Blog do Orlando

alguém diria je suis chico caruso no dia de hoje?
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Orlando

caruso 1

fora o panelaço ontem durante o discurso da presidente dilma à nação, talvez o assunto que tenha mais rendido na rede foi a charge de chico caruso publicada no dia 8, sábado.
surpreendente a quantidade de leituras, o que demonstra o estado de guerra em que estamos. fumaça e gases cobrindo nossos olhos.
a unanimidade é a de que a charge é incômoda.
há muito o trabalho de chico caruso parece ter se esgotado, girando em torno de si mesmo e das mesmas e batidas fórmulas que o consagraram nos anos 80 e 90. nesse período entrávamos na nova república com tancredo neves, sarney, itamar, collor, depois de ele ter se esbaldado com joão figueiredo, delfim e afins.
bons tempos.
o olhar viciado, as soluções fáceis estacionaram seu talento. ele ainda desenha muito mas de forma preguiçosa, como um aposentado que cumpre seu dever, pega o chapéu e vai pra casa.

bem, mas voltando à charge, me parece claro que a intenção era mostrar o quanto a presidente dilma está refém de uma situação.
se em uma ela está prestes a ser cozida por renan e cunha, na outra está com a faca no pescoço ameaçada por um radical.
nas duas situações ele propõe negociar.
acho que são leituras simples, diretas e, convenhamos, reais.
desde collor um presidente da nação não está tão pressionado pela opinião pública, pelo congresso e, sim, pela imprensa.

nesse ponto, temos todo tipo de teorias da conspiração.
chico caruso publica no globo e apresenta suas charges inanimadas na tv globo.
sim, e daí?
qual o alcance popular que elas podem ter?
lembrar que delfim neto colecionava suas charges e as emoldurava já nos anos 70.
charge nunca derrubou governo nem mudou o mundo.

outra grita foi a de que a charge foi publicada no dia da mulher.
péra! em outro dia poderia?
se fosse um presidente do sexo masculino estaria tudo bem?
e se fosse o alckmin não teria problema?
dilma está lá porque é a presidente da nação.
ah, mas se fosse o fhc ele não faria.
tenho livros e recortes com desenhos que provam o contrário.
o chargista trabalha com os atores do momento e ela, dilma, é a bola da vez.
o tranquilo itamar talvez tenha sido um dos presidentes mais sacaneados em charges e cartuns e saiu ileso.
a diferença é que ele tinha bom humor.
e teve o collor
chico caruso já tinha errado feio no episódio da boate kiss, em santa maria, rio grande do sul.

Chico Caruso 3

mas, como desenhista, o que me chama mais a atenção é que até antes de ontem todos “éramos charlie!”.
defendemos a liberdade de expressão e o direitos dos mártires franceses terem se manifestado mesmo que com opiniões grosseiras.
ficamos estupefatos pela polarização que acontece na europa e com o massacre de homens de imprensa do mundo livre.
eu não disse que sou charlie e não vou dizer agora que sou chico mas ainda acredito que a liberdade deva ser direito do cidadão, do artista, do político ou da fé.
a liberdade é direito, saber falar sobre ela é dever.

 

 

 

 

 

 


leo gibran lança seu kebab hoje em são paulo
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Orlando

Screen Shot 2015-03-04 at 12.43.10 PM

tenho um apreço especial por gente que gosta de desenhar. tenho um apreço mais que especial por gente que gosta de desenhar e faz isso bem.
tive a oportunidade de ver o leo gibran com seus caderninhos e coleções de canetas rabiscando em eventos e encontros de cartunistas e nunca deixei de me impressionar com o traço solto, a precisão da tinta no papel e a expressão que ele consegue impor a seus personagens.
leo trabalha, basicamente, com publicidade. isso quer dizer que ele tem uma agenda rígida de produção com breafings, limites e prazos.
é nos sketchbooks que seu talento e poder narrativo acontece.
kebab, livro que é lançado hoje na galeria ornitorrinco é, como ele diz, um bife em cima do outro só que temperado com talento e sensibilidade.
dessa cozinha sai mais que um churrasquinho grego. sai uma refeição completa.
abaixo, entrevista com o cozinheiro:

blogdoorlando – além de comida, o que é o kebab?
Leo Gibran - Kebab é um livro que estou lançando hoje.
A ideia do livro e o nome já vinham remoendo na minha cabeça faz algum tempo. Minha ideia era fazer com alguns dos meus desenhos uma espécie de churrasco grego. Amontoar uma série de coisas pra fazer virar uma maior.

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blogdoorlando – vc tem ascendência libanesa?
Leo Gibran – Meu avô materno era filho de libaneses. Fugiu da tradição do casamento arranjado e se casou com minha vó, baiana. Então pode se dizer que a minha ascendência já veio mais apimentada lá de cima, hehe. Juntamos com português de origem galega, por parte de pai e temos mais um brasileiro.
Mas tenho sim. Tenho, inclusive, um parentesco com o Kahlil Gibran, o único Gibran famoso da história.

blogdoorlando – vc é um sketchbooker fanático, pelo que vejo. qual sua relação com esses caderninhos?
Leo Gibran - Na verdade, eu desenho o dia todo na frente do computador. Os meus trabalhos “de verdade” saem quase que exclusivamente de um tablet. Os cadernos são meu escape. É como se, de alguma forma, eu voltasse ao mundo real, saísse da matrix. Ou fizesse uma ponte de transição. Meu dia normalmente começa com uma leitura de emails e uma passeada pelas redes sociais. Nessa hora já vai rolando um “esquenta” no caderno enquanto vou passeando pela vergonha alheia, olhando notícias pouco importantes ou fotos de gatinho. É onde o real e o virtual vão se mesclando.
A vantagem de usar um caderno ao invés de folhas soltas é que ele mantém tudo junto, eu não perco desenhos e ele mantém pra mim uma ordem cronológica. Mas eu realmente tenho uma relação meio compulsiva com eles e uma relação meio doentia com canetas, também. Sempre tem pelo menos um caderno e uma caneta comigo, aí eu posso desenhar no metrô, na mesa do bar, no parque, na rua ou onde estiver. De qualquer maneira, os cadernos servem como local de estudo, lazer, terapia, registro, diário…

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blogdoorlando – muita gente, hoje, usa o sketchbook como portifólio…
Leo Gibran - Com certeza. Eu mesmo faço muito. No caderno, muitas vezes a gente vê nosso trabalho mais puro. É aquele trabalho realmente pessoal, sem cliente, mais sincero, como no canteiro de abóboras do Linus.
Hoje em dia não existe pra mim uma divisão muito clara entre o sketch e o desenho. Eu gosto muito de desenhar sem rascunho, experimentar, mudar de ideia no meio do caminho, tomar rumos diferentes. Então no meu caderno acabam aparecendo desenhos bons, desenhos ruins, alguns desenhos inacabados, mas não se vê muito sketch, não nesse sentido de rascunho. Lápis? Coisa rara. Então é naturalmente uma “coleção de desenhos”.
Algumas pessoas exageram. Transformam o caderno em um objeto sagrado, que não pode ser maculado por um desenho ruim. Arrancam folhas “feias”, etc. Eu já gosto de pensar nele como registro. Das coisa boas e das ruins. E eu tento datar tudo também. É como uma série de livros de registro num cartório pessoal. Então eu até uso como portfólio, mas tem muita coisa que não gosto lá, que preferia esconder às vezes.

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blogdoorlando – o quanto vc usa dessas experiências no seu trabalho profissional?
Leo Gibran - Eu acredito que tudo que existe é referência e toda vivência é repertório. A gente nunca sabe de onde vai tirar alguma ideia ou alguma solução gráfica. Com certeza sai muita coisa do caderno. Já que é por lá que eu deixo registrado uma boa parte das minhas experiências, é natural que eu acabe recorrendo a ele pra extrair alguma ideia. As vezes tá lá pronta, as vezes um embrião. Esse livro é um exemplo disso, já que a maior parte dos desenhos saiu dos cadernos.

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blogdoorlando – vc usa também sketchbooks digitais, como ipad, tablete ou smartphones?
Leo Gibran – Não. Nunca usei. Deixo o digital para os clientes. Nessa hora quero mesmo é contato físico com papel, com a tinta, sujar a mão, sentir cheiros e texturas. Prefiro fugir desse assepticismo digital.

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blogdoorlando – a maior parte dos textos do livro são em inglês. por que?
Leo Gibran - What?
Sabe que nem tinha reparado. Eu desenho bastante ouvindo música, vendo filmes, seriados… Os textos que acabam aparecendo nos meus cadernos vem, na maior parte, daí. De uma frase que escutei ou um trecho de música que eu estava ouvindo, e eu ouço muito pouco de música brasileira. Pra esse livro especificamente eu não escrevi nada. As imagens foram tiradas de cadernos ou desenhos soltos e eu só empilhei no espeto de maneira para tentar dar algum sentido. Pelo menos na minha cabeça… Os textos vieram junto.

 

serviço:

kebab, de leo gibran
15x15cm, 48pg de miolo, capa dura, colorido, autopublicado
lançamento, 05.03.2015
galeria ornitorrinco
av. pompéia, 520
R$28

 

 

 

 

 

 

 

 


hoje tem suruba? tem, sim senhor!
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Orlando

flyer suruba

bebel abreu, já faz alguns anos, está à frente de alguns dos eventos mais importantes na área da ilustração e do design no brasil. ilustradores têm doces lembranças do ilustrando em revista e fotografia em revista, exposições que aconteceram na galeria da faap, ainda quando trabalhava na editora abril.
sócia da mandacaru design, desenvolve ao lado de sua irmã manaira projetos como a exposição de cartazes do alemão pierre mendell, a bienal de design ou a magia do simples, de colheres de bambu fabricadas por seu pai álvaro.
mordida pelo bicho carpinteiro, criou a bebel books, editora que atua nas feiras alternativas com publicações de pequena tiragem e alto teor de adrenalina como é o caso do suruba para colorir, divertido encontro de ilustradores que se entregaram de peito aberto na produção de dois volumes em preto e branco de finos e inusitados bacanais.
a coleção tem prefácio do jornalista xico sá.
abaixo entrevista com nossa editora.

blogdoorlando – a bebelbooks é um braço da mandacaru ou são independentes?
Bebel Abreu – Em teoria são independentes, mas com o furacão do Suruba pra colorir confesso que tenho ficado bastante por conta disso durante o serviço. Já ganhei até pito da sócia, rs. Mas tem muitas vezes que trabalho fora do horário pra Mandacaru, então tá tudo certo!

blogdoorlando – como vc vê o cenário dos independentes? é um espaço de resistência?
Bebel Abreu - É um espaço de experimentação e liberdade. Geralmente as tiragens são baixas, e o risco comercial é pequeno – com isso autores e editores podem voar mais e publicar livros mais autorais e livres.

 

laerte

laerte

blogdoorlando – feiras de independentes estão pipocando em todo os lugares… é possível ele, o independente, se tornar profissional e dar grana?
Bebel Abreu - Hum, fiz as contas da Bebel Books outro dia e ela se revelou sustentável: paguei o que produzi, entreguei o reparte dos autores (eles ficam com 1/3 da tiragem), sobrou um trocado e ainda tenho estoque pra vender. Mas ainda não seria possível viver da editora, a escala é sempre muito pequena – Suruba para colorir é nossa primeira publicação em offset, tiramos 1800 e está tendo boa saída, então pode ser que eu te responda diferente daqui a algum tempo.

ale kalko

ale kalko

blogdoorlando – meio na contramão, muita gente quer ver seu trabalho impresso no papel. o digital se esgotou?
Bebel Abreu - Tem mesmo esse retorno ao manual, ao feito à mão, ao impresso – tudo em contrapartida aos muitos gadgets, second screens etc. Mas acho que tem espaço pra tudo.

 

feppa rodrigues

feppa rodrigues

blogdoorlando – vc está lançando o suruba para colorir. de onde veio a idéia?
Bebel Abreu - De um jantar no Rio. Estava contando sobre a caretice generalizada e da nossa série É bom para o moral, do Zé. Otávio, que traz combinações variadas de encontros sexuais: só meninas, meninos e meninas e só meninos. Falei do papel educativo dessa coleção, do estímulo à tolerância (cada um dá o que tem a quem bem entender e não encha o saco do coleguinha), da inspiração para que todos transem mais. Falava desse caráter didático da coleção quando alguém falou: Ah e podia ter esses livros pra colorir! E outro: ia ser um sucesso, talvez com mais gente! E então surgiu: Suruba para colorir.
Isso aconteceu na ressaca das eleições, com tanta gente falando besteira e se agredindo, eu queria mais é que as pessoas transassem mais e deixassem de ser tão chatas. Cada um com sua bandeira: esse livro é meu manifesto pela leveza e pela alegria.

índio san

índio san

blogdoorlando – como foram escolhidos os participantes?
Bebel Abreu - Esta é uma ação entre amigos. Pensei nas pessoas que poderiam se interessar – tenho muita gente talentosa por perto! Chamei primeiro o Kiko Dinucci, que tem lindos desenhos de sexo, depois a Janara Lopes, que tanto publica o tema e – embora generosamente alavanque uma cacetada de artistas – não publica tanto seus desenhos incríveis -, o Marcelo Araújo, que tem uma série maravilhosa sobre cunnilingus, a Fernanda Guedes e aquele traço supersensual… Lembrei dos diabos pirocudos que você tanto faz, enfim, era muita gente!

marcelo araujo

marcelo araujo

blogdoorlando – quais são os próximos projetos da bebelbooks?
Bebel Abreu - Estamos lançando cinco títulos na Feira Plana, que acontece neste final de semana no MIS:
É bom para o moral #3, de Zé Otávio, com desenhos de meninos e meninos namorando, dentro da nossa coleção pornô elegante, a Bebel Buxxx, que também publica o Suruba, nosso segundo lançamento. Apresentamos também uma luva com os três volumes, embalagem deluxe.
Como a Plana deste ano traz o tema Fotografia, estamos com três títulos de fotos:
– Cenas do cotidiano, São Paulo, de William Baglione, com retratos da cidade e da gente da cidade
– #aprendeblogueira, Alice à Paris, de Ricardo Toscani, mostra os modelitos da filhota nos dois meses da cidade-luz
– Callejero, de Bruno Miranda, traz o olhar do fotógrafo nos dois meses que passou na ilha logo após a notícia de reaproximação com os EUA – ele revela que pouco ou nada mudou, por enquanto.

Temos mais alguns planos pra 2015, mas por hora estou me dedicando a trabalhar estes cinco. Até porque o ano na Mandacaru agora decolou e eu tenho que voltar pro serviço!

 

serviço:
suruba para colorir
onde: le basquiat
r. lisboa, 191 – pinheiros – sp
4.03.2015
a partir das 19h

Autores:
Adão Iturrusgarai – Córdoba
Ale Kalko – São Paulo
Alejandro Magallanes – Cidade do México
Alex Vieira – Vila Velha
André Valente – Brasília
Christiano Mascaro – Recife
Diego Sanches – São Paulo
Eduardo Belga – Brasília
Fábio Zimbres – Porto Alegre
Feppa – São Paulo
Fernanda Guedes – São Paulo
Flávio Flock – Rio de Janeiro
Flávio Zerloti – São Paulo
Gabriel Góes – Brasília
Guma – São Paulo
Indio San – São Paulo
Janara Lopes – São Paulo
João Montanaro – São Paulo
Kiko Dinucci – São Paulo
Laerte – São Paulo
Luciana Bastos – Brasília
Luciano Feijão – Vitória
Maël Boutin – Brasília/Paris
Marcelo Araújo – Brasília
Max Kisman – Amsterdã
Oga Mendonca – São Paulo
Orlando Pedroso – São Paulo
Renata Miwa – São Paulo
Rogerio Nunes – São Paulo
Samuel Rodrigues – São Paulo
Santiago Mourão – Brasília
Sen Hesse (Carlo Giovani) – Porto Alegre
Thais dos Anjos – Nova York
Tiago Elcerdo – Rio de Janeiro
Zé Otavio – Olímpia, SP

Vol. 1, 19 páginas, 17 ilustradores (700 exemplares)
Vol. 2, 19 páginas, 17 ilustradores (700 exemplares)
R$ 30, cada, impressão em papel alta alvura
Kit com Vol. 1 + Vol. 2 em papel especial + 14 giz de cera (200 unidades)
R$ 90 a partir de 4/3 ou com desconto a R$ 60, em bebelbooks.iluria.com até 3/3 (pode retirar no lançamento, sem frete)

facebook.com/bebelbooks
instagram: @bebelbooks

 

 

 

 

 

 

 

 


curso de criação e planejamento editorial ajuda quem quer se auto-editar
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Orlando

todo mundo quer ter sua própria publicação. todo mundo quer uma revista ou livro para chamar de seu.
o nó é quando temos que decidir qual a cara do produto, como decidir sobre o projeto gráfico e editorial, que tipo de fonte, sangria, cores, brancos, capa, grampo ou lombada quadrada, etc, etc, etc.
muita calma nessa hora. seus problemas acabaram!
tem dois caras que podem ajudar muito!
cassiano polesi e luciano pessoa são profissionais atuantes na área há muitos anos e desenvolveram um curso condensado em 4 sábados na fapcom, em são paulo, e que pode abrir as águas para aqueles que querem atravessar o oceano das dúvidas.
se vc não sabe se picas se fala picas ou páicas, #ficaadica.
abaixo, entrevistas com os p'sôres:

blogdoorlando – a onda agora é a auto-publicação. até onde um curso como esse pode ajudar um garoto a produzir um impresso mais bem planejado?
Cassiano - Acho que o curso ajuda ao dar uma visão do todo, pensar de forma integrada. Claro que a conversa tem uma pegada mais útil para quem está trabalhando em equipe. No caso da autopublicação, geralmente vc não precisa explicar pra vc mesmo o que está pensando, né? :) Mas, exatamete por estar agindo sozinho, o curso agrega ao falar de planejamento como uma forma de facilitar o processo de criação. Nesse sentido, o curso pode ajudar muito.
Luciano - Creio que o curso ajuda a entender melhor o que se quer e o que se pode publicar. Tanto em termos de planejamento como em termos de linguagem visual. É uma pequena imersão nas dificuldades e soluções de um projeto editorial.
blogdoorlando – a tecnologia facilitou muito o processo mas as questões visuais e estéticas continuam ainda no âmbito do conhecimento e da sensibilidade.
como lidar com isso?
Cassiano - para mim, as questões fundamentais continuam rigorosamente as mesmas. Creio que somos todos editores. Há milênios. Basta olhar os bisões nas carvernas, uma imagem que gosto de usar como símbolo da minha forma de trabalhar, do meu livro e da minha tese sobre comunicação corporativa. Está tudo lá: por que bisões?? Antes, tínhamos cavernas e algumas tintas, hoje temos umas ferramentinhas a mais, mas a essência é ainda a mesma: dizer algo, de algum jeito, para alguém.

Altamira_teto pb

Teto da caverna de Altamira, na Espanha, retrata uma manada de bisões e outros mamíferos, conforme publicado por M. Sanz de Sautuola em 1880, segundo Cartailhac, em 1902.

Luciano - Sim. A tecnologia permite maior alcance e maior controle por parte do designer e do editor, e ao mesmo tempo exige desempenho em territórios novos, como o “online'' por exemplo, que até ontem não existia, e onde tudo é mais fragmentado.

blogdoorlando – aliás, o curso trata da questão prática ou é mais teórico?

Cassiano - é superprático, no sentido de exercitar a capacidade de desenhar uma ideia viável, facilitando o trabalho de edição e a conversa com o designer. Mas não descuidamos de alguma teoria, principalmente no lado do design, onde o Luciano entra com toda a força. Meu papel é dar uma visão de produção ao processo editorial, e aí eu gosto de usar umas três ferramentinhas que dão suporte ao meu método. Costuma dar certo! :) Nesta versão de quatro aulas não dá pra trabalhar um produto real; queremos fazer uma versão de três meses, na qual faremos um produto do começo ao fim. Nesse caso, a prática é ainda mais palpável.
Luciano – Ambos. Há um pouco de teoria e um pouco da prática reunidos, assim como na vida real de um projeto. É uma oficina de quatro encontros, e há também uma versão mais longa do mesmo curso, de três meses, em que cada aluno explora todos os aspectos em maior profundidade.

Esbocos P3 e  4

É rafeando que a gente se entéeende! Exemplo de uma proposta preliminar de página: além de ajudar o design, ajuda ainda mais o editor.

blogdoorlando – vcs dois têm experiências na grande imprensa e com projetos independentes.
qual a diferença hoje quando tudo parece meio misturado?

Cassiano - acho que o mais bacana é perceber que hoje não é a infra do produtor que faz o produto, né? Vc consegue viabilizar coisas bem legais sem ser gigante. Aliás, geralmente é até mais fácil; tem o lado da grana, claro, viabilização econômica… mesmo isso está sendo contornado pela tecnologia, o que iguala o grandão ao pequeninho. Sobra o talento de cada um pra fazer a diferença, por isso tudo está bem mais divertido!
Luciano – Bem, creio que haja ainda diferenças. Na grande imprensa você tende a ter competências definidas, e a produtividade está normalmente em primeiro plano. Há um nível de exigência mais alto, mesmo para um resultado mediano, em função do tamanho da máquina. No meu estúdio os clientes são outros, as relações são outras, e todos participam de cada projeto de forma mais integrada. De modo geral vejo como a diferença entre produtividade e qualidade.

blogdoorlando – para vcs, qual o futuro do impresso?

Cassiano - tendo a achar que o impresso irá superar essa fase de instabilidade até reencontrar seu lugar, seu nicho. Esse curso também serve para o on-line, embora nesse ambiente os limites sejam mais elásticos por natureza, o que muda um pouco a forma de fazer e de pensar o resultado final.
Luciano - Por mim, pode ter vida longa. O conteúdo digital inclui o som, o vídeo, mas para ler prefiro o papel, o analógico. Novas tecnologias desaparecem como surgiram. A imprensa tem 500 anos. O lápis e papel outros tantos. A informação é instantânea, mas para ler é preciso tempo.

blogdoorlando – o que é a publicação perfeita?
Cassiano – ​é aquela que fica pronta na prazo, fica bacana e, principalmente, a gente consegue fazer dando muita risada no caminho. Edição e design é pura diversão!! Se conseguir fazer isso junto, é diversão ao quadrado :)
O curso vai um pouco por aí, de andar pela fusão de lados que antes eram vistos como distantes, mas que só têm a ganhar quando sabem andar juntos.
Luciano - Todas. Nenhuma. A que li ontem. A que vou projetar amanhã. A que você pode ler, mas é totalmente inesperada. :)

 

quem são:
Luciano Pessoa é designer, arquiteto, professor e quase músico. Pós-graduado em design pela USP, é mestrando em Comunicação pela Universidade Paulista, e tem atuado como docente na Universidade Anhembi Morumbi (Design Gráfico), Universidade Paulista (Design de Interiores) e Universidade Metodista de Piracicaba (Comunicação/Fotografia). Desenvolve pesquisa na área de teoria da imagem e mantém seu estúdio de design e comunicação em São Paulo, voltado às áreas de imagem corporativa, design editorial, música e exposições. Cassiano Polesi é jornalista, diretor de arte, mestre em Relações Públicas pela Universidade da Flórida, especialista em comunicação de marketing pela ECA/USP e autor do livro matriz de Marketing, comunicação e Negócios.

 

serviço:

início: 07/03/2015
horário: 08h as 12h

vagas: 20

término: 28/03/2015

duração: 4 semanas

carga horária: 14h

R$ 280,00

FAPCOM

Rua Major Maragliano, 191 – Vila Mariana – São Paulo/SP – 04017-030

secretaria@fapcom.edu.br

(11) 2139-8500

inscrições:

http://www.fapcom.edu.br/loja/workshop-de-criacao-e-planejamento-editorial_p_2933.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


alfaiate da ilustração, junior lopes abre exposição em são paulo
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Orlando

junior lopes, paraense de 48 anos, logo percebeu ao chegar em são paulo em 1999, que teria que inventar algo diferente para se destacar entre os ilustradores que admirava. essa é uma das questões que mais aflige os profissionais do traço: como sair do lugar comum e criar uma marca própria e identificável.
pesquisando, trocou o papel por tela, as tintas por tecidos, as retículas por tramas de linha e desenvolveu uma combinação absolutamente particular de criar ilustrações e, principalmente, retratos.
expôs seus trabalhos em são paulo, piracicaba, porto alegre e moçambique.
foi escolhido pela conceituada illustration now!, da editora taschen um dos 150 melhores ilustradores de 2014 além de ter participado da campanha da levi’s, leão de ouro em cannes, em 2004.
abaixo, entrevista com o alfaiate da ilustração:

blogdoorlando – como foi migrar do papel, do traço para o corte/costura? :>)
Junior Lopes - Vontade natural de fazer algo novo… Cheguei de Castanhal (PA) em 99 e sabia que na área de ilustração tinha que ter um diferencial pois aqui em São Paulo a quantidade de ilustradores excelentes é irritante.

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blogdoorlando – vc parte de fotos, recortes e o que mais? como é o processo?
Junior Lopes - Já mudei bastante, mas quase sempre parto de referências fotográficas e vou dando ctrl+c, ctrl+v. Copio imagens  em alto contraste e vou colando meus layers naturais (retalhos de tecidos) sobre tela.

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blogdoorlando – como vc escolhe os materiais e os formatos? os formatos aumentaram também desde o início, não?
Junior Lopes - Essa é a parte lúdica do processo. Vou para o Brás, na zona central de São Paulo, compro retalhos de tecidos que acho interessantes e procuro extrair das tramas e texturas dos tecidos um pouco da personalidade do retratado… É sempre uma surpresa o resultado… sempre.

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blogdoorlando – vc pensa em tratar de outros temas que não sejam baseados em referências?
Junior Lopes - Sim… Os retratos são meu ganha pão, pois faço muita encomenda e, basicamente, sobrevivo deles. Naturalmente o desejo é expandir para outros temas. Na exposição que abre hoje, tem o “A Ponte”, inspirado num quadro do Monet, e que foge do retrato. Quero mais pra frente fazer uma exposição erótica, desenhada sem referências fotográficas.

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blogdoorlando – a exposição é uma retrospectiva ou há trabalhos novos e antigos?
Junior Lopes - É uma retrospectiva, abrangendo os primórdios (comecei em 2000), passando pelos originais da campanha da Levi’s, que ganhou um Leão de Ouro em Cannes (2003) e avança para os inéditos de hoje, que são a maioria.

blogdoorlando – como foi ser indicado pela illustration now! e receber o leão de ouro?
Junior Lopes – Nossa profissão é solitária e receber prêmios, além da importância artística, é um afago no ego. Mostrando que tem que batalhar muito para se conseguir reconhecimento. Meu trabalho é diferenciado, até pelo material que uso e esses prêmios comprovam que tô seguindo na estrada certa…ou na errada… tanto faz… rs

 

 

JL

SERVIÇO

Exposição “Retalhos de Junior Lopes”
Período: 26 de fevereiro, às 19h (abertura), até 31 de março.
Horário: de segunda a sábado, das 10h às 19h
Local: Galeria Ornitorrinco (Av. Pompeia, 520 – São Paulo – SP)
Tel.: (11) 2338-1156
Site: www.galeriaornitorrinco.com.br
E-mail: contato@galeriaornitorrinco.com.br
Entrada: Gratuita
Compras: através de pagamento em dinheiro ou cartão de débito/crédito.
Preços: de R$1.500 a R$5.000

 

 

 

 

 

 

 

 


refém da burocracia, cidadão paga caro e mico ao mesmo tempo
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Orlando

cena I
às 22h30 de domingo retrasado somos parados pela polícia rodoviária de boracéia, litoral norte de são paulo.
um jovem soldado me pede os documentos e constata que o licenciamento do carro estava vencido desde novembro.
falha minha, esqueço todos os anos de pagar o licenciamento no prazo. não vem boleto, aviso ou qualquer sinal de fumaça e acabo por esquecer.

muito educadamente ele diz que devemos ligar para alguém vir nos buscar porque o carro vai ser apreendido.
como assim apreendido? lavra a multa e amanhã cedo resolvo o documento. o carro está todo em ordem, minha habilitação está em dia, estou sóbrio e de óculos!
não teve acordo.
é a lei.
argumentei que não haveria ninguém que pudesse, àquela hora, se desbarrancar de são paulo para nos resgatar. na real, a quem vc pode recorrer a qualquer hora do dia ou da noite e pedir que largue tudo para ir até bertioga lhe buscar porque vc se esqueceu de pagar um bendito imposto?
os senhores podem pegar um ônibus, sugeriu o jovem.
alou?!?!

nossa sorte foi que amigos saíram 10 minutos depois de toque-toque, nos encontraram naquela situação na beira da estrada e nos aliviaram do peso de uma volta brancaleônica pra casa.
um outro policial, também muito educado, me explicou o passo a passo da burocra enquanto concordava com o absurdo da lei.
na argentina é diferente, disse ele. o senhor já foi pra lá? – perguntou.

na manhã seguinte, às 8h estava eu na porta do poupa tempo. em 50 minutos estava com o documento devidamente quitado e no bolso.
se as coisas no brasil funcionassem como o poupa tempo, tudo seria muito diferente!
bom, foram-se perto de 180 reais.
voltei para casa. a segunda etapa era ligar para o pátio em bertioga para saber quanto eu deveria pagar pelo guincho.
o atendente demorou para localizar o protocolo já que o carro havia dado entrada já era pra lá de meia noite.
e o que tenho eu a ver com o peixe?, pensei.
quase 340 reais mais pobre, tiro 2 cópias de minha habilitação, do documento do carro, imprimo o recibo do pagamento do guincho, junto com a via de infração e sigo, de taxi (mais 200 dilmas, na brodagem), até um posto rodoviário perto de bertioga.
duas horas e trelelé depois, estou diante de um policial de meia idade que confere minha papelada.
tivesse chegado meia hora antes, teria que esperar. estariam em hora de almoço
ele preenche à mão outra guia, prende tudo com um clipe e diz que o pátio fica a 8 km no sentido santos.
o pátio, de uma terceirizada, tem um balcão comprido com um vidro espelhado na frente. vc precisa se abaixar para ver se tem alguém ali para atendê-lo.
na fila, um grupo de homens e mulheres discute como fazer para pagar as taxas e trazer os comprovantes de volta a fim de retirar seus veículos também confiscados.
nada perto, nada fácil, nada informatizado.
esperei ser chamado num lugar que parecia a ante-sala do inferno de quente.
para liberar o carro vc tem que assinar um documento que atesta que o veículo está sendo entregue perfeito como entrou.
vc quer que eu olhe o motor para ver se nada foi retirado ou trocado? – disse ao entediado manobrista.
vcs poderiam pelo menos ter lavado… – brinquei antes de pegar a serra de volta e de ter perdido um dia inteiro de trabalho.

 

cena II
juquitiba, 1h30 – estou lendo na sala quando escuto um estouro na rua e a luz se apaga.
lanterna e conta na mão, ligo para a aes eletropaulo.
feita a reclamação, o atendente diz que uma equipe de emergência está indo para o local.
vemos que uma árvore havia caído e que, provavelmente, algum galho triscou a rede causando o curto que desligou a chave do transformador.
às 7h da manhã o telefone toca. é alguém da empresa querendo saber se a energia havia sido normalizada.
não.
às 10h, outro telefonema informando que estão a caminho.
às 13h, sem notícias, ligo novamente para a eletropaulo que abre novo pedido.
o mesmo para mais quatro ligações feitas até a noite.
os atendentes não têm acesso a movimento nenhum, não sabem onde estão as equipes de atendimento, nem têm acesso a qualquer outra informação.
então, abrem novos pedidos com novos números de protocolo que não servirão para nada.
hoje, às 7h30, 30 horas depois do desligamento do fusível e ainda sem energia elétrica, volto ao telefone.
passo a passo de gravações, novo número de protocolo, a atendente refém de uma situação que não lhe permite nada além de repetir as mesmas cantilenas que já sei de cor, diz que vai passar o caso para seu supervisor. o mesmo, provavelmente, que os atendentes de ontem disseram não ter acesso.
meia hora depois, recebo uma ligação no celular. é uma gravação dizendo que meu pedido será atendido prontamente.
neste instante,  31 horas e meia depois, resta esperar enquanto botamos tudo da geladeira e do freezer no lixo.

 

 

 

 

 


a incompetência do governo e o medo das crianças
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Orlando

Escovar os dentes 72

 

a falta d’água, provavelmente, será assunto para o resto do ano. salvo um milagre, as torneiras tossirão ar seco na maior parte das residências de são paulo durante os próximos meses.
depois de anos de descaso, agora começou aquele corre clássico brasileiro de tentar se resolver as coisas a toque de caixa, sem licitação e com acordos de bancada.
e se tem uma área onde não acontecem milagres é exatamente esse de obras. elas demandam estudos (mesmo que feitos nas coxas), grana e tempo, muito tempo mesmo com a urgência mordendo os calcanhares.

mas o que eu queria falar é que, independente das burocracias, fico surpreso como lidamos com as coisas.
ontem, assistindo a um telejornal, vejo (de novo!) um reporter entrevistando uma criança. como sabemos, algumas escolas estão operando com torneiras secas ou quase secas. não se pode escovar os dentes, lavar as mãos ou lavar pratos e copos.
indagada sobre isso, a criança diz: “sem água as plantas morrem, os bichos morrem, a gente morre! e eu não quero morrer!”
além do bônus para quem economiza muito e multa para quem desperdiça um pouco, temos que usar esse expediente de fazer terror com crianças sempre?
a questão da água no planeta é grave. no brasil, muito grave. em são paulo, gravíssima. mas temos que penalizar crianças com bichos-papões o tempo todo?
água não é só higiene. escrevi sobre isso aqui.
como essa criança, também não quero morrer de sede. aliás, não quero morrer de jeito algum mas o foco das reportagens deveria ser outro.
enquanto os cidadãos se sentem acuados em (se tiver sorte de ter algumas gotas no cano) tomar seu banho de 2 minutos, milhares de prédios continuam sendo erguidos no estado.
mas eles geram emprego, dirá algum esperto e eu posso até concordar. mas, veja lá, não estamos numa situação de emergência?
emergência pra mim significa estado de alerta em todos os níveis, não só na nossa pia.
e tem a dengue!
com as pessoas estocando água de forma inadequada, a prefeitura da cidade calcula que haverá uma epidemia da doença no município.

são paulo, rica em rios e córregos hoje poluídos e canalizados, depende da água vinda de fora. os projetos de captação de chuva se limitam a iniciativas individuais ou privadas.
pelo governo, essa água toda que cai do céu de graça pode ir ralo abaixo ou o cidadão que se vire fazendo gambiarras em suas calhas ou ar condicionado.
assim, teremos um 2015 lidando com urgências da mesma forma que sempre lidamos: no improviso e jogando a responsabilidade nas costas do contribuinte.
a criança da reportagem, provavelmente, não vai morrer de sede mas ela e seus amiguinhos não vão escovar os dentes ou tomar banho como mereceriam.
vão crescer com medo disso, daquilo e daquilo mais enquanto governos as tratarem como culpadas de uma incompetência que só pertence a adultos engravatados e eleitos por seus pais.

 

 

 

 

 

 


férias, artigo em extinção
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Orlando

Fechado 72

houve um tempo em que desenhistas se empregavam.
eram funcionários de revistas, jornais, estúdios ou agências de publicidade.
e como todos os trabalhadores legalmente registrados, tinham direito a fundo de garantia, folgas semanais, recebimento por horas extras e, claro, férias de 30 dias remuneradas.
silenciosamente as relações de trabalho foram mudando.

passamos pelos yuppies, pela re-engenharia, pela terceirização que, num passe de mágica se transformou na maior lorota dos últimos tempos: o empreendedorismo.
profissionais – e não só desenhistas – passaram a ser donos de seu próprio negócio tomando para si todos os custos e responsabilidades que antes eram de seus antigos patrões, como aluguel de um espaço, computador, telefone, máquina de café e manutenção de uma estrutura mínima para atender seus clientes.
o que poderia significar liberdade e horários flexíveis, pode ser exatamente o contrário.
em muitos casos o mercado se tornou um leilão e o talento artístico por si só não basta.
o “empreendedor” precisa se tornar um gerente de seu próprio negócio acumulando funções específicas como ser seu proprio rp, o rh, o financeiro, o almoxarife, o criativo, o funcionário dedicado e, claro, vidente para enxergar o que o futuro lhe reserva.

quem está no mercado nos últimos 35 anos nunca trabalhou sem que alguma crise estivesse batendo na porta. e todas elas fizeram muita marola. petróleo, plano collor, bresser, crise do japão, crise da argentina, na coréia, desvalorizações do cruzeiro e do real só para ficar entre algumas, trouxeram ventos fortes que balançaram nossos barquinhos sem dó.
tivemos também a crise do papel, a entrada da internet e uma mudança radical mas ainda sem definição dos meios de comunicação, especialmente os impressos.
hoje é praticamente impossível sobreviver e pagar contas só atuando na imprensa.

esse “se virar nos 30” a que somos submetidos empurra boa parte dos profissionais a uma eterna vigilância.
novembro é o mês de se garimpar trabalhos que segurem dezembro e janeiro, justamente os meses em que poderiam estar desfrutando das economias do ano e descansando ou conhecendo outros lugares.
ao contrário, são meses de preocupação e indefinição.
férias, mais do que merecido descanso é o período que nos proporciona um certo desligamento da rotina, a reciclagem das baterias e um balanço do ano anterior.
e não me venha com férias de uma semana!
férias são 30 dias em que vc vai se desligando lentamente, faz a curva e vai, também lentamente, se preparando para a volta ao batente.
férias de 30 dias deveriam estar na constituição. serem obrigatórias com aval do ministério da saúde pública.
emendamos um ano no outro, sem intervalo e isso não deve fazer muito bem não.

eu proporia uma outra emenda constitucional que reservasse 15 dias entre um ano e outro. uma espécie de limbo entre o dia 31 de dezembro e o 1º de janeiro.
nesse período não haveria obrigações, nem trabalho, nem contas vencendo, nem nada.
impossível, eu sei, mas #ficaadica.