Blog do Orlando

sib critica avaliação de ilustração em prêmios e concursos literários
Comentários Comente

Orlando

a sibsociedade dos ilustradores do brasil, vem ao longo dos últimos 13 anos pautando questões da atividade de ilustradores e artistas gráficos.
uma das pautas é a forma como a ilustração é avaliada nas principais premiações literários como o jabuti, por exemplo.
a literatura – e especialmente a infantil e juvenil – tem alcançado níveis de excelência internacionais com ótimos projetos gráficos e um destaque inédito do desenho em livros com textos e nos chamados livros de imagem.
muitas das obras logram sucesso de vendas e em concursos exatamente por conta desses princípios mas acabam premiados como se somente o texto fizesse parte delas.
questionando esses critérios, a sib publica em seu site uma carta aberta que pretende abrir a discussão e promover uma reflexão sobre critérios que já não espelham a realidade do livro ilustrado no país.
abaixo, a carta na íntegra:

 

Livro ilustrado = texto + ilustração

Os livros atualmente editados no Brasil, em particular aqueles ilustrados, têm colhido elogios. O segmento editorial brasileiro tem oferecido aos leitores um montante considerável de obras bem cuidadas, projetadas e caprichosamente ilustradas. A força da literatura brasileira tem sido reconhecida em todas as praças, inclusive nos eventos literários internacionais – Bogotá, Frankfurt, Bolonha, Caracas – e  ainda mais destaque adiante terá – em Paris, Londres e Nova York, segundo se diz – já a partir de 2015. Um desempenho notável, em boa parte justificável pela qualidade editorial e pela excelência das ilustrações pelas capas e no miolo de livros para públicos diversos.

Já há algum tempo, na lista fechada da Sociedade dos Ilustradores do Brasil, temos discutido contudo sobre alguns pontos controversos. Muito embora haja consenso em torno do mérito, na prática, detectamos a necessidade de ajustes finos nos contratos que assinamos com as editoras e nos critérios de análise crítica destinados ao objeto livro ilustrado. A maioria concorda que uma obra literária contemporânea, quando ilustrada com generosidade, é fruto do enlace autoral entre duas expressões: a palavra e a imagem. Muitas vezes ousando alternar distanciamentos e aproximações furtivas. Recursos que se cruzam, por vezes se bicam, e também se afagam. Tanto faz o tom dessa relação íntima. A condição de autor é também hoje – tanto para o escritor quanto para o ilustrador – um pressuposto burocrático obrigatório nas inscrições de obras ilustradas em editais e vendas especiais.

Algumas ilustres reflexões sobre o Jabuti e outros prêmios literários.

A despeito disso, persiste um certo desconforto entre ilustradores e escritores com relação aos critérios seletivos aplicados (ou não aplicados) à ilustração por alguns dos mais consagrados concursos literários do país. Focamos aqui o tradicional Prêmio Jabuti, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Literário Fundação Biblioteca Nacional, da respectiva instituição (FBN) e o Prêmios Literários da Academia Brasileira de Letras. E realçamos, como um contraponto positivo, a perspectiva da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, que há anos certifica obras em categorias bem estruturadas e a partir de critérios mais assertivos e mais justos. Que fique claro: antes deste dossiê, muitos colegas já enviaram seus questionamentos aos organizadores dos primeiros dois concursos citados. Procuramos apurar as respostas, no entanto, não logramos obtê-las.

Decidimos enviar esta carta aberta aos representantes da CBL, da FBN e da ABL, bem como tornar público o debate, com o intuito de obter respostas e esclarecimentos sobre os pontos relevantes logo abaixo discriminados, que foram levantados por diversos colegas ilustradores:

Prêmio Jabuti

Entre as categorias, registramos as seguintes questões (vide categorias):

categoria_Melhor Capa

Esta categoria deve assegurar que todos os colaboradores criativos sejam citados. Embora o prêmio seja conferido ao designer responsável, que assina o projeto gráfico, a participação autoral do colaborador – muitas vezes bastante significativa – precisa ser registrada.

categoria_Melhor Livro Infantil

Aqui há mais um problema substancial. O livro ilustrado remete à sinergia da canção popular. O texto está para a letra, assim como a ilustração está para a música. Nos melhores momentos, uma dimensão é indissociável da outra. Ou seja, o “Melhor Livro Infantil” resulta da combinação entre as duas abordagens narrativas. Ambas precisam ser reconhecidas nos livros mencionados. Fosse para julgar apenas o conteúdo de texto, o regulamento deveria solicitar aos concorrentes que submetessem ao júri tão somente o conteúdo de texto original.

categoria_Melhor Livro Juvenil

Nesta categoria, em geral, a contribuição autoral do ilustrador tende a ser menos significativa. Se sua participação for excepcional, mais relevante que de hábito, adequado nos parece premiá-lo também. Assim como na categoria supracitada, o conteúdo de texto é que deveria ser avaliado, desacompanhado de projeto gráfico e ilustrações.

NOSSAS SUGESTÕES:

> Para contornar os aspectos acima mencionados, em vez das quatro atuais sugerimos sete categorias:

Melhor Texto de Literatura Infantil (a contemplar somente o texto)

Melhor Texto de Literatura Juvenil (a contemplar somente o texto)

Melhor Livro Infantil (a contemplar texto e ilustração)

Melhor Livro Juvenil (a contemplar texto e ilustração, quando devido)

Melhor Ilustração (a contemplar somente a ilustração nos livros adultos)

Melhor Ilustração de Livro Infantil (a contemplar somente a ilustração infantil)

Melhor Ilustração de Livro Juvenil (a contemplar somente a ilustração juvenil)

> Além disso, também recomendamos que especialistas em texto e imagem na literatura infantil e juvenil sejam sempre convidados a integrar a comissão julgadora.

Prêmio Literário Fundação Biblioteca Nacional

Neste concurso promovido pela FBN muitos estranham a ausência de pelo menos uma categoria relacionada à ilustração, pelos motivos já mencionados. Premia-se o projeto gráfico, por um lado. Mas a produção autoral de ilustração, que nos parece também significativa do ponto de vista da contribuição literária, não é contemplada. É no âmbito da literatura infantil e juvenil, sublinhamos, que ocorrem as mais ousadas experimentações de linguagens, as mais criativas arquiteturas poéticas e sintaxes cruzadas. O público leitor, de todas as idades, é mais amplo, permeável e entusiasmado. Os livros ilustrados também são mais expressivos estatisticamente, tanto na produção, quanto no reconhecimento crítico e nas vendagens. Daí o nosso questionamento.

Ilustríssimos representantes da Câmara Brasileira do Livro, da Fundação Biblioteca Nacional, da Academia Brasileira de Letra e de outras instituições organizadores de prêmios e concursos, o debate está aberto. As suas considerações podem ser enviadas para o email contatosib@sib.org.br aos cuidados do Conselho da SIB. Estamos ansiosos por recebê-las. Participem.

Prêmios Literários da Academia Brasileira de Letras

A Academia Brasileira de Letras também contempla escritores de diferentes gêneros literários, inclusive os de Literatura “Infantojuvenil”, mas ignora a coautoria narrativa dos ilustradores. Tanto o escritor quanto o ilustrador merecem receber, quando devido, o Prêmio ABL de Literatura “Infantojuvenil”. Questionamos também a expressão, grafada aqui entre aspas, porque há um problema de critério. É preciso discriminar a Literatura Infantil da Literatura Juvenil, como há tempos recomendam inúmeros autores e especialistas brasileiros e estrangeiros. Lembramos que muitos eventos, fóruns e festivais pelo mundo têm evidenciado a sinergia autoral cada vez maior entre textos e imagens na produção de obras literárias contemporâneas.


renato guedes salta dos quadrinhos para as telas em são paulo
Comentários Comente

Orlando

imersao-02

é cada vez maior o número de desenhistas que volta ao papel, ao sketchbook, às tintas, pincéis, bico de pena e nanquim.
e é crescente o número de artistas que se atiram rumo às tintas, telas e formatos grandes. são artistas cansados dos limites que o trabalho comercial impõe e, mesmo que continuem trabalhando profissionalmente e cumprindo prazos, dedicam parte do seu tempo a pesquisar novas/velhas técnicas.
renato guedes, reconhecido quadrinista, mestre na arte de fazer heróis serem cada vez mais heróis é um desses.
abre hoje a exposição “imersão'' que traz telas em formatos gigantes e com personagens vivos, melancólicos e cheios de esperanças e dores.
abaixo, entrevista com o artista santista:

blogdoorlando – renato, conte um pouco de seu início de carreira e de como começou a publicar fora.
Renato Guedes - Comecei como ilustrador. Fiz muita publicidade, ilustração editorial e fazia mil trabalhos ao mesmo tempo. Mas queria trabalhar com quadrinhos e concentrar minha carreira aí. Então procurei o estudio Art & Comics, que faz o agenciamento de artistas e contato com as editoras americanas. Preparei um portifolio e logo nos primeiros meses consegui meu primeiro trabalho que foi a adaptação da série Smallville para quadrinhos. Trabalhei entre DC Comis e Marvel Comics por 13 anos.

01

blogdoorlando – durante esse período vc tinha outras atividades com desenho? algum hobby fora dele?
Renato Guedes – O meu hobby sempre foi fazer minhas próprias coisas, meu próprio material, seja estudando desenho, pintando e até mesmo brincando um pouco com escultura. O problema que a indústria de quadrinhos demandava todo o meu tempo e nunca consegui ter uma atividade paralela regular.

blogdoorlando – quadrinhos demandam um tipo de paciência diferente do da pintura. fale um pouco sobre isso.
Renato Guedes - Sem dúvida! Principalmente por que a produção de quadrinhos se tornou muito industrial com pouco compromisso com a parte criativa. O ritmo é enloquecedor, os prazos massacrantes e as decisões editoriais que limitam a criação do artista. Então a pintura me serviu como uma válvula de escape em toda essa chateação. Fazer algo que eu gosto, desfrutar o processo e ter um trabalho 100% meu, encontrei na pintura. Uma paixão e também de certa forma uma terapia. Pintar, mexer com o material e poder desenvolver um trabalho sem aquelas interferências editoriais que tanto me chateavam.

02

blogdoorlando – a pintura, de certa forma como o cartum e a charge, deve resolver a idéia num quadro só….
Renato Guedes -  Talvez a charge e o cartum precisem fechar uma idéia mais precisa, ser resolvida de forma mais direta. A pintura acho que tem um limite maior de deixar a idéia aberta, muitas vezes apenas sugerida. Acredito que a maneira de compor e chegar ao resultado final dessa idéia e composição, sim, sejam bem parecidos na hora de criar um cartum e/ou uma charge.

03

blogdoorlando – antes de começar a pintar vc esboça no papel ou faz tudo direto ba tela?
Renato Guedes - Geralmente faço um estudo prévio. Muitas vezes um estudo a lápis, um estudo digital de cores e outras vezes um croqui de pintura. Mas prefiro não manter um processo para não me cansar, não me entediar. O processo vai surgindo junto com a idéia e o que pede a pintura e sua composição.

04

blogdoorlando – tem essa opção por figuras solitárias e melancólicas, mulheres bem torneadas. o quanto o quadrinho ainda influencia sua pintura?
Renato Guedes - A influência do quadrinho acho que é muito pouca. Obviamente, 13 anos de mercado americano, de quadrinhos me ajudaram muito no ritmo de trabalho, principalmente na rapidez para compor. Creio que a escolha de ângulos, esboço e até a maneira de trabalhar a luz de uma maneira dramática que me agrade trago da experiência dos quadrinhos. Porém procuro não me pautar na hora de pintar. A idéia é pouco a pouco ir desconstruindo meus processos.

blogdoorlando – e a opção pelos grandes formatos?
Renato Guedes - Quanto aos formatos também acho que é outra maneira de não me limitar. Extrapolar as pinceladas e ter uma área maior para trabalhar me deixam mais livre na hora de trabalhar. Ajuda muito no gestual. O dificil é reduzir o formato! É cada vez maior, vira uma obsessão.

05

blogdoorlando – vc gosta de futebol, né?
Renato Guedes - Gosto muito. Já fui mais fanático mas sou um apaixonado por futebol. E como bom santista, acostumado com craques como Pelé, Pepe, Coutinho, Robinho, Neymar, admiro o futebol bem jogado. O mais irônico é que nesse mundo dos quadrinhos quase ninguém gosta de futebol, samba, etc… eu sou totalmente o oposto!

 

 

serviço:
Exposição “Imersão”
Abertura: 22.07.2014
a partir das 19h
de 22.07.2014 a 16.08.2014
Horário: de segunda a sábado, das 10h às 19h
Galeria Ornitorrinco
Av. Pompéia, 520 – São Paulo – SP
Tel.: (11) 2338-1146
Site: www.galeriaornitorrinco.com.br
E-mail: contato@galeriaornitorrinco.com.br
preços sob consulta

Renato Guedes
www.facebook.com/RENATOGUEDES.art

 

 

 

 

 


johnny winter me deu uma das maiores lições da vida
Comentários Comente

Orlando

DSC_0186

o lendário guitarrista johnny winter morreu ontem de causas não reveladas em um hotel em zurique, na suiça.
ele estava em meio a uma turne pela europa e se apresentaria nos próximos dias no canadá.

nunca fui um grande fã ou conhecedor de blues mas tinha amigos que sim e que me emprestavam seus disco na década de 70.
minha história com johnny winter acontece no ano de 1983 no também lendário hammersmith odeon, em londres. bandas como duran duran lotavam os teatros da cidade mas londres é uma cidade que abriga fãs de todos os tipos.
por curiosidade, comprei os ingressos e lá fomos nós.
a abertura foi feita por um power trio heavy metal. garotos de 20 e poucos anos que explodiam seus hormônios ainda frescos em saltos, piruetas, muito barulho, caras, bocas e pouca música.
eram, pelo menos, esforçados.

no show principal, o artista texano entra no palco acompanhado somente de seu chapéu preto de cowboy.
pernas dobradas, frágil, parecia que iria cair de tão franzino.
ovacionado pela platéia, faz um ok, a banda entra e um roadie vem pendurar a guitarra em seu pescoço.
a partir dali, tive uma das maiores lições de minha vida.
o guitarrista não mexia nada além de seus punhos e dedos. era quase uma estátua albina mas o som era de uma clareza, velocidade e força hipnotizantes.
ele não precisou fazer caretas, saltar, nem chacoalhar a cabeleira. a música acontecia em algum outro lugar, dos punhos pra frente.
a economia de energia fazia contraponto com as centenas de decibéis que saiam de sua palheta.

saí dali com a certeza de que não precisamos gastar nem desperdiçar tanta energia para fazer o que fazemos.
nunca achei que tantos anos depois estaria eu aqui escrevendo sobre isso.
resta agradecer o toque. obrigado, johnny.
b. good!


sétima economia, festa de primeira, futebol de segunda, penteados de quinta
Comentários Comente

Orlando

Barbeiro 72

um lance de sorte ou um vacilo pontual pode decidir uma partida.
o jovem atacante mario götze, num raro lampejo, matou a bola no peito e estufou a rede argentina dando a vitória à seleção tedesca.
equilibradíssima, o jogo caminhava para a disputa nos penaltis.
é verdade que a argentina pressionou mais, teve mais chances mas o futebol não foi inventado para ser justo. há uma enormidade de variantes que podem influir no resultado.
são pelo menos 22 jogadores em campo, há o juiz, os bandeirinhas, os técnicos, o gramado, o calor, a chuva, a torcida.
cada um desse itens pode influenciar no resultado final.

mas há outro ponto: o preparo.
o brasil fez a copa daquele jeito que vimos e acabou por dar certo. quer dizer, o básico que tinha que funcionar, funcionou.
além disso, fez o que sabe fazer de melhor: festa.
talvez nenhum outro país tenha a competência de improvisar tanto e mesmo assim impressionar seus visitantes.
é claro que o turista chega aqui aberto à caliência latina e, nesse ponto, entregamos o que vendemos.
foram 31 dias de pleno carnaval e quem veio se fartou.

resta agora o outro balanço, aquele mais difícil. fazer contas, terminar obras, varrer a sujeira e repensar como o país realiza seu projeto.
felipão era uma unanimidade. a escalação também. tínhamos tudo para dar certo menos um meio de campo e times que fizessem corpo mole.
a fase de grupos foi eletrizante.
os esquadrões colocaram toda sua energia na tentativa de classificação e ofereceram jogos com um grau de adrenalina incomum em nossos tempos tão racionais.
uruguai e inglaterra é um jogo que qualquer profissional da bola deveria assistir duas vezes ao dia até a próxima copa.
garra, técnica, tática, lealdade.
mas o futebol não foi inventado para ser justo e os dois foram para casa.
aliás, se fosse justo, sobrariam holanda e alemanha na final.
a argentina fez uma campanha arrastada e sem brilho mas deu sorte.
na final, botou as garras de fora e quase entornou o chucrute dos alemães.
são argentinos.

agora, procura-se os culpados como se culpados houvesse.
existem, isto sim, responsáveis. existem aqueles que ainda acreditam que conseguem fazer tudo na base do improviso.

estamos há um ano e meio das olimpíadas no rio.
como sempre, as obras estão atrasadas. vão ficar prontas? provavelmente.
mas daquele jeito, na correria, no super-faturamento, sem licitação, morrendo um operário aqui e outro ali.
enquanto isso, nossos atletas continuam treinando descalços e nossos medalhistas correndo atrás de patrocínio.
não há uma notícia de que nesse tempo todo governo e empresas tenham criado escolas e polos de formação de novos atletas.
corremos o risco de continuarmos com aquele número minguado de medalhas e muitas matérias de superação nos jornais de esportes.

se houve uma insatisfação generalizada antes da copa, parece que foi por ter ficado tão claro o como as coisas são feitas no brasil.
acabou a água de são paulo. é verdade que a estiagem é gigante mas também é verdade que não existem investimentos nessa área há décadas.
escolas e hospitais esperam por um dinheiro que vai ficando pelo meio do caminho absorvido pela burocracia e corrupção da máquina.
dinheiro há mas ele não chega ao destino.

hora de repensar o país, hora de pensar em como exigir mais daqueles que pedem nossos votos, hora de se fazer um novo projeto de nação e isso pode ser bem difícil e doloroso.
a outra opção é continuar a fazer festa e continuar inovando nos penteados.
festa sabemos fazer bem, penteados nem tanto.

 

 

 

 

 

 

 


brasil x alemanha
Comentários Comente

Orlando

sorry, folks, pelo atraso.
sem internet desde ontem.
a gerência agradece a compreensão.

 

7 x 1 - 72


todo mundo tem um amigo itaipava
Comentários 1

Orlando

então, tá.
a copa está aí firme e forte e os amigos combinam de assistir ao jogo na casa de um deles.
trabalhar meio expediente ou nenhum dá na mesma. a economia do país sobreviverá a mais esta semana e isso nos faz pensar no porque trabalhar tanto no resto do ano.
sempre dá tudo na mesma.
quem tinha que roubar já roubou, quem tinha que faturar já faturou, daqui a pouco tem campanha política. 2014, só em 2015 mesmo.
este ano já era.

mas, voltemos a nossos amigos.
marcam de se encontrar duas horas antes do jogo.
faz sentido. saco vazio não para em pé e o combinado era que cada um trouxesse um belisco e cerveja.
amigos se dividem em três categorias: os que chegam muito antes do combinado, os que sempre chegam atrasados e aqueles que ficam mandando torpedos dizendo que fica pra próxima.
existe um outro tipo de amigo que não se enquadra necessariamente nessas categorias.
é o cara que traz itaipava. quente, claro.
ele chega todo feliz e pergunta onde põe as 12 latinhas que trouxe. assim que abre a geladeira, avista algumas stellas artois na primeira prateleira.
coloca as itaipavas no fundo do refrigerador para – hum, hum – gelarem mais rápido e já pega a primeira garrafinha.
conforme os amigos vão chegando com outras stellinhas, heinekens e, quem sabe, alguma marca belga, nosso itaipaveiro vai ficando cada vez mais seletivo e já não sossega até puxar para si a responsabilidade de abrir aquela cachaça mineira ou um 12 anos que estavam no armário da sala.
podemos pensar no porquê de ele fazer isso e achamos a resposta na propaganda da outra marca: porque sim.
porque sim. as outras cervejas são muito melhores e a que ele trouxe ainda está quente. não é por maldade.
enquanto reclama que a vida está dura, que a economia não anda, que falta trabalho, nosso amigo deixa suas itaipavas em repouso absoluto no fundo da geladeira.
não sem antes elogiar o queijo que não trouxe.

ele conta piadas, xinga o juiz, não acredita no gol perdido, diz que precisamos nos encontrar no próximo jogo pra manter a sorte.
antes de ir embora vai até a geladeira, olha todas as prateleiras.
só ficaram as itaipavas.
pega duas latinas da breja que trouxe. para tomar no caminho de volta – diz ele – mas que vai deixar as outras.

obrigado, amigão.

 

 

 

 

 


edu grosso expõe paisagens e delicadeza sobre tela em piracicaba
Comentários Comente

Orlando

nem vou falar muito. edu grosso é um artista e tanto. um desses talentos que vc admira pelo trabalho e pela pessoa.
pelo trabalho porque ele desenha muito, tem um humor fino, delicado e contundente. não bastasse isso, é um desses tipos que quanto mais quer ficar invisível, mais aparece.
tímido, voz baixa, ponderado faz de tudo para que vc se sinta bem enquanto ele faz de conta que não está ali.
fora isso, pinta. e muito.
paisagens desfocadas, melancólicas, com cores pastéis e quase geométricas.
o cartunista e o pintor dividem a mesma sensibilidade e o mesmo rigor mas enquanto um lida com a realidade, o outro – o pintor – se deixa levar pelo lúdico, por paisagens tranquilas e delicadas.
hoje, sexta-feira, ele abre sua exposição com 22 telas na galeria art collection, em piracicaba.
se eu pudesse, comprava todas!

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

blogdoorlando – seu desenho teve sempre um apreço pelo gestual. como vc começou a perceber seu traço?
Edu Grosso – De maneira intuitiva. Essa coisa do gestual, da emoção e intensidade foi sempre presente no processo de meu trabalho. Uma febre de fazer e refazer, apagar, pintar por cima de tudo… várias vezes. Pintar e desenhar são ofícios diários que exigem paciência, pesquisa e estudo constante, de todo tipo: leituras, oficinas, conversas. Precisa disposição para experimentar sempre.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

blogdoorlando – nos anos 70, cartunistas buscavam um certo purismo no traço e isso foi de certa forma se perdendo. onde vc se encaixa?
Edu Grosso – Evito pensar onde me encaixo, não consigo definir. Gosto da síntese. Acho que serve tanto para cartum e pinturas. É preciso um trabalho constante em busca de satisfação e coisas diferentes, que estão sempre mudando. Se o trabalho tem verdade ele aparece.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

blogdoorlando – por outro lado, muitos cartunistas criaram uma resistência com relação às artes plásticas. vc parece muito à vontade. quando vc começou a pintar?
Edu Grosso – Esta dúvida não tem sentido. Fazer desenho de humor não deve inviabilizar o desejo de fazer pintura. As duas coisas – e muitas outras – podem se completar. A história esta cheia de exemplos clássicos – Leonardo, Monet, Daumier, Ziraldo etc. etc., que fazem de tudo ao mesmo tempo. Tudo é permitido… principalmente experimentar.
Piracicaba tem uma tradição muito forte na pintura de paisagens. Quando criança copiava e pintava com lápis de cor e guache personagens dos quadrinhos. Os cadernos da escola viviam cheios de ilustrações, principalmente os de história. Na adolescência passei a ter aulas com o pintor piracicabano Alberto Thomazi, nesta época (1974), fiz as primeiras pinturas junto com um bom aprendizado de desenho de observação.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

blogdoorlando – vc usa que tipo de material?
Edu Grosso – Atualmente mais a tinta acrílica sobre tela ou Duratex. As vezes junto o nanquim, colagem de papel. Hoje existem algumas tintas industriais – o esmalte acrílico a base de água – que costumo usar bastante. Isto começou numa época que junto com um amigo pintávamos grandes painéis para cenários de teatro e ballet. Como utilizo grandes camadas e gasto muita tinta este material tem um bom rendimento. Também utilizo aqueles corantes líquidos nas cores básicas.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

blogdoorlando – e há um interesse especial pelas formas geométricas apesar de não haver um rigor nas linhas.
Edu Grosso – Sim. A busca de simplificação que leva a uma certa geometrização. Como disse é um processo bastante intuitivo. Isto tudo – este conteúdo expressivo, essa maneira de ver e discursar – faz parte de um rio volumoso que já vem de longe: expressionistas, Morandi, Bonadei, Volpi, Pancetti, Adamoli e muitos outros.

Pintura 13

blogdoorlando – o seu cartum prima por um forte contraste do preto e branco enquanto suas telas tendem para cores pastéis. por que essa diferença?
Edu Grosso – As opções foram acontecendo. Gosto do desenho em preto e branco usando traços no pincel e na pena. Do outro lado os tons baixos, aquela luz de quase noite ou comecinho do dia, me perseguem e satisfazem. Além disto uma melancolia e contemplação silenciosa. Por que essa diferença? Não sei dizer exatamente. Tenho algumas pinturas em variações de uma mesma cor.

 

serviço:
edu grosso pinturas
abertura: 27 de junho de 2014
a partir das 19h
de 28.06 a 16.07
Art Collection – Escritório de Arte
Rua Dr. Alvim, 822 – Piracicaba – SP
tel: 19 3371 8594/9783 5369
preços: de R$2.500 a R$4.500

 

 

 

 

 


euforia da copa desafia o fantasma dos prazos
Comentários 2

Orlando

hoje, quase 100% dos ilustradores e cartunistas são profissionais liberais. são os free-lancers ou, simplesmente frilas.
o primeiro grande desafio desses profissionais é se manter num mercado cheio de altos e baixos, de inconstância e armadilhas.
o segundo, abrir novas frentes de trabalho com a ajuda de uma bola de cristal que nem sempre aponta saídas muito nítidas. como sabemos, hoje todos têm que ser criativos, ser o próprio patrão, o rh, o rp, o financeiro, o almoxarifado, o cuidador do acervo e poraí vai.

aí é onde entra o maior de todos os desafios: a disciplina.
sair da cama, em determinados dias, pode ser uma luta para vários hércules e se cumprir prazos uma cruzada sangrenta e tenebrosa.
o prazo… nosso fogo amigo diário.

eu sempre brinco que prazo foi feito pra ser furado. na maior parte dos casos vc sabe que não vai conseguir entregar o trabalho a tempo e, ainda, sabe que o cliente puxou um pouco a data para trás para se garantir. um joguinho de “me engana que eu gosto'' absolutamente normal e de aceitação mútua.
mesmo assim, o prazo não deixa de ser um fantasma com quem devemos conviver diariamente.
“bom dia, fantasma. só vou dar mais um cochilinho e juro que levanto!''. “boa noite, seu fantasma. só vou tomar uma brejinha ali com uns amigos e já volto para a prancheta! juro!''.
e volta nada.

ser o próprio patrão, em muitos casos, quer dizer ter muitos patrões. vários clientes cobrando aqueles trabalhos que vc, num momento de insanidade, achou que poderia pegar ao mesmo tempo e que, claro, daria conta.
quando o fantasma encosta a mão em seu ombro, o misto de medo, arrependimento, ódio e angústia nos levam para aquela floresta repleta de cipós e areia movediça.
por isso, a disciplina pode ser, além de um mérito profissional, sua tábua de salvação.

esse é um assunto recorrente no meu dia-a-dia mas muito mais agora.
#vaitercopa. aliás, já esta tendo e o meu dilema aumentou e muito.
à parte todos as controvérsias, empreiteiras, super-faturamento, politicagens e obras inacabadas, a copa está sendo um sucesso e um sucesso pelo que mais interessa ao torcedor: o futebol.
jogos vibrantes, jogadores com garra e muitos gols.
aí, fica difícil, se não impossível, cumprir qualquer prazo.
se bobear, o cristão fica na frente da tv das 12h45 até 21h15, emendando um jogo no outro.
às 21h30 que vc vai pensar em começar a trabalhar?
não, né?
vc jura que no dia seguinte vai levantar mais cedo e tirar o atraso.

certamente esse não seja só um dilema de profissionais do traço. todo mundo acaba sendo afetado por certa euforia que a copa causa. médicos, diaristas, lojistas ou motoristas de ônibus.
o fato é que depois de uruguai e inglaterra, depois da costa rica despachar a itália, da frança meter 6, o julio cesar me preocupa, o fred me preocupa, o hulk me preocupa e este trabalho aqui que eu deveria estar entregando hoje não me preocupa nada