Blog do Orlando

ilustracon apresenta na web panorama da ilustração brasileira
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Orlando

o ilustrador rice araújo está juntando a fome com a vontade de comer.
há uma legião de garotos e garotas querendo dicas e informações sobre como entrar no mercado de trabalho. ao lado desses futuros ilustradores, profissionais também procuram entender em que pontos as recentes mudanças do cenário mudam ou mudarão sua forma de atuação.
a ferramenta para isso: a internet.
o ilustracon trará mais de duas dezenas de palestras com profissionais das mais variadas tendências, especialidades, métodos e que servirão, com certeza, para que todos tenhamos a dimensão dessa diversidade.
o ilustracon acontecerá nas noites de 22 a 28 de setembro com palestras pré-gravadas e gratuitas. na manhã seguinte serão reprisadas.
depois do dia 28 esses vídeos poderão ser adquiridos num pacote denominado ouro.
os horários, valores, inscrições e outras informações estão disponíveis no site http://www.ilustracon.com.br
abaixo, entrevista com o organizador e a lista de palestras e palestrantes:

blogdoorlando – como vc vê o mercado da ilustração hoje no brasil diante de tantas oscilações econômicas?
Rice - Penso que os humores do mercado são cíclicos e o que contribui para que o momento presente talvez seja mais desafiador do que os anteriores é que o mercado de ilustração passa por um momento de transição, não só no Brasil. Me parece ter alguma semelhança com outros períodos em que surgiram novas tecnologias e mídias mas com alguns fatores que tornam esse momento atual bem diferenciado.  Um desses fatores é a longevidade dos artistas que aumentou. Hoje os artistas iniciantes compartilham o mercado com artistas já com 30, 35 anos de experiência com gás suficiente pra mais 30 anos produzindo! Diferentemente de poucas décadas atrás, quando um artista de 60, 65 anos já se posicionava como um mestre formador das futuras gerações. Outro fator é a maior disponibilidade de ferramentas que suprem deficiências do artista, tornando possível a presença no mercado de profissionais cada vez mais jovens, mesmo que ainda com pouca vivência.
Somando isso às deficiências existentes também do lado de lá da mesa, onde as empresas contratantes fazem grande pressão por redução de custos sobre os profissionais que contratam nossos serviços, ao crescimento da oferta de bancos de imagem e a redução do nível de exigência por grande parte do mercado temos uma situação onde um futuro possível precisa ser realmente construído e passa pela valorização da ilustração e do ilustrador.

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blogdoorlando – vc está organizando um evento que abrange várias áreas de atuação do ilustrador. como foi feita a escolha dos palestrantes?
Rice - No tocante aos temas, a proposta foi mesclar vários setores para termos uma visão mais ampla e podermos perceber com mais clareza como funciona cada mercado e a escolha dos palestrantes teve como critério a solidez da carreira dos convidados e buscamos também diversificar um pouco no tocante a faixa etária dos convidados para, quem sabe, podermos perceber algumas diferenças de percepção que existam.
Uma coisa importante na escolha foi tentar trazer alguns profissionais que também ministram cursos em várias escolas diferentes e membros de diversas associações para que o Ilustracon não fosse confundido com uma entidade do setor ou uma escola. Quis desde o esboço do projeto que o Ilustracon pudesse ser um agente independente e agregador que pudesse estimular profissionais mais jovens e também os mais experientes a procurar participar ativamente dessas entidades existentes e buscar as várias boas escolas que temos para se aprimorar profissionalmente ou se reciclar e estabelecer redes de contato que poderão dar frutos importantes para si e para os demais colegas de profissão.

blogdoorlando – e como vai funcionar?
Rice - Nesse primeiro Ilustracon a forma possível de viabilizar foi através de palestras pré-gravadas que serão exibidas gratuitamente de 22 a 28 de setembro.
Além das palestras haverão algumas mini-aulas com com enfoque mais prático e técnico.
Esse formato online permite que de forma gratuita, profissionais, iniciantes e estudantes residentes em pequenas cidades também possam ter acesso a nomes de peso da ilustração que, na maioria das vezes, só podemos ouvir participando de eventos em grandes centros.
Seguindo essa linha de democratização da informação, fizemos uma pesquisa para poder exibir as palestras no melhor horário para o público e como o período noturno foi o preferido por quase 50% dos votantes iremos concentrar o máximo de  palestras a noite.
Sabendo que isso iria impossibilitar que estudantes do período noturno pudessem acompanhar, iremos exibir as palestras da noite também na manhã seguinte. Para o ano que vem a proposta é criar uma estrutura que permita a interação direta do público com os palestrantes.

blogdoorlando – então, quem não puder acompanhar a palestra na hora, vai poder ver depois?
Rice - Sim, mas não mais gratuitamente. As palestras serão exibidas apenas durante a semana do congresso e não estarão mais disponíveis ao público.
Depois de 28 de setembro elas irão para um site restrito e comercializaremos um pacote denominado “ouro'' que dará acesso às palestras até 30 de agosto de 2015, além de alguns outros bônus que estamos agregando e que julgamos sejam interessantes tanto para profissionais mais experientes quanto para os mais novos.

blogdoorlando – e quem quiser ver todas depois?
Rice - Todos os palestrantes receberão o acesso ouro, até por cederem seu tempo e experiência gratuitamente. Essa é uma forma de agradecermos o desprendimento e o senso de compartilhamento. Já o público geral poderá adquirir o plano ouro que estará disponível para venda durante o congresso e o seu preço normal será de R$ 530,00 mas pretendemos também oferecer o pacote ouro alguns dias antes da abertura oficial com um desconto que ainda estamos avaliando mas que certamente será muito, muito expressivo.
A função desse desconto é fazer com que a limitação financeira não seja um impeditivo, justamente para quem talvez mais precise desse conhecimento, ao mesmo tempo cobrindo no mínimo as despesas financeiras com softwares, divulgação e ferramentas digitais que utilizamos nesse primeiro Ilustracon.

blogdoorlando – como vc está conseguindo viabilizar o projeto?
Rice - O projeto a princípio era algo bem menor e por isso foi planejado para ser realizado com recursos próprios e com apenas alguns amigos. Seria um projeto piloto mesmo, porém, me surpreendi com o peso e a experiência dos palestrantes que se dispuseram a participar mesmo com as suas agendas estando apertadas, então decidi ampliar o projeto, mesmo aumentando o investimento de recursos pessoais e tempo para beneficiar o máximo de pessoas possível.

blogdoorlando – de que tamanho é sua equipe para levantar o projeto todo?
Rice - A equipe é muito enxuta. Fixas no projeto temos apenas 3 pessoas, porém conto com também com alguns amigos que auxiliam pontualmente, tanto como consultores como realizando tarefas mais práticas. Para alocar mais tempo no Ilustracon pausei meus projetos pessoais e também praticamente fechei meu estúdio até o início de outubro, mantendo apenas tempo para cumprir dois contratos fixos semanais que tenho.

blogdoorlando – que tipo de retorno vc espera ter com esse evento?
Rice - O grande objetivo do congresso é abrir espaço para que se conheça melhor os vários mercados em que o talento do ilustrador é fundamental e fomentar a discussão dos rumos da ilustração brasileira, reavivando propostas como por exemplo a levantada pelo Faoza anos atrás, e defendida por entidades como a SIB e AEILIJ, de inclusão da disciplina de ilustração nos cursos superiores de comunicação design e artes.
Do ponto de vista da equipe organizadora, esperamos que seja um grande aprendizado para podermos fazer ainda melhor a segunda edição em 2015.
Dois retornos inesperados e muito gratificantes que já tivemos foram o comprometimento e desejo de compartilhar apresentado por todos os palestrantes e o engajamento do público, onde muitos dos inscritos estão divulgando espontaneamente o Ilustracon e se colocando a disposição para ajudar no que for preciso. Isso nos indica que esse enfoque diferenciado do nosso congresso soma esforços com outras grandes contribuições realizadas por entidades, escolas e indivíduos da nossa área e reforça o nosso compromisso em oferecer o máximo possível pelo menor valor viável  a todos os que levam a sério as suas carreiras.

palestras e palestrantes:

KAKO
A ilustração made in Brazil – Participação especial de sua agente internacional Sari Levy-Schorr (Levy Creative Management)

ORLANDO PEDROSO
O ilustrador como autor

MARCIO GUERRA / MAURO SOUZA
A ilustração como arte

MIKE AZEVEDO
Ilustração para gamesSPACCAAdaptação de literatura para quadrinhos

MARCOS SAMPAIO / EDUARDO BARONI
Os bastidores da Ilustração 3D – Estúdio Notan

MARCATTI
HQ independente: controlando 100% do processo

LAUDO FERREIRA
HQ – fazendo arte em parceria

MANOHEAD
Caricatura – trabalhando arte e humor de forma séria

FERNANDA GUEDES
Ilustração editorial

JOÃO CARLOS MATTIAS
Cenografia: a arte saindo do papel

FABIO COALA
Segredos do webcomics

KLEBS JUNIOR
HQ – Brasileiros no mercado internacional

FERNANDES / GILMAR / SERI
Ilustração de humor na imprensa

MONICA FUCHSHUBER
O design de superfície

MONTALVO MACHADO
A ilustração como profissão

NEWTON VERLANGIERI
Os bastidores da ilustração publicitária

PAULO BORGES
Didáticos e Literatura: a ilustração a serviço da educação

BIRA DANTAS
Ilustração sindical: arte a serviço do trabalhador

MARCOS VENCESLAU
HQs, fanzines e oficinas: a arte nas mãos do público

GILBERTO LEFEVRE
Os segredos do Storyboard

IRIAM STARLING
A ilustração científica no Brasil

IVAN QUERINO
Turbinando seu portifólio

THAIS LINHARES
O direito autoral na ilustração

ALEX CÓI
Dicas de desenho de observação

RICARDO SOARES
Dicas de ilustração Digital

LUÍS GUSTAVO BARBOSA
Dicas de ilustração Digital

quem é Rice Araújo
Ilustrador e cartunista, atuou em diversas agências de publicidade de S. Paulo e intituiu também o curso de aerografia da Escola Oficina de Artes, em Santo André, onde lecionou por três anos.
Como chargista e cartunista do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, participou da publicações como o livro “Vítimas'' que contribuíram para que o sindicato recebesse o prêmio de melhor imprensa sindical do período.
Foi premiado em salões de humor como a Bienal Internacional de Quadrinhos, Festival de Humor de Santos e Salão Universitário de Humor de Piracicaba.
Criou também vinhetas animadas da Rede Globo (os plim-plins) e entre as publicações que participou estão os livros de caricaturas “Brasil do Bem'' e “Noel é 100″ do Instituto Memória Musical Brasileira.
Atualmente mora no interior de SP de onde produz charges, cartuns e ilustrações para empresas, agências de publicidade e sindicatos.

www.ilustracaodigital.com

http://ricearaujo.blog.uol.com.br

ricearaujo@gmail.com

 

 

 

 

 


prefeitura de teresina ameaça fundação nacional do humor e salão do piauí
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Orlando

 

sede da fundação nacional do humor

sede da fundação nacional do humor

o salão de humor do piauí não é o mais rico do brasil mas continua sendo um dos mais importantes do país por seu formato aberto e democrático.
boa parte das mostras paralelas acontecem no passeio público usado por trabalhadores e estudantes
a.
a crise econômica e gerencial dos últimos anos teve seu ápice meses atrás quando a sede da fundação nacional do humor foi invadida e depredada por vândalos.
veja aqui.
dispostos a reverter essa situação, a antiga diretoria formada por fundadores do salão, tomou as rédeas e, encabeçada pelo jornalista kenard kruel conseguiram reformar o prédio e marcar a data do salão deste ano.
o tom dramático do episódio é a citação, enviada ao presidente da fundação pela prefeitura de teresina, pedindo o prédio de volta.
a novela promete novos capítulos e um posicionamento de todos os cartunistas para que o salão do piauí renasça mais forte.
abaixo, entrevista com kenard:

blogdoorlando – O Salão Internacional do Piauí é um dos mais antigos e importantes do país. Por que?

Kenard -  O mais antigo é o de Piracicaba. Foi nele que nos espelhamos para realizar o Salão Internacional do Humor do Piauí, em 1982. Eu era assessor de comunicação da Secretaria da Cultura do Piauí, na gestão do secretário Wilson de Andrade Brandão, governo Lucídio Portella, irmão de Petrônio Portella. Com o apoio do presidente da Fundação Cultural do Piauí, José Elias Martins de Arêa Leão, e da diretora de Atividades Culturais da Fundação Cultural do Piauí, a saudosa Luiza Vitória Figueiredo (Sulica), e do chefe de gabinete da Secretaria da Cultura, o hoje des. Luiz Gonzaga Brandão de Carvalho, nasceu o Salão Internacional do Humor do Piauí.

blogdoorlando – O que veio acontecendo com ele nos últimos anos?
Kenard – Nos três primeiros anos, essa equipe acima dirigia o Salão Internacional do Humor. A partir do quarto ano, a coordenação foi entregue ao cartunista Albert Piauí, que deu outra dimensão ao Salão. Mais experiente, e sendo do ramo, fez o Salão crescer ano a ano. Mas, mantendo a mesma característica do seu nascedouro, de ser um evento popular. O Salão toma conta das ruas, das praças, dos espaços públicos da cidade, com exposições, shows, teatro, cinema, artes em geral. A cidade tomou conta do Salão. E faz dele, talvez, o maior evento do ramo aberto do mundo.

blogdoorlando – Se o Salão é um patrimônio público, qual a dificuldade que o estado tem em lidar com isso?
Kenard – O problema não é o estado, mas sim a organização do Salão. Antes, ele era realizado pela Fundação Cultural do Piauí. Era estatal. Depois, com a criação da Fundação Nacional do Humor, em 27 de agosto de 1991, ele passou a ser feito pela entidade. Quando havia harmonia entre a Fundação Nacional do Humor e da Fundação Cultural do Piauí, o Salão navegava em céu de brigadeiro. Quando não, sempre foi um Deus nos acuda. A Fundação Nacional do Humor não se preparava a contento para realizar o Salão. Quando ia elaborar o projeto (com programação e tudo) já era em cima do evento. Por falta de tempo, sempre foi difícil captar recursos para a sua realização. Assim, o Salão sempre viveu em altos e baixos.

blogdoorlando – E é um salão nada elitista, feito em boa parte na rua e com atividades abertas a todos…
Kenard – Esse é outro grande problema. Não se cobra nada de ninguém. O trânsito é livre. Como não contamos com patrocinadores a contento, muitas vezes o Salão se encerra com débitos em hotéis, restaurantes, lojas, artistas etc. A partir de agora, em nossa administração, algumas das atividades terão ingressos pagos. Além do mais, as bandas que quiserem tocar, terão que procurar patrocinadores. Ao invés de fazermos pagamentos, elas terão que nos dar 30 por cento do que foi captado. Isso porque, por exemplo, eram contratadas mais de 20 bandas. Algumas sem público algum. Elas chegavam, tocavam e se mandavam, sem participar nem antes e nem depois do evento. Isso não queremos mais. Queremos integração total. Só vão participar do evento os que queiram interagir com todas as atividades apresentadas. Vamos continuar fazendo atividades abertas, mas antes patrocinadas, para não ficarmos devendo a ninguém mais.

blogdoorlando –O salão de 2013 foi realizado na cidade de Parnaíba. Por que foi para lá e por que volta a Teresina?
Kenard – O Albert Piauí teve um atrito com o ex-prefeito Silvio Mendes, e, de lá para cá, a Prefeitura de Teresina passou a perseguir a Fundação Nacional do Humor. Uma das maneiras de denunciar isso, publicamente, já que não podia fazer pelos meios de comunicação (quase todos comprados pelo poder público), foi tirando o Salão da Capital. Mas, com isso, como já falamos, deixou o prédio sede abandonado. E deu no que deu, com ação de despejo por parte da prefeitura de Teresina, que só queria um pezinho de nada para tomar a nossa sede. Agora, vamos realizar o Salão novamente em Teresina. Mas, temos proposta de fazê-lo nas principais cidades do Estado e nas principais capitais e cidades do país. Afinal de contas, a nossa Fundação do Humor é Nacional. Tem que estar presente em toda parte do nosso território nacional. Realizando, participando, incentivando no lugar que não tiver Salão de Humor.

blogdoorlando – a Fundação Nacional do Humor, patrimônio de Teresina e do humor, foi depredada e parte de seu acervo foi vendida em praça pública pelas pessoas que invadiram o prédio. Que providências foram tomadas, o quanto desse material foi recuperado e quais os planos para a fundação a partir de agora?
Kenard – Não houve tanto estrago como foi divulgado. O prédio foi pichado, mas já pintado novamente. Duas janelas que, no período de chuva, recebem bastante água, e, sem proteção ou limpeza adequada, enferrujaram, foram arrancadas do lugar, por onde algumas pessoas entraram, mais para fazer sexo, fumar crack, usar outras drogas, do que propriamente para roubar o acervo existente. Além do mais, esse ato de vandalismo contou com a participação de setores da Prefeitura de Teresina, que, assim, se aproveitou para justificar a ação de despejo da Fundação Nacional do Humor. Alguns desenhos cópias foram vendidos na Praça Pedro II, centro da cidade. Falam em originais, mas, quando o Dr. João Henrique Sousa, piauiense, foi presidente dos Correios, a Fundação Nacional do Humor conseguiu com ele a devolução dos originais que se encontravam na sede para os seus donos. A partir de então, não se recebia mais original, e sim cópia enviada pela Internet. A Fundação Nacional do Humor mantém HDs externos com essas cópias, que podem ser impressas à medida do necessário. Estamos organizando todo o nosso acervo. Uma equipe de especialistas da Universidade Federal do Piauí, chefiada pela professor Lurdinha Nunes, está nos ajudando nessa tarefa.

blogdoorlando – como está sendo feito o gerenciamento do Salão e da Fundação?
Kenard - Na gestão anterior, a Fundação Nacional do Humor só se preocupava única e exclusivamente com a realização do Salão Internacional do Humor do Piauí. Vivia em função desse único evento. Duravam os holofotes apenas uma semana. No restante do ano, a Fundação Nacional do Humor praticamente não existia. Não preparava outras atividades para manter a sede aberta e participativa. Na nossa gestão, em pouco tempo, conseguimos realizar diversos eventos, como o Humor na Praça, todos os sábados, exposições de desenhos, de fotografias, cursos e oficinais diversos. Cedemos os espaços para Fundação Nacional do Humor e da Praça Ocílio Lago, onde fica a nossa sede, para quem queira realizar os seus eventos. Com isso, a cidade acordou novamente para a Fundação Nacional do Humor, que funciona quase que 24 horas, diariamente. Nisso, contamos com a cumplicidade total de vários voluntários, com destaque para Mariano D’Abreu, comandante de todos eles. Mariano é ator, diretor de teatro, produtor cultural dos mais respeitados no Piauí. E está nos dando uma força incrível. Obrigado, amigo. Obrigado a todos os voluntários. Torquato Neto nos diz que Cada louco é um Exército. E o nosso, graça a Deus, todos os dias aumenta mais e mais. Agora, para manter a fundação com caixa, estamos instalando diversos projetos em nossa sede. Livraria Millor, Editora Lapi, Bar Jaguar, oficinas e cursos diversos de arte, aluguel de salas, promoções culturais e artísticas diversas, tudo que puder nos trazer recursos para não ficarmos de pires na mão diante das portas do poder público, como acontecia na gestão anterior.

blogdoorlando – já há uma data marcada para o salão 2014. o que se pode esperar dele?
Kenard – Vamos realizar, da maneira que pudermos, de 5 a 9 de novembro, na Praça Ocílio Lago, onde funciona a sede da Fundação Nacional do Humor. Não será um grande evento. Será modesto, para não deixar a peteca cair. Contudo, contando com a solidariedade dos cartunistas do Brasil e do exterior, já temos várias exposições confirmadas. Bandas confirmadas. Atividades, como oficinas, cursos, teatro, cinema, literatura, tudo na programação. Estamos vendo a possibilidade voltar à premiação em charge, cartum, caricatura e quadrinhos. Estamos buscando, ainda, patrocínios. Se der bem, faremos. Se não, vamos aguardar o próximo ano A partir deste, já vamos começar a organizar o Salão de 2015.

 

quem é kenard kruel:
 jornalista, escritor, professor e editor (Editora zodíaco). Formado em letras Português , em Letras Inglês e em Direito. presidente da Fundação nacional do humor. Presidente do Sindicato dos Escritores. presidente da associação Piauiense de Imprensa. Um dos fundadores do Salão Internacional do Humor e da Fundação Nacional do Humor.


governo compra menos e acende luz de emergência de editoras
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Orlando

acendeu a luz de emergência na indústria editorial.
editoras, tendo luiz schwarcz, da companhia das letras, à frente, reclamam da diminuição de compra de livros pelos governos municipais, estaduais e federal.
segundo matéria publicada hoje na capa do caderno ilustrada, da folha de s. paulo, o governo federal havia comprado 11 milhões de títulos em 2012 e somente 7,5 milhões em 2013.
esses números são contestados pelas secretarias.

o discurso dos editores é que isso é um retrocesso e que os governos deveriam se importar com a cultura da nação, que o acesso aos livros são portas de entrada para o futuro dos jovens, etc.
bem, editoras e livrarias não trabalham só com cultura. trabalham com produtos e como tal os livros são tratados.
números, percentuais, vendas, estoque. poderiam fabricar camisas ou carros, por exemplo e assim como existem carros e carros, camisas e camisas, editores têm mais cuidados com este ou aquele título.
de qualquer forma, apesar de se preocuparem com a cultura do povo, caíram na terrível armadilha de depender de um único cliente. justamente o cliente oficial.
o brasil é o maior comprador de livros do planeta.
isso fez com que quase todas as editoras criassem novos selos para atender a essa demanda. muitas delas foram vendidas ou incorporadas a empresas estrangeiras.
note-se que num país de mais de 200 milhões de habitantes, a tiragem média de um livro é de 2 mil a 3 mil exemplares que serão vendidos entre 2,5 e 3 anos.
muito pouco para chamarmos isso de mercado.

o fornecimento de livros para a rede pública é, sem dúvida, uma iniciativa louvável e importante mas tem seu lado sinistro.
para as crianças que recebem seus exemplares, livros são objeto que se ganha, não que se compra. recebem de graça e, provavelmente, nunca entrarão numa livraria ou sebo na vida.
e livro é objeto de se ganhar na escola. na vida real e adulta, continuarão a sonhar com tênis e smartfones.

nesse ponto, as editoras acomodadas nos expressivos números das compras oficiais, se esquecem do básico de qualquer negócio: ampliar seu mercado.
tomemos como base as feiras e bienais que acontecem no país.
o estacionamento é caro, a entrada é cara e as editoras gastam uma fortuna para montarem seus estandes.
as caravanas de ônibus lotados de crianças não trazem consumidores. nem ao menos futuros consumidores. trazem uma molecada que vai ao evento como se fosse ao parque de diversão para ganhar uma prenda.
quem é consumidor de literatura, vai continuar indo em sua livraria de preferência ou na internet longe da algazarra e desconforto das feiras.

se a luz vermelha acendeu, é mais que hora de os editores perceberem que são reféns de uma fonte que pode, se não secar, diminuir a níveis mais que preocupantes.
aí não haverá mais discurso sobre a cultura para os jovens mas como sobreviver sem compradores.
e, como sabemos, no mercado não existe volume morto.

 

 

 

 

 

 


paraibano shiko lança “talvez seja mentira” hoje em são paulo
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Orlando

o quadrinista, ilustrador, pintor e grafiteiro paraibano shiko desenha muito.
e vc pode entender isso de duas formas: na qualidade e na quantidade.
depois do belíssimo o azul indiferente do céu, que trata do assassinato do ativista colombiano héctor abad gómez em 1987, shiko traz talvez seja mentira, outra produção independente recém lançada na bienal de são paulo.
é um álbum no formato 15×10, com duas extremidades em cartão e que flerta, de leve, com a linguagem dos famosos catecismos de carlos zéfiro. em cada lado, da sanfona, uma história.
abaixo, entrevista com o artista que lança hoje seu livro na gibiteria:

blogdoorlando – “talvez seja mentira'' é uma história com dois lados e num formato sanfonado. como surgiu essa idéia?
Shiko - Eu queria que o livro fosse um objeto bonito, tenho cá meu fetiche por livros e um livreto de 16 páginas não me parecia o adequado para essa intenção. Buscando um formato mais interessante, cheguei nessa solução do livro sanfonado entre capas duras e dentro de uma luva. É um livro que precisa ser despido para ser lido.

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blogdoorlando – essa é a maneira como vc trabalha ou a cada projeto o processo é diferente?
Shiko - Uma das vantagens da auto-publicação é que cabe somente ao autor essas escolhas. No meu último livro, ''O azul indiferente do céu'', eu queria que o papel do miolo transmitisse essa coisa de ''papel jornal'' ao tato já que a notícia impressa era um elemento importante no roteiro. Assim, cada projeto me pede particularidades gráficas que tento atender, dentro do possível.

blogdoorlando – qual sua relação com a tecnologia? como você lida com o papel e computador?
Shiko - Meu processo é totalmente analógico. Gosto de papel, de tinta, de tocar nas coisas, sentir o cheiro, um negócio de velho. O meu pós digital é basicamente escanear e dar um tapa nos contrastes. Até as fontes eu prefiro fazer a mão, direto na página.

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blogdoorlando – como vc vê a cena dos quadrinhos e, em especial, na paraíba?
Shiko - É consenso que os quadrinhos no Brasil vivem, talvez, o seu melhor momento. Na produção independente isso é claro, não só no volume de publicações mas na diversidade de temas, técnicas e propostas narrativas.
Na Paraíba não é diferente. Mesmo sendo um estado com alguma tradição em quadrinhos, nunca houve tantos autores propondo tantas coisas diferentes. Tem gente desenhando e publicando todo tipo de coisa, seja individualmente como eu e o gabriel jardim, seja coletivamente como o made in pb ou o coletivo wc.

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blogdoorlando – quais foram suas maiores influências?
Shiko - A revista Animal, o Conam dos anos 90, o Eisner, a Chiclete com Banana, A Sessão da tarde, Rubem Fonseca, João Antônio, Claudio Assis, Mutarelli, Gipi, Mingus, Sganzerla, Watson Portela, Benício.

blogdoorlando – o que vc faz além de quadrinhos? do que vc vive?
Shiko - Eu sou ilustrador. Desenho campanhas publicitárias e faço ilustrações para livros e revistas. Acho que esse é um padrão para quase todos os autores de quadrinhos. Ninguém vive de quadrinhos no Brasil.
Além disso sou pintor e faço exposições dos meus trabalhos de quando em quando e o Graffiti, que é a minha hora do recreio com os amigos aos domingos, me rende qualquer coisa de vez em quando.

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blogdoorlando – vc já tem algum outro projeto na agulha?
Shiko - Sim, tem um quadrinho de terror saindo de baixo da cama em breve.

serviço:
TALVEZ SEJA MENTIRA'' de SHIKO
03.09.2014, quarta-feira
a partir das 19 horas
Gibiteria
Endereço: Praça Benedito Calixto, 158, 1º andar
Pinheiros – São Paulo – SP

 

 

 

 

 

 

 


jam session de quadrinhos vai ser lançado e corre atrás do guinness book
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Orlando

dani baptista e gualberto costa são figurinhas carimbadas do universo das histórias em quadrinhos no brasil e, em especial, da cena paulistana.
sempre antenados e participantes dos grandes movimentos de quadrinhos no país, são os proprietários da hqmix livraria, nome que vem do evento que premia, anualmente, todos aqueles que se destacaram na área durante o ano e que eles ajudaram a criar.
há mais de 10 anos os dois alimentam um projeto: uma jam session cujo ponto de partida era o nome “o crime do teishouko preto'' com uma personagem do bairro da liberdade em são paulo, chamada “fumiko“criada por gual.
a partir daí, mais de 500 desenhistas, veteranos e novatos, foram, um a um, criando uma história que não se sabia (talvez nem se sabe ainda) onde vai dar.
duas pistas para esse mistério: uma é o catarse. outra, o guinness book.

o projeto está captando para produzir um número limitado de exemplares dessa verdadeira enciclopédia do desenho brasileiro.
ao mesmo tempo, se inscreve no guinness como o projeto coletivo com o maior número de participantes do planeta.

abaixo, entrevista com dani e gual:

blogdoorlando – esse projeto já nasceu como uma jam?
Gualberto Costa - Sim. Quando a minha filha mais velha era pequena, eu sempre deixava em baixo da cama dela uns bilhetinhos com personagens que eu criava. Resolvi, então, juntar alguns desses personagens numa página de quadrinhos. Dei o título de “O Crime do Teishouko Preto'', pois tem um delito e mistério. Inventei a palavra Teishouko (que não existe), que instiga a curiosidade e imaginação das pessoas, com a intenção de ver a continuidade que os artistas dariam.

gualberto costa

gualberto costa

blogdoorlando - como surgiu a idéia do teishouko preto?
Gualberto Costa - A ZAp Comix, fazia essa brincadeira deliciosa com seus artistas (Crumb, Gilbert Sheton e outros). O Balão também fez esse tipo de experiência em algumas de suas edições, com seu grande elenco como: Paulo Caruso, Luiz Gê, Laerte, Xalberto, Chico Caruso entre outros. Então decidimos fazer uma Jam Session de quadrinhos que reunisse toda uma geração de artistas brasileiros!

blogdoorlando - e como foram escolhidos os primeiros participantes?
Gualberto Costa - Começamos com os artistas mais próximos e a história foi ficando cada vez mais instigante. Cada um queria perpetuar um novo personagem para deixar sua marca, as interpretações de crime, foi virando um quebra-cabeça e como uma investigação de filme policial, até em universos paralelos  e o interesse dos artista em participar foi crescendo.

spacca

spacca

blogdoorlando – houve períodos de grande produção e momentos de hiato. quanto tempo durou essa jam?
Gualberto Costa –  Essa Jam já existe há mais de 10 anos. A história passava de um desenhista pro outro, já viajou Brasil afora e já se extraviou pelo caminho. Já tivemos que implorar para alguns artistas para que devolvessem as páginas que desapareciam por meses. Com a abertura da HQMIX Livraria, começamos a fazer eventos periódicos, em que convidávamos e agendávamos, de uma em uma hora, artistas para desenharem suas páginas, com o público presente, se transformando em um verdadeiro workshop de quadrinhos. Além da discussão e criação dos roteiros cada vez mais interessantes, os artistas eram desafiados, pois o grau de dificuldade de criar uma nova página, sem cair no óbvio, que faça algum sentido e cumprir sua missão para desafiar o próximo era cada vez maior!

laerte

laerte

blogdoorlando – como todo trabalho coletivo ele tem altos e baixos e a história anda para lá e para cá. houve uma tentativa de se manter uma certa unidade?
Dani Baptista - Deixamos os autores livres para fazerem seus roteiros. Apenas pedimos que mantivessem a protagonista da HQ, Fumiko, uma estudante japonesa, e acabou virando um prazer para cada um criar sua própria Fumiko.

andré kitagawa

andré kitagawa

blogdoorlando – e tem alguma história engraçada nesse tempo todo?
Dani Baptista - Esses encontros de desenhistas e público madrugadas adentro geraram as maiores insanidades. Um cara, no meio da madrugada – e já estavámos a duas noites virados – não parava de elogiar a página de um artista. A gente ficou desconfiado e de olho nele. De manhã demos uma cochilada e de repente o cara catou a página e fugiu da livraria. Saímos à caça mas ele sumiu. Ligamos pra ele e deixamos recado dizendo que a polícia ia baixar na casa dele. Umas três horas depois ele apareceu com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança e com a HQ embaixo do braço!

blogdoorlando – o projeto está no catarse. como vai funcionar a distribuição dos exemplares? vai ser colocado à venda?
Dani Baptista - A tiragem que faremos, será basicamente para atender a demanda de recompensas de cada colaborador e daremos um exemplar para cada artista participante da Jam. A distribuição depende da recompensa escolhida no catarse: alguns enviaremos pelo correio, outros serão retirados na Comic Con Experience e outros na Devir Livraria, que sempre nos apoiou deste o começo do projeto.

luiz gê

luiz gê

blogdoorlando – quando se decidiu que era hora de a história chegar ao fim?
Dani Baptista - No momento que vimos que havia essa categoria para bater o Record no Guinness e a nossa história já havia ultrapassado esse record de lavada.
A história ainda vai ser fechada durante o período de arrecadação do catarse, pois ainda temos novidades, mais 14 artistas que participarão da história para dar um desfecho nesse primeiro livro. Aguardem!

 

 

marcelo braga

marcelo braga

 

para colaborar no catarse:

http://catarse.me/pt/jamsessiondequadrinhos

https://www.facebook.com/pages/Jam-Session-O-Crime-Do-Teishouko-Preto/298053970366336?ref=hl