Tesouro, do Pedro Cobiaco, é uma fantasia bem criativa e tem uma vitalidade que só aos 20 anos você consegue, mas com uma sensibilidade muito grande. O próprio Dodô, do Nunes, também tem muita sensibilidade pra pouca idade dele. Foi um avanço do KLAUS, tanto na narrativa quanto no desenho. Gosto do trabalho do Edu Medeiros e achei o Open Bar bem engraçado. E o Talco de Vidro, do Quintanilha, é tenso e muito bem contado, apesar de achar que o texto funciona sozinho, muito desprendido das imagens. Mas só aí já se vê como eu li pouca coisa. Tem muito mais sendo feito, coisas que até tenho curiosidade, mas ainda não consegui ler.

blogdoorlando – o que vc achou da premiação do quintanilha?
Gabriel Bá – O Tungstênio é muito bom. A qualidade narrativa é muito superior ao que se produz aqui no Brasil normalmente, mais apurada. E é uma história diferente, num gênero pouco explorado por aqui, o das histórias policiais. Gênero que os franceses adoram. E não é uma HQ policial convencional, o que ajudou a destacá-la por lá. Acho importante para ele e sua carreira internacional, como autor (não só desenhista), e acho importante pro autor nacional ver que é possível chegar lá, ter reconhecimento no mercado francês. Da mesma forma que ganhar o Eisner incentivou muita gente a acreditar no próprio trabalho, um prêmio em Angoulême aponta pra outras possibilidades. O mercado francês é enorme e ser publicado lá é uma grande janela para o trabalho.

blogdoorlando – a idéia de um curso longo de roteiro vem por vc ver falhas na construção dessas histórias?
Gabriel Bá – O curso não é só de roteiro, é de narrativa visual em Quadrinhos, um nome chique pra não dizer só Quadrinhos. Mas sim, muitas HQs têm falhas no roteiro, ou são fracas. Falta profundidade, aprimorar a linguagem. Pra isso precisa de tempo. Por isso um curso de 6 meses. Poder discutir o roteiro com outras pessoas, analisar a história que se quer contar e se ela está sendo contada da melhor maneira, é uma oportunidade que um autor sozinho não tem e que pode ajudar muito seu trabalho. Pensar um pouco mais antes de usar sempre a primeira ideia que vem à cabeça.

blogdoorlando – como vai funcionar o curso e a quem, exatamente, ele se destina?
Gabriel Bá – O curso funciona em algumas camadas. Tem uma parte mais tradicional do curso onde eu vou aprofundar algumas técnicas, dar exercícios, mostrar exemplos em outros trabalhos, coisas diferentes que os alunos podem não ter visto ainda. Numa segunda camada, vamos trabalhar em cima do projeto pessoal de cada aluno. Discussões práticas sobre problemas reais de cada projeto, buscando soluções, apontando caminhos e acompanhando a evolução de cada trabalho. Esse é um dos motivos do curso ter 6 meses, pois nada acontece da noite pro dia e demora muito pra produzir uma HQ. Pra conseguir um resultado real, é preciso tempo e dedicação. Quando estiver chegando no final do curso, vamos lidar com questões práticas de gráfica, edição, participação do autor nos eventos e possibilidades no mercado nacional e internacional. O ideal é que todos os alunos cheguem no fim do curso com uma revista nova pronta.
Não gosto de falar em “Quadrinistas profissionais'', pois meu critério de profissional é mais apurado e acho complicado categorizar assim, uma vez que quase todo mundo faz outra coisa pra viver, mas é um curso voltado pra quem produz Quadrinhos no Brasil.

blogdoorlando – quais os pré-requisitos exigidos?
Gabriel Bá – É um curso para maiores de 18 anos e, em primeiro lugar, precisam já fazer Quadrinhos. Não é um curso pra introduzir a linguagem, para iniciantes, mas para aqueles que já produzem, já se depararam com os problemas práticos da profissão, para que eles possam se aprofundar e aprimorar o trabalho. O aluno precisa já ter trabalho publicado, mesmo que seja auto-publicação (os independentes são maioria esmagadora dos autores nacionais), pra ter passado já pelo processo inteiro, da criação ao produto final pronto. Se trabalhar com webcomics, precisa de produção constante nos últimos dois anos, pra mostrar que tem comprometimento, dedicação e regularidade. E eu faço uma avaliação dos trabalhos que os alunos mandam. Como mencionei antes, não é um curso básico e eu busco autores que já tenham um trabalho mais desenvolvido.

blogdoorlando – como fazer para se inscrever?
Gabriel Bá – Todas as informações, com datas, horários e custos, estão na página do curso no Facebook (https://www.facebook.com/cursos10paezinhos/). O curso começa dia 1º de Março e os interessados devem enviar uma mensagem para a página ou um email para cursos10apezinhos@gmail.com com as seguintes informações:

NOME:
IDADE:
ESCOLARIDADE:
TRABALHOS ANTERIORES:
EMAIL:
SITE/ BLOG/ FACEBOOK/ ETC:

 

 

serviço:
DURAÇÃO: 6 meses, divido em dois módulos de 3 meses.

MÓDULO 1

Terças, das 20h às 22h (início: 1º de Março/ término: 31 de Maio) – 14 aulas

MÓDULO 2

Terças, das 20h às 22h (início: 2 de Agosto/ término: 25 de Outubro) – 13 aulas

VAGAS

– 10 vagas

QUANTO
Mensalidade: 6 parcelas de R$ 300
Os pagamentos são feitos da seguinte maneira:

R$300 na inscrição do curso;

R$300 no primeiro dia de aula (1º de Março);

R$300 dia 19 de Abril;

R$300 dia 31 de Maio

R$300 dia 2 de Agosto

R$300 dia 20 de Setembro

Todo o material do aluno deverá ser providenciado por ele, de acordo com necessidades de seu trabalho pessoal.

LOCAL E CONTATO
O curso será realizado no estúdio 10 Pãezinhos, próximo ao metrô Vila Madalena, em São Paulo.

 

 

 

 

 

 

 

 


rogério soud mostra a cara de amigos em exposição
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Orlando

rogério soud usa um programa chamado painter. ele, muitas vezes, irrita tamanha a capacidade de explorar o programa, seus nuances e texturas.
muito dessa percepção vem das experiências que faz com tinta sobre tela, com colagens e um olhar aguçado.
do retrato à caricatura, da caricatura ao retrato soud mergulha seus pincéis numa paleta de cores muito particular que não tem medo de colocar rosa com verde, roxo com azul.
o resultado de parte dessas pesquisas é a exposição a cara dos amigos que abre nesta quinta, 18, na galeria ornitorrinco em são paulo.
abaixo, entrevista com rogério:

Capa Soud

blogdoorlando – como surgiu a ideia de uma exposição com retratos de amigos?
Soud – A ideia surgiu a partir de uma grande vontade minha de pintar retratos dentro de um estilo que venho desenvolvendo, que chamo de realismo impressionista. A ideia acabou evoluindo para o projeto de uma exposição e um catálogo. Então, imaginei que alguns amigos que trabalham no meio editorial – entre escritores, diretores de arte, ilustradores e designers – poderiam gostar da proposta e participar com um investimento que me permitisse viabilizar os custos de produção, de gráfica e de galeria. Uma espécie de crowdfunding entre amigos.

detalhe do retrato de luciana paixão

detalhe do retrato de luciana paixão

blogdoorlando – a primeira ideia era fazer com selfies, não era?
Soud – Sim! Eu quis produzir as pinturas a partir de referências de fotos de selfies, aquelas em que as pessoas costumam fazer “caras e bocas''. Alguns amigos curtiram a brincadeira, outros se sentiram mais tímidos com as tais expressões e me forneceram poses mais tradicionais, o que acabou dando um equilíbrio bacana ao conjunto da obra.

detalhe do retrato de baptistão

detalhe do retrato de baptistão

blogdoorlando – que técnicas vc usou?
Soud – Usei tinta acrílica sobre tela, buscando dar mais atenção às fusões de texturas e cores e menos aos detalhes.

detalhe de bruno porto

detalhe de bruno porto

blogdoorlando – vc mistura técnicas e o retrato flerta com a caricatura…
Soud – Eu gosto de explorar vários materiais na pintura – o que acaba resultando em uma técnica ou estilo, não sei bem – e gosto também de flertar com a caricatura ou “desconstruir'' as formas, como prefiro dizer. Mas no caso do projeto A cara dos Amigos o exercício foi o de ser fiel aos rostos originais e “soltar'' a mão na pintura em si.

detalhe do retrato de marcelo martinez

detalhe do retrato de marcelo martinez

blogdoorlando – de que forma a técnica de pintura tradicional te auxilia no trabalho digital?
Soud – De todas as formas. O domínio da pintura tradicional é o alicerce de tudo que faço digitalmente.

blogdoorlando – vc tem se dedicado a pesquisas e trabalhos pessoais. já tem outro projeto em mente?
Soud – As ideias e a vontade de pintar não param e já tenho planos para uma nova série de quadros cujo tema será a figura humana, projeto em que darei uma interpretação mais pessoal às formas.

 

serviço:

exposição A cara dos amigos
abertura: quinta-feira, 18/02, às 19h00
Galeria Ornitorrinco
Avenida Pompeia, 520
Pompeia – São Paulo
catálogo: R$35