Blog do Orlando

artista argentino carlos nine foi um dos maiores de sua geração. e se foi.
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Orlando

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neste sábado, 16 de julho, morreu carlos nine, provavelmente de pneumonia.
argentino de haedo, província de buenos aires, nine era um dos mais importantes e talentosos artistas de sua geração.
com um trabalho quase barroco, cheio de rococós e fantasia, se destacou por suas capas para a revista humor e por seus desenhos para co&co, notícias e para o diário clarin.
publicou com grande destaque na itália, espanha e, principalmente, na frança. por isso, mesmo em buenos aires, talvez seja muito mais fácil encontrar seus trabalhos nas estantes dos internacionais do que nas dos argentinos.
aqui no brasil, inacreditavelmente, não há nada dele traduzido e publicado mesmo tendo recebido inúmeros prêmios como o alph-art e o konex de platina.

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seu trabalho não era de fácil classificação. fala-se em neo-figurativo mas pode ser pouco perto do que ele fazia. o acabamento perfeito transformava seus personagens volumosos e deformados em seres de outra dimensão.
pin-ups, dançarinos de tango, cafajestes, animais, mulheres com grandes seios e muitas curvas compunham seu universo particular em cores sóbrias e ocres seja nas ilustrações, seja nos quadrinhos, animações ou esculturas.
veio ao brasil muitas vezes, expôs no museu do trabalho, em porto alegre e deu sua visão da cidade no livro da coleção cidades ilustradas, da editora casa 21.

Porto Alegre - Nine
nine vinha enfrentando problemas de saúde já faz um tempo especialmente um descolamento de retina que abria a possibilidade de ele ficar cego. convidado a vir participar de um evento em são paulo, disse ironicamente, que talvez tivesse que passar se dedicar somente à escultura.
sua morte abre uma lacuna imensa nas artes gráficas. carlos nine era um monstro! único e inimitável.
fará falta como mostram os depoimentos abaixo.

“Uma das coisas boas de ter vivido 38 anos no Rio grande do Sul foi a proximidade com a cultura do Rio da Prata. Uma prova disso foi o conhecimento precoce  da obra magistral deste grande artista, o Carlos Nine. melhor ainda, travar relação de amizade com este autor no seu próprio'' habitat “, naquela cidade maravilhosa que ajudou a gerar seu universo. Pra melhorar, tempos  depois – por conta de festivais como o FIQ  – reencontra-lo em território brasileiro.. Tive esse privilegio, o que me faz pensar como tem feito  falta este tipo de encontro ainda mais que esses grandes estão partindo para um lado mais nobre da galáxia. Um grande brinde a um talento ímpar, que ainda por cima  retratou minha Porto Alegre na Coleção Cidades Ilustradas da Casa 21. Salud amigo!”
Guazzelli – Quadrinista e Ilustrador

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“Não consegui conhecer o Nine pessoalmente quando esteve aqui, nos anos 90, numa exposição bi-nacional que o Paulo Caruso organizou.
Mas conheci seu trabalho, seu traço endoidecido de tanto gozo. Foi o que me pareceu.
Ele tem um filho, que carrega bastante desse modo de desenhar dele.”
Laerte – Cartunista

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“O Carlos Nine é daquelas pessoas especiais com um talento imenso mas com um coração, generosidade e simpatia maiores ainda. A primeira vez que falei com ele foi em 2009 por causa de uma entrevista para a Revista Ilustrar. Foi amizade instantânea. Para mim era até estranho como uma estrela daquela grandeza era ao mesmo tempo tão simples e afetuoso. Sem falar de um talento único, que vai deixar uma lacuna enorme nas artes.''
Ricardo Antunes – Ilustrador e Editor

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“Conheci pessoalmente Carlos Nine em 2003 ou 2004 (entre 2001 e 2005 não lembro de quase nada, desculpem) num FIQ. Participamos de uma mesa juntos. Amabilissimo, muito gentil e chocantemente humilde. Vejo moleques que começaram a desenhar ontem  1000 vezes mais arrogantes que ele, um verdadeiro monstro das artes gráficas. Deixou um legado enorme e infelizmente ainda não editado no Brasil. A corrigir.”
Allan Sieber – Cartunista

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Em junho passei dez dias em Buenos Aires e fiz contato com a esposa do grande Carlos Nine para uma visita e ela gentilmente respondeu que Carlos estava muito envolvido com exames médicos cardiológicos . Preferi imaginar que fosse esses check ups de rotina que todos nós sexagenários precisamos.
Pois no sábado dia 16 de julho fiquei sabendo que havíamos perdido simplesmente um dos maiores artistas gráficos do mundo.  Quando passou por uma cirurgia de descolamento de retina, disse que corria o risco de ficar sendo apenas escultor (nessa ocasião mandei-lhe uma mensagem de boas vindas ao Clube dos Desenhistas Retino-Descolados do qual faço parte há trinta e oito anos!!!).
Infelizmente hoje não temos nem o escultor nem o soberbo desenhista.
Santiago – Cartunista

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“Tive o prazer de visitá-lo algumas vezes em Buenos Aires.
Atencioso, me esperou com uma bandeja cheia de medialunas.
Nine era filho de ferroviários e construiu uma pequena estação de trem no pátio de sua casa em homenagem aos pais. Figuraça.
Lucas seu filho herdou o DNA do pai em toda a potência. O traço dele é bem parecido.
Uma vez fui visitar Sábat na redação do Clarin e comentei que tinha ido visitar o Nine.
Sábat comentou algo de uma inveja que tinha do jeito que o Nine desenhava.
Inveja boa, claro.
No mais, conheci o traço do Nine na velha Fierro.
Sempre me encantou''
Adão Iturrusgarai
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Un artista inmenso , un clasico en nuestros dias , un genio.
Cristobal Reinoso, o Crist – Cartunista
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“Conheci o Nine em 2005. Antes, era pra mim apenas um gênio da composição gráfica e da aquarela. Depois, passou a ser, também, uma referência de fidalguia, humildade e genialidade. Quem fez contato com ele certamente ficou marcado por bons sinais que vão vindo à tona ao longo do tempo. Nine é 10!”
Bier – Cartunista

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“Uma das características das grandes obras de arte é, em primeiro momento, causar-me um profundo estranhamento. Com Nine foi assim: a primeira vez que vi seus quadrinhos, tomei um baque pelo estilo estranho de caricaturização que tinha seus desenhos. Logo depois, fui absorvendo – ou melhor, sendo absorvido – pela forma que mesclava um profundo conhecimento clássico com uma visão absolutamente original, trangressora. Um dos gênios contemporâneos que mais me influenciaram. Tivemos, aqui em Porto Alegre, a sorte de ele nos visitar algumas vezes e poder curtir momentos muito bacanas ao lado desse gigante.”
Rodrigo Rosa – Quadrinista

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“tô muito chateado pra ficar escrevendo o quanto ele era legal, o impacto que, quando vi o desenho dele pela primeira vez, essas coisas que a gente escreve sempre que morre um desenhista que não precisava morrer.”
Fabio Zimbres – Artista Gráfico

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“Entrei em contato sua obra no início dos anos de 1990 e, imediatamente, seu trabalho me influenciou. Graças a um exemplar da revista Fierro, posso dizer que sou amigo íntimo dele. Hoje o mundo fica menos colorido, mas seu legado está aí para encher os olhos dos que ficaram.''
Marco Jacobsen – Cartunista

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Carlos Nine e seu filho Lucas NIne, também ótimno desenhista, vieram ao Rio para a II Bienal Internacional de Quadrinhos. NIne pai trouxe uma exposiçao com originais belíssimos. Criava mágicas com guache. Levamos os dois, junto com o chargista argentino Críst, a uma apresentação de Milton Nascimento. Nine disse que ouvir MIlton cantar, ao vivo, fora uma das maiores emoções de sua vida.
Ricky Goodwin – Jornalista

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“O maior desenhista de humor do mundo. Concepção totalmente
original tanto da linha quanto da mancha, no p&b e na cor. Coisa
raríssima: equilíbrio perfeito entre a fluência do desempenho e a precisão
do resultado, com qualquer técnica, especialmente no nanquim e na aquarela.
A partir de agora, vamos ter q nos inspirar revendo o muito q ele nos deixou, pra olhar e ter imediata vontade de desenhar.”
Edgar Vasques – Cartunista

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“Como quase todo mundo sabe, o cara desenhava mucho…Mas o que eu queria ver de perto é a estação Venezuela da linha H do metrô de Buenos Aires, com alguns murais do Carlos Nine sobre a vida do músico de tango Osvaldo Fresedo…Ilustrações em formato gigante, ideais para deixar o tempo passar enquanto o trem não passa…”
Reinaldo – Humorista

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links úteis:
http://www.carlosnine.com/
http://cartoonando.blogspot.com.br/2010/07/carlos-nine-al-habla.html

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gordinhas e trans mudam de casa e continuam felizes
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Orlando

anos atrás produzi uma pequena série de gordinhas. isso deve ter sido lá por 2005/2006 se não me falha a memória.
deixei de lado e acabei retomando a série de outra maneira no final de 2015.
acabei por colocar uma meta e desenhar 150 delas.
não havia nenhuma outra intenção senão eu me divertir e, de certa maneira, mostrar o processo de construção do trabalho.
postei quase religiosamente, dia após dia, 149 delas.
nesse momento me deu vontade de oferecer (a mim mesmo, claro) um bônus de mais 50. me deu uma pena danada parar de desenhá-las.
levei quase duas semanas para fazer a #150, uma gordinha trans.

aí me lembrei que lá pelo final dos anos 80/início dos anos 90 eu havia feito, no intuito de montar uma exposição, alguns desenhos de trans. mulheres com pinto, homens com peito.
esses desenhos em formato grande estão dormindo em alguma mapoteca aqui mas não tive saco de ir atrás.
bem, acabei pensando que, ao invés de desenhar mais 50 gordinhas, eu podia seguir essa variante e, assim, comecei a postá-las na semana passada sem a obrigação de uma por dia. iria, como na primeira série, esperar ela tomar corpo (literalmente) e ver onde iria dar (no sentido figurado).
eis que hoje recebo de nosso amigo zuck um aviso de que em minha página havia material pornográfico inadequado para sua publicação.
eu nem esquento muito com isso. a empresa é dele e ele faz dela o que quiser. eu que sou o bicão na história.
por outro lado, sabemos que esse tipo de reprimenda é resultado de alguma denúncia e dói saber que, em pleno século XXI pessoas ainda se ofendam com peitinhos e pintinhos.
também aqui não cabe a mim decidir o que ofende ou não.
vivemos tempos estranhos em que vemos bruxas por todos os lados. tudo certo.
de minha parte, tô no lucro. publiquei 150 gordotas sem que ninguém me perturbasse e acho que muita gente também gostou.
vou continuar publicando minhas pintudas somente aqui no blog. 4 ou 5, uma vez por semana.
agradeço o carinho de todos. é sempre muito mais do que eu mereço.

 

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jouralbo sieber lança seu segundo livro e abre exposição aos 86, em poa
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Orlando

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“figura!” é que todos disseram quando contava que iria entrevistar jouralbo sieber. e ele é mesmo.
portoalegrense, mora com a esposa iolanda num prédio construído no mesmo terreno onde ficava a casa de madeira dos pais no bairro higienópolis.
o pai suiço veio fugido da europa não por causa da guerra mas por causa de uma mulher. fundidor, se aprumou em porto alegre e se casou com a brasileira emília.
emília, no entanto, era conhecida como jurema que o velho johann albert escrevia jourema e a junção de jourema com alberto pode ser uma explicação para o nome jouralbo.
meio forçado mas vamos tomar como verdade e está tudo certo.
aos 86 anos jouralbo tem uma memória invejável. lembra datas, nomes, situações. e dá gosto sentir o entusiasmo que tem ao contar sua vida, como começou a trabalhar aos 15 anos, como foi parar na editora globo aos 16, de ser o pintor mais jovem de porto alegre aos 18 e como aprendeu a desenhar letras e a viver da lida na prancheta.
vai emendando uma história na outra quase sem perder o fôlego e ri dos fatos como se estivesse contando tudo pela primeira vez.
figura!

Jouralbo HQ

jouralbo sieber

algumas desse amontoado de histórias se transformaram no livro “ninguém me convidou” lançado em 2010 e relançado em 2015. nesse volume, ajudado pelo filho allan, ele contou e desenhou boa parte de sua vida, façanhas e encrencas nas quais se meteu.
místico, esotérico, visionário, perseguido pelo número 7 (não à tôa o livro tem 49 histórias e será lançado no dia 21), jouralbo, depois do vazio do parto, pensou em reunir outras histórias e visões, só que não queria mais passar pelo perrengue de desenhar tudo sozinho (no que ele está muito certo, aliás).
novamente o allan vem em seu socorro e propõe juntar um time de desenhistas para dar vida ao livro.
allan procurou a cartunista cinthia b., que havia sido sua assistente anos atrás, para lhe ajudar com os roteiros e a coletar nomes de outros quadrinistas.
o time é grande e conta com nomes como rafael sica, rodrigo rosa, leonardo, mzk, fabio zimbres, santiago entre outros além, claro, dos editores e do próprio jouralbo.
o resultado de “o mundo segundo jouralbo'' ficou muito divertido.
para completar, será aberta, na mesma data, uma exposição no museu do trabalho que reúne pinturas a óleo, quadrinhos, layouts e artes finais produzidas para agências gaúchas entre 1950 e 1980.
abaixo, entrevista com o cartunista e agora editor allan sieber:

blogdoorlando – durante a conversa com jouralbo, o único momento que ele ficou mais sério foi quando perguntei sobre a relação de vcs dois. como era?
Allan Sieber – Não era. Não tínhamos quase nenhum contato. Meu pai era ligadíssimo ao meu irmão mais velho, Halex, até esse fugir de casa aos 15 anos (bons tempos em que a meta dos adolescentes era SAIR de casa, veja bem…). Aí, nas sua próprias palavras , ele preferiu não investir em outra relação com um filho que depois ía dar no pé. Ou seja: sempre sobra pra mim, desde a tenra idade.

Chiquinha

chiquinha

blogdoorlando – resgatar as histórias dele é uma forma de aproximação?
Allan Sieber – Sem dúvida o motivo maior foi uma tentativa de reaproximação. E além da curiosidade de conferir por inteiro histórias das quais eu só lembrava fiapos pequenos e curiosos. E na totalidade elas eram muito mais estranhas do que eu imaginava. E sou uma pessoa ligada a memória, sempre me interessei por isso, a vida das pessoas, sejam elas comuns ou não.

leonardo

leonardo

blogdoorlando – dessas histórias todas, o quanto vc acha que é verdade e o quanto é invencionice dele?
Allan Sieber – Você pode não acreditar, mas NADA é invencionice. Tudo aconteceu mesmo. Se você pedir para ele contar a mesma história 10 vezes ele vai enumerar os detalhes, nomes e números sempre da mesma maneira. E tem testemunhas. Não é como  o caso do “Peixe Grande'', o melhor filme do Tim Burton, na minha modesta opinião. Não temos lendas, temos fatos bem estranhos. E teorias.

rafael sica

rafael sica

blogdoorlando – e como foi o processo? ele mandava cartas para vc, né?
Allan Sieber – Muitas. Com textos manuscritos ou digitados e impressos. Eu ía juntando até formar uma massa de texto. Algumas escolhi para virarem quadrinhos, e nisso contei com a preciosa ajuda da Cynthia B. Outras deixei no livro como texto mesmo, ou como um diário, que permeia o livro.

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blogdoorlando – imagino que tenha ficado muita história de fora…
Allan Sieber – Bastante. Provavelmente daria para fazer outro livro nas mesmas proporções. Mas não sei se teremos saco para isso. O processo é lento e as vezes um pouco desgastante. Para mim foi pesado: tive que tratar com 42 desenhistas, organizar 49 HQs, mais textos e as ilustrações do próprio Jouralbo, depois com a ajuda do Fabio Zimbres dar um eixo para tudo. Foram uns 4 anos de trabalho intenso ao todo.

fabio zimbres

fabio zimbres

blogdoorlando – a religião é um assunto que sempre está presente entre vcs. como vc está lidando com isso?
Allan Sieber – Meu pai tem um interesse antropológico pela coisa, não sei até que ponto ele de fato acredita em alguma coisa. Ele considera que tudo é físico, as coisas acontecem por certas leis da natureza e pronto. Eu tive um passado adventista que quase arruinou minha vida. É engraçado falar de religião com meu pai, acho que ele tão cético quanto eu, ao seu modo. Mas nós dois nos sentimos atraídos pelo assunto religião .

fido nesti

fido nesti

blogdoorlando – ser pai fez enxergar o seu de forma diferente?
Allan Sieber – Sim. Me vejo talvez em situações que ele viveu e penso como ele reagiu. Puxei um lado explosivo dele, de quebrar coisas e ficar irritado até quase ter um AVC. Acho que talvez sou mais “doce'' que ele como pai. Mas veja bem, ele teve seis(!!)  filhos e sempre correndo atrás de grana, sem puxar o saco de ninguém, muito antes pelo contrário, então eu entendo que ele não tinha muito saco e tempo para alguns aspectos da paternidade. Mas sem dúvida ele foi um bom pai, mesmo que eventualmente distante. O exemplo que ele me dava trabalhando duro e correndo atrás das coisas sem choramingar, um estoicismo, isso ficou gravado em mim eternamente. São valores que procuro passar para o Max. A vida dura e a gente tem que correr atrás se a gente não nasce rico.

 

serviço:

Exposição: Jouralbo Sieber
Livro: “O mundo segundo Jouralbo”
Editora Mórula Editorial
Quadrinistas convidados André Valente, Bernardo França, Bruno Schier,
Chiquinha, Cynthia B, Daniel Carvalho, Daniel Og, Eduardo Belga,
Elenio Pico (Argentina), Eloar Guazzelli, Fabio Cobiaco, Fabio Zimbres,
Fido Nesti, Gabriel Fazzioni, Caeto, Gabriel Góes, Gabriel Renner,
Jaca, Jorge Alderete (Argentina), Koostella, Leonardo, Marina Barrocas,
Mateus Acioli, Matthias Lehmann (França), MZK, Pablo Carranza,
Pedro D’Apremont, Pedro Franz, Power Paola (Equador),
Rafa Campos Rocha, Rodrigo La Hóz (Peru), Rodrigo Rosa,
Romolo D’Hipolito, Sama, Santiago, Sergio Langer (Argentina), Stevz,
Suryara Bernardi, Wagner William, Jouralbo Sieber e Allan Sieber.

Dia 21 de junho de 2016
a partir das 18h30
Museu do Trabalho

Rua dos Andradas, 230
Centro Histórico, Porto Alegre
Terça a sábado das 13h30 às 18h30
Domingos e feriados das 14h00 às 18h30
(51) 3227 5196
museu@museudotrabalho.org

preço do livro: R$45

 

 

 

 

 
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ilustradora da revista piaui critica política brasileira, mas vota em trump
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Orlando

a revista piaui é uma referência para ilustradores e cartunistas. sempre bem editada consegue dosar textos massudos e enormes com uma edição precisa que mescla desenhos e fotos na medida.

arrojo que falta em grande parte das publicações brasileiras.

segundo cecília marra, editora de arte da revista, o modo de encarar a foto e a ilustração é o mesmo. precisam estar à altura dos textos que a revista publica. a piaui é uma revista de texto. Para certos assuntos a ilustração é um recurso mais adequado para seduzir para a leitura, pode acrescentar uma dimensão inesperada ao assunto da matéria, uma metáfora, um comentário. Muitas vezes uma foto pode funcionar como ilustração. e a revista é inspirada na new yorker que também valoriza muito o desenho.''

por suas páginas passam e passaram artistas como angeli, negreiros, caco galhardo, andres sandoval, reinaldo entre outros além de algumas dezenas de cartunistas estrangeiros.

mas o que tem virado polêmica são algumas capas produzidas por nadia khuzina, russa radicada na califórnia e, pasmem, apoiadora da campanha de donald trump à presidência.

para quem ilustra os políticos brazucas em situações críticas e constrangedoras, nada mais estranho do que apoiar um candidato de extrema direita.

ela é colaboradora da revista desde abril de 2012 quando fez a capa com o recém empossado tirano da coréia do norte king jong-un.

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procurei por nadia via facebook me apresentando e querendo saber se ela responderia algumas perguntas sobre seu trabalho com a piaui e sobre sua ligação com as questões brasileiras.

ela, de imediato respondeu que eu poderia mandar as perguntas mas que não garantiria retorno. “eu não sou realmente uma fã da mídia ou do jornalismo por mais estranho que isso possa soar.”

ok, ill try to be easy, respondi. e mandei seis perguntinhas.

a resposta veio de imediato: “sinto muito, não tenho nenhum comentário exceto que eu apoio donald trump (para a presidência dos eua) e se brasileiros não entendem o porquê de uma feminista, imigrante, a favor de igualdades apoiá-lo, é porque devem ter se esquecido de charlie hebdo  e nunca considerarem que se pessoas têm opiniões opostas isso não faz delas erradas sobre todas as coisas.”

uau!

insisti com as perguntas e o retorno foi zero.


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de outra parte, cecília marra e a direção da revista piaui foram absolutamente atenciosos e destacaram vários dos talentos da ilustradora.

“ela é formada pela academia de art e design de st petersburgo e tem um domínio técnico impressionante, é muito inteligente, muito rápida e tem senso de humor. não é difícil trabalhar com ela – salienta cecília.

“outro ponto é que ela, mesmo vivendo em outra realidade, procura sempre dar soluções mesmo quando minuciosamente pautada.”

e é verdade. muitas das capas são provocativas como colocar o presidente em exercício michel temer nu. o mesmo aconteceu com josé maria marin ou um beijo entre temer e cunha.

mas deixar claro que essas ideias saem prontas da redação. nadia executa – e bem – podendo ou não acrescentar um toque.

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está na banca mais uma obra de nadia. é uma paródia da capa do disco tropicalia ou panis & circensis concebida pelo artista plástico rubens gerchman em 1968 e que trazia, entre outros, caetano veloso, gilberto gil, tom zé, nara leão, mutantes e torquato neto.

na versão de nadia, esses personagens foram trocados pelos cardeais do governo temer e uma misteriosa boneca inflável ao lado de henrique meirelles.

golaço!

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“quando ela acaba e entrega um trabalho, não fala mais no assunto”, ressalta cecília.

isso talvez revele o quanto ela está descolada da política brasileira mesmo desenhando sobre isso.

por outro lado, suas breves respostas podem demonstrar que ela não está nem aí para política, mídia ou imprensa mas sim o quanto ela está engajada em uma única obsessão: levar trump ao poder.

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