Blog do Orlando

fábio moon e gabriel bá lançam adaptação de épico de milton hatoum em sp
Comentários Comente

Orlando

Dois-irmaos-capa

a ficção dois irmãos, do escritor amazonense milton hatoum, foi lançado em 2000.
trata-se da história de dois gêmeos, yaqub e omar, de origem libanesa e que vivem em manaus. hatoum também tem ascendência libanesa e nasceu na cidade.
o livro traz uma apaixonante história de conflito entre os dois.
fábio moon e gabriel bá são paulistanos e também gêmeos.
foram escolhidos pela editora companhia das letras para adaptar a saga para os quadrinhos. eles já haviam feito isso, com muita propriedade, com o conto o alienista, de machado de assis.
ao contrário dos irmãos criados por hatoum, eles não tem tantos conflitos, não se odeiam e consolidaram, juntos, uma carreira muito bem sucedida no mercado de quadrinhos nacional e internacional.
abaixo, entrevista com os dois sobre as dificuldades de se adaptar um livro denso e delicado como esse:

blogdoorlando – mais uma adaptação. agora, um livro de peso e não um conto. fora isso, um livro que tem uma cronologia que vai e vem.
qual o grande desafio?
Moon - Explorar em Quadrinhos essa narrativa não linear, esse fluxo de pensamento desordenado que comanda uma história que trata da memória dos personagens, foi o grande desafio. Na prosa, você tem todo o espaço do mundo para compor essa narrativa, você constrói com as palavras e a imaginação do leitor. Nós queríamos acrescentar uma nova camada, a dos desenhos, para recontar essa história sem perder a força ou a complexidade.
Bá - O livro é complexo, intenso, profundo, forte. E longo, não só pelas suas 266 páginas, mas por contar uma história que atravessa 50 anos da história de uma família, de Manaus e do Brasil. É um épico. O desafio era ajudar a contar este épico com as ferramentas que os Quadrinhos nos oferecem: cenas amplas, cenários bem trabalhados, desenhos impactantes, o silêncio que diz muito.

2irmaos-p110-111-porto

blogdoorlando – como vcs foram convidados para esse projeto? serem gêmeos pesou na escolha?
Moon - Pesou no convite, com certeza. O André (Conti, editor de quadrinhos na Quadrinhos na Cia.) nos fez o convite inicial durante a FLIP em 2009, num jantar oferecido pela Companhia das Letras, quando viu o Milton e a gente no mesmo espaço. Olhou para os três lá juntos e sugeriu: “não seria incrível se vocês fizessem uma versão em Quadrinhos do Dois Irmãos?'' O Milton abriu um sorriso, os seus grandes olhos brilharam, todo interessado. Como eu já tinha lido o livro, sabia que ia ser difícil, falei que era muito complicado, mas a semente já tinha sido plantada.
Bá - Depois de outro jantar na casa do Luiz Schwarz, onde ele mesmo perguntou o que achávamos desta ideia, mais uma vez na frente do Milton, eu decidi ler o livro e ver qual o tamanho do problema. Li e me apaixonei pelo problema, e paixão a gente não segura. Nada como um bom desafio para motivar o trabalho.

2irmaos-p008

blogdoorlando – vcs já conheciam o trabalho do hatoum?
Moon - eu já tinha lido o Dois Irmãos quando saiu, em 2000, justamente pela curiosidade de ler uma história sobre gêmeos. Antes de começar a adaptação, tinha lido também Órfãos de Eldorado.
Bá - Eu não tinha lido nada. Naquela FLIP, o Milton me presenteou com uma cópia do “Relato de um certo oriente'', seu primeiro romance. Comecei a ler, mas o trabalho atropelou tudo. Já comecei três vezes, mas sempre aparece alguma coisa e eu abandono no meio. Aí começamos a trabalhar no “Dois Irmãos'' e eu fiquei com medo de misturar as histórias e parei. Agora que terminamos o livro, já li “Um solitário à espreita'', de crônicas, o “Cinzas do Norte'' e pretendo ler o “Órfãos do Eldorado'', pra depois voltar novamente ao “Relato''. O estilo e a temática do Milton são encantadores, quase um vício.

blogdoorlando – de alguma forma vcs se identificaram com os irmãos yaqub e omar?
Bá - Ao contrário dos gêmeos do livro, não existe conflito entre nós dois que não se resolva. Mas a gente sabe como as pessoas vêem gêmeos, como todos pensam que eles são iguais, são a mesma pessoa e pensam as mesmas coisas. Isso a gente conhece bem.

2irmaos-p009

blogdoorlando – a história trata de uma família de imigrantes libaneses e se passa em manaus. que intimidade vcs tinham com esses dois universos?
Bá - Nenhuma, e esse foi um dos desafios que nos atraiu para o projeto. É inclusive um dos encantos da história, esse Brasil diferente, remoto, uma outra realidade. Fugir do lugar-comum nos interessa, é atraente para o público nacional e estrangeiro. Mas precisávamos entender este universo, por isso viajamos para Manaus para conhecer a cidade e entendê-la, mapeá-la, imaginar a história naquele cenário. E as poucas conversas com o Milton ajudaram muito a compreender os sentimentos que a história carrega.

blogdoorlando – vcs foram ao salão do livro de paris com milton hatoum. como foi e qual a repercussão?
Bá - O Milton foi muito requisitado, participou de várias mesas, eventos, inclusive um conosco no pavilhão do Brasil. É sempre muito bom contar com a presença do autor e ele é muito generoso, nos deu total liberdade, sempre deixou claro que confiava no nosso trabalho e isso nos incentivou muito. O romance não é tão conhecido na França como é aqui, e acabou de ganhar uma nova edição de bolso, então acredito que a nossa adaptação tenha ajudado a criar este interesse na obra do Milton. A França está muito interessada em histórias de descendentes de árabes, está muito em voga. E tem o lado exótico de uma história que se passa no coração da Amazônia. A imprensa e o público estavam muito interessados na história e nos motivos que nos levaram a escolher fazer a adaptação.
Moon - Fomos muito bem acolhidos pelo público francês, pelos brasileiros vivendo no exterior e por toda a comitiva do salão. O Milton foi um dos autores que mais chamou atenção durante o Salão, e ao mesmo tempo estávamos na França, país que adora, consome e respeita muito os Quadrinhos.

2irmaos-p011-final

blogdoorlando – quanto tempo levou para ter o livro completamente pronto?
Bá - Das primeiras anotações até o livro pronto e impresso na nossa mão, 4 anos e 3 meses. Ficamos dois anos trabalhando no roteiro, tentando descobrir como íamos escrever a história, como reorganizá-la, até decidirmos que precisávamos começar a desenhar pra coisa desencantar de vez. Daí foram mais dois anos desenhando e terminando de escrever. Os últimos meses foram para fazer a capa e o projeto gráfico, aprontar o livro mesmo.

blogdoorlando – depois disso não dá uma certa ressaca?
Bá - Dá um alívio, uma leveza de quem tirou um peso enorme das costas. Durante toda a produção, qualquer coisa pode acontecer que pode te impedir de terminar o projeto e aí é como jogar tudo fora, como se não tivesse existido. Só existe quando está pronto. É uma sensação de realização, que ao invés de ressaca, deixa inebriado, meio tonto e feliz, bobo, e nos faz acreditar no que fazemos e que tudo é possível. E é desse jeito, meio bêbados e bobos de felicidade, que nós vamos encontrar o público em lançamentos e palestras. Terminar um livro nos lembra a razão que nos leva a fazer o que fazemos.
Moon - O contato com o público nos lançamentos do livro, ver as pessoas lendo e falando sobre o trabalho, é o que é realmente inebriante. A ressaca só vem depois. Agora começa a festa.

2irmaos-p065-final

 

serviço:

dois irmãos – baseado na obra de milton hatoum
onde: livraria cultura
av. paulista, 2073
conjunto nacional
quando: hoje, 13.04.2015
19h30: bate-papo com milton hatoum, fábio e gabriel
teatro eva herz
20h45: sessão de autógrafos
loja da companhia das letras
R$39,90

 

 

 

 

 

 

 

 


depois de perrengue, coletanea seres urbanos é lançada em fortaleza
Comentários Comente

Orlando

fazer fanzines no brasil sempre foi uma briga. as publicações underground acabavam sendo produzidas na raça por jovens cheios de ideias, vontade e energia. sexo, drogas, rock’n’roll, sulfite e xerox.
com o tempo e novas possibilidades, o xerox deu lugar às gráficas rápidas que permitiram um acabamento quase profissional às publicações sem tirar suas principais características: a independência e a liberdade.
e, de repente, um ou outro zine acaba virando livro.
é o caso de seres urbanos – antologia do quadrinho underground cearense (1991-1998) que tem seu lançamento marcado para hoje em fortaleza.
viabilizado por um edital de incentivo à cultura do governo do ceará, passou por um perrengue no ano de 2013 depois de ter sua produção interrompida por ter sido considerado pornográfico. falei sobre isso aqui.

dois anos depois, seres urbanos chega ao público como um registro histórico e fundamental para a compreensão do que se produzia no submundo da capital cearense nos anos 1990.
abaixo, entrevista com weaver lima, um dos editores e participantes do grupo:

blogdoorlando – a realização desse projeto foi um parto. o que aconteceu depois da confusão toda com o edital?
Weaver - Continuamos as idas e vindas durante 3 anos tentando resolver a situação até que a Secretaria de Cultura abriu novamente outra edição do edital. Inscrevemos o projeto novamente e mais uma vez fomos contemplados. Desta vez, felizmente, não apareceu nenhum chato pra atrapalhar o processo e o livro saiu.

Capa-1

blogdoorlando – quais as dificuldades de uma briga como essa?
Weaver - Ah, o pior mesmo foi o tempo gasto. E tbm se criou uma situação constrangedora a toa, foi algo completamente desnecessário. Esse livro já poderia ter sido lançado em 2012 mesmo. O Brasil tem isso das pessoas se esconderem atrás dos cargos institucionais pra complicar, travar, atrapalhar… Tem gente que, infelizmente, parece sentir prazer nisso. No dia a dia com os amigos, familiares são até boas pessoas, mas quando entram numa instituição começam a abusar de poder, perdem a noção. Enfim, foi um sufoco que fez a gente valorizar ainda mais ter o livro em mãos. rs

Seres 01

blogdoorlando – qual é a importância de ter esse material reunido?
Weaver - É legal ter isso registrado no formato de um livro e mais acessível pra mais pessoas. Nem os integrantes do grupo tinham mais os zines. Muita coisa foi se perdendo ao longo dos anos. O livro serve pra registrar uma produção de HQ do circuito underground brasileiro dos 90 que os leitores de hoje em dia desconhecem, e que ia sumir completamente. O pessoal da Ugra Press tá lançando uma coleção intitulada Maldito Seja com autores que produziam zines de quadrinhos nesse período. Já sairam os livro do Henry Jaepelt, Law Tissot, Alberto Monteiro e vem mais por aí. Foi uma época muito rica. Quem tem um bom acervo desse período é o Fabio Zimbres, que agregava todo mundo em torno da sua coluna “Maudito Fanzine'' que saia na revista Animal. Se ele não fosse tão preguiçoso poderia fazer um livrão sobre a produção dos quadrinhos underground brasileiro. (agora te compliquei, Fabio! rs)

Seres 02

blogdoorlando – seres urbanos deixaram filhotes? qual a cena hoje no ceará?
Weaver – Olha, Fortaleza sempre teve uma boa produção de zines de todos os tipos. Mas não filhotes ou influenciados pelo Seres Urbanos. São influenciados pelos mesmos autores que a gente, Robert Crumb, Wolinski, Angeli e por aí vai. Especificamente, de quadrinhos, sempre aparece algum zine novo. Desta turma o Guabiras é o mais ativo. Conheci recentemente o Ti que edita o Anarco Pato. Através dele tbm conheci o trabalho do Polyelo Martins, que faz o Nú, Coro e Osso. E com certeza, tem mais gente, que eu só vou lembrar depois de te enviar essas respostas. rs.

Seres 03

blogdoorlando – o que os integrantes do grupo fazem hoje?
Weaver - Alguns pararam, outros voltaram a desenhar recentemente, outros estão fazendo outras coisas nada a ver com arte. Já tivemos uma baixa no grupo com o falecimento do kaos. Eu estou mais ligado a artes visuais. O Marcílio trabalha com web marketing. O Lupin continua desenhando cartuns e ligado a arte postal.  O Galba virou produtor cultural de eventos. O Mychel voltou a desenhar quadrinhos e tbm está pintando e o elvis trabalha num estacionamento de um hospital (tem uma HQ no livro sobre isso! rs).

Seres 04

blogdoorlando – existem projetos conjuntos por vir?
Weaver - Depois da dificuldade que foi lançar esse livro com o nosso material mais ameno (mesmo selecionando nosso material pra inscrever num edital de cultura tivemos problema), estamos agora pensando em lançar um segundo livro com nosso material mais pesado. Seria um segundo livro com o nosso material Lado B. Este sim, um material pornográfico classe A. Mas estamos pensando se vale a pena a gente mostrar esse tipo de coisa agora que somos homens sérios e temos famílias. rs.

 

serviço:

lançamento: seres urbanos
quando: hoje, 9.04.2015 a partir das 19h
onde: livraria cultura
av. dom luís, 1010
fortaleza – CE
R$40

Compra pela internet: https://ugrapress.wordpress.com/

 

 

 

 

 

 


alguém diria je suis chico caruso no dia de hoje?
Comentários Comente

Orlando

caruso 1

fora o panelaço ontem durante o discurso da presidente dilma à nação, talvez o assunto que tenha mais rendido na rede foi a charge de chico caruso publicada no dia 8, sábado.
surpreendente a quantidade de leituras, o que demonstra o estado de guerra em que estamos. fumaça e gases cobrindo nossos olhos.
a unanimidade é a de que a charge é incômoda.
há muito o trabalho de chico caruso parece ter se esgotado, girando em torno de si mesmo e das mesmas e batidas fórmulas que o consagraram nos anos 80 e 90. nesse período entrávamos na nova república com tancredo neves, sarney, itamar, collor, depois de ele ter se esbaldado com joão figueiredo, delfim e afins.
bons tempos.
o olhar viciado, as soluções fáceis estacionaram seu talento. ele ainda desenha muito mas de forma preguiçosa, como um aposentado que cumpre seu dever, pega o chapéu e vai pra casa.

bem, mas voltando à charge, me parece claro que a intenção era mostrar o quanto a presidente dilma está refém de uma situação.
se em uma ela está prestes a ser cozida por renan e cunha, na outra está com a faca no pescoço ameaçada por um radical.
nas duas situações ele propõe negociar.
acho que são leituras simples, diretas e, convenhamos, reais.
desde collor um presidente da nação não está tão pressionado pela opinião pública, pelo congresso e, sim, pela imprensa.

nesse ponto, temos todo tipo de teorias da conspiração.
chico caruso publica no globo e apresenta suas charges inanimadas na tv globo.
sim, e daí?
qual o alcance popular que elas podem ter?
lembrar que delfim neto colecionava suas charges e as emoldurava já nos anos 70.
charge nunca derrubou governo nem mudou o mundo.

outra grita foi a de que a charge foi publicada no dia da mulher.
péra! em outro dia poderia?
se fosse um presidente do sexo masculino estaria tudo bem?
e se fosse o alckmin não teria problema?
dilma está lá porque é a presidente da nação.
ah, mas se fosse o fhc ele não faria.
tenho livros e recortes com desenhos que provam o contrário.
o chargista trabalha com os atores do momento e ela, dilma, é a bola da vez.
o tranquilo itamar talvez tenha sido um dos presidentes mais sacaneados em charges e cartuns e saiu ileso.
a diferença é que ele tinha bom humor.
e teve o collor
chico caruso já tinha errado feio no episódio da boate kiss, em santa maria, rio grande do sul.

Chico Caruso 3

mas, como desenhista, o que me chama mais a atenção é que até antes de ontem todos “éramos charlie!”.
defendemos a liberdade de expressão e o direitos dos mártires franceses terem se manifestado mesmo que com opiniões grosseiras.
ficamos estupefatos pela polarização que acontece na europa e com o massacre de homens de imprensa do mundo livre.
eu não disse que sou charlie e não vou dizer agora que sou chico mas ainda acredito que a liberdade deva ser direito do cidadão, do artista, do político ou da fé.
a liberdade é direito, saber falar sobre ela é dever.

 

 

 

 

 

 


leo gibran lança seu kebab hoje em são paulo
Comentários Comente

Orlando

Screen Shot 2015-03-04 at 12.43.10 PM

tenho um apreço especial por gente que gosta de desenhar. tenho um apreço mais que especial por gente que gosta de desenhar e faz isso bem.
tive a oportunidade de ver o leo gibran com seus caderninhos e coleções de canetas rabiscando em eventos e encontros de cartunistas e nunca deixei de me impressionar com o traço solto, a precisão da tinta no papel e a expressão que ele consegue impor a seus personagens.
leo trabalha, basicamente, com publicidade. isso quer dizer que ele tem uma agenda rígida de produção com breafings, limites e prazos.
é nos sketchbooks que seu talento e poder narrativo acontece.
kebab, livro que é lançado hoje na galeria ornitorrinco é, como ele diz, um bife em cima do outro só que temperado com talento e sensibilidade.
dessa cozinha sai mais que um churrasquinho grego. sai uma refeição completa.
abaixo, entrevista com o cozinheiro:

blogdoorlando – além de comida, o que é o kebab?
Leo Gibran - Kebab é um livro que estou lançando hoje.
A ideia do livro e o nome já vinham remoendo na minha cabeça faz algum tempo. Minha ideia era fazer com alguns dos meus desenhos uma espécie de churrasco grego. Amontoar uma série de coisas pra fazer virar uma maior.

Screen Shot 2015-03-04 at 12.43.33 PM

blogdoorlando – vc tem ascendência libanesa?
Leo Gibran – Meu avô materno era filho de libaneses. Fugiu da tradição do casamento arranjado e se casou com minha vó, baiana. Então pode se dizer que a minha ascendência já veio mais apimentada lá de cima, hehe. Juntamos com português de origem galega, por parte de pai e temos mais um brasileiro.
Mas tenho sim. Tenho, inclusive, um parentesco com o Kahlil Gibran, o único Gibran famoso da história.

blogdoorlando – vc é um sketchbooker fanático, pelo que vejo. qual sua relação com esses caderninhos?
Leo Gibran - Na verdade, eu desenho o dia todo na frente do computador. Os meus trabalhos “de verdade” saem quase que exclusivamente de um tablet. Os cadernos são meu escape. É como se, de alguma forma, eu voltasse ao mundo real, saísse da matrix. Ou fizesse uma ponte de transição. Meu dia normalmente começa com uma leitura de emails e uma passeada pelas redes sociais. Nessa hora já vai rolando um “esquenta” no caderno enquanto vou passeando pela vergonha alheia, olhando notícias pouco importantes ou fotos de gatinho. É onde o real e o virtual vão se mesclando.
A vantagem de usar um caderno ao invés de folhas soltas é que ele mantém tudo junto, eu não perco desenhos e ele mantém pra mim uma ordem cronológica. Mas eu realmente tenho uma relação meio compulsiva com eles e uma relação meio doentia com canetas, também. Sempre tem pelo menos um caderno e uma caneta comigo, aí eu posso desenhar no metrô, na mesa do bar, no parque, na rua ou onde estiver. De qualquer maneira, os cadernos servem como local de estudo, lazer, terapia, registro, diário…

Screen Shot 2015-03-04 at 12.43.47 PM

blogdoorlando – muita gente, hoje, usa o sketchbook como portifólio…
Leo Gibran - Com certeza. Eu mesmo faço muito. No caderno, muitas vezes a gente vê nosso trabalho mais puro. É aquele trabalho realmente pessoal, sem cliente, mais sincero, como no canteiro de abóboras do Linus.
Hoje em dia não existe pra mim uma divisão muito clara entre o sketch e o desenho. Eu gosto muito de desenhar sem rascunho, experimentar, mudar de ideia no meio do caminho, tomar rumos diferentes. Então no meu caderno acabam aparecendo desenhos bons, desenhos ruins, alguns desenhos inacabados, mas não se vê muito sketch, não nesse sentido de rascunho. Lápis? Coisa rara. Então é naturalmente uma “coleção de desenhos”.
Algumas pessoas exageram. Transformam o caderno em um objeto sagrado, que não pode ser maculado por um desenho ruim. Arrancam folhas “feias”, etc. Eu já gosto de pensar nele como registro. Das coisa boas e das ruins. E eu tento datar tudo também. É como uma série de livros de registro num cartório pessoal. Então eu até uso como portfólio, mas tem muita coisa que não gosto lá, que preferia esconder às vezes.

Screen Shot 2015-03-04 at 12.43.55 PM

blogdoorlando – o quanto vc usa dessas experiências no seu trabalho profissional?
Leo Gibran - Eu acredito que tudo que existe é referência e toda vivência é repertório. A gente nunca sabe de onde vai tirar alguma ideia ou alguma solução gráfica. Com certeza sai muita coisa do caderno. Já que é por lá que eu deixo registrado uma boa parte das minhas experiências, é natural que eu acabe recorrendo a ele pra extrair alguma ideia. As vezes tá lá pronta, as vezes um embrião. Esse livro é um exemplo disso, já que a maior parte dos desenhos saiu dos cadernos.

Screen Shot 2015-03-04 at 12.44.08 PM

blogdoorlando – vc usa também sketchbooks digitais, como ipad, tablete ou smartphones?
Leo Gibran – Não. Nunca usei. Deixo o digital para os clientes. Nessa hora quero mesmo é contato físico com papel, com a tinta, sujar a mão, sentir cheiros e texturas. Prefiro fugir desse assepticismo digital.

Screen Shot 2015-03-04 at 12.44.18 PM

blogdoorlando – a maior parte dos textos do livro são em inglês. por que?
Leo Gibran - What?
Sabe que nem tinha reparado. Eu desenho bastante ouvindo música, vendo filmes, seriados… Os textos que acabam aparecendo nos meus cadernos vem, na maior parte, daí. De uma frase que escutei ou um trecho de música que eu estava ouvindo, e eu ouço muito pouco de música brasileira. Pra esse livro especificamente eu não escrevi nada. As imagens foram tiradas de cadernos ou desenhos soltos e eu só empilhei no espeto de maneira para tentar dar algum sentido. Pelo menos na minha cabeça… Os textos vieram junto.

 

serviço:

kebab, de leo gibran
15x15cm, 48pg de miolo, capa dura, colorido, autopublicado
lançamento, 05.03.2015
galeria ornitorrinco
av. pompéia, 520
R$28

 

 

 

 

 

 

 

 


hoje tem suruba? tem, sim senhor!
Comentários Comente

Orlando

flyer suruba

bebel abreu, já faz alguns anos, está à frente de alguns dos eventos mais importantes na área da ilustração e do design no brasil. ilustradores têm doces lembranças do ilustrando em revista e fotografia em revista, exposições que aconteceram na galeria da faap, ainda quando trabalhava na editora abril.
sócia da mandacaru design, desenvolve ao lado de sua irmã manaira projetos como a exposição de cartazes do alemão pierre mendell, a bienal de design ou a magia do simples, de colheres de bambu fabricadas por seu pai álvaro.
mordida pelo bicho carpinteiro, criou a bebel books, editora que atua nas feiras alternativas com publicações de pequena tiragem e alto teor de adrenalina como é o caso do suruba para colorir, divertido encontro de ilustradores que se entregaram de peito aberto na produção de dois volumes em preto e branco de finos e inusitados bacanais.
a coleção tem prefácio do jornalista xico sá.
abaixo entrevista com nossa editora.

blogdoorlando – a bebelbooks é um braço da mandacaru ou são independentes?
Bebel Abreu – Em teoria são independentes, mas com o furacão do Suruba pra colorir confesso que tenho ficado bastante por conta disso durante o serviço. Já ganhei até pito da sócia, rs. Mas tem muitas vezes que trabalho fora do horário pra Mandacaru, então tá tudo certo!

blogdoorlando – como vc vê o cenário dos independentes? é um espaço de resistência?
Bebel Abreu - É um espaço de experimentação e liberdade. Geralmente as tiragens são baixas, e o risco comercial é pequeno – com isso autores e editores podem voar mais e publicar livros mais autorais e livres.

 

laerte

laerte

blogdoorlando – feiras de independentes estão pipocando em todo os lugares… é possível ele, o independente, se tornar profissional e dar grana?
Bebel Abreu - Hum, fiz as contas da Bebel Books outro dia e ela se revelou sustentável: paguei o que produzi, entreguei o reparte dos autores (eles ficam com 1/3 da tiragem), sobrou um trocado e ainda tenho estoque pra vender. Mas ainda não seria possível viver da editora, a escala é sempre muito pequena – Suruba para colorir é nossa primeira publicação em offset, tiramos 1800 e está tendo boa saída, então pode ser que eu te responda diferente daqui a algum tempo.

ale kalko

ale kalko

blogdoorlando – meio na contramão, muita gente quer ver seu trabalho impresso no papel. o digital se esgotou?
Bebel Abreu - Tem mesmo esse retorno ao manual, ao feito à mão, ao impresso – tudo em contrapartida aos muitos gadgets, second screens etc. Mas acho que tem espaço pra tudo.

 

feppa rodrigues

feppa rodrigues

blogdoorlando – vc está lançando o suruba para colorir. de onde veio a idéia?
Bebel Abreu - De um jantar no Rio. Estava contando sobre a caretice generalizada e da nossa série É bom para o moral, do Zé. Otávio, que traz combinações variadas de encontros sexuais: só meninas, meninos e meninas e só meninos. Falei do papel educativo dessa coleção, do estímulo à tolerância (cada um dá o que tem a quem bem entender e não encha o saco do coleguinha), da inspiração para que todos transem mais. Falava desse caráter didático da coleção quando alguém falou: Ah e podia ter esses livros pra colorir! E outro: ia ser um sucesso, talvez com mais gente! E então surgiu: Suruba para colorir.
Isso aconteceu na ressaca das eleições, com tanta gente falando besteira e se agredindo, eu queria mais é que as pessoas transassem mais e deixassem de ser tão chatas. Cada um com sua bandeira: esse livro é meu manifesto pela leveza e pela alegria.

índio san

índio san

blogdoorlando – como foram escolhidos os participantes?
Bebel Abreu - Esta é uma ação entre amigos. Pensei nas pessoas que poderiam se interessar – tenho muita gente talentosa por perto! Chamei primeiro o Kiko Dinucci, que tem lindos desenhos de sexo, depois a Janara Lopes, que tanto publica o tema e – embora generosamente alavanque uma cacetada de artistas – não publica tanto seus desenhos incríveis -, o Marcelo Araújo, que tem uma série maravilhosa sobre cunnilingus, a Fernanda Guedes e aquele traço supersensual… Lembrei dos diabos pirocudos que você tanto faz, enfim, era muita gente!

marcelo araujo

marcelo araujo

blogdoorlando – quais são os próximos projetos da bebelbooks?
Bebel Abreu - Estamos lançando cinco títulos na Feira Plana, que acontece neste final de semana no MIS:
É bom para o moral #3, de Zé Otávio, com desenhos de meninos e meninos namorando, dentro da nossa coleção pornô elegante, a Bebel Buxxx, que também publica o Suruba, nosso segundo lançamento. Apresentamos também uma luva com os três volumes, embalagem deluxe.
Como a Plana deste ano traz o tema Fotografia, estamos com três títulos de fotos:
– Cenas do cotidiano, São Paulo, de William Baglione, com retratos da cidade e da gente da cidade
– #aprendeblogueira, Alice à Paris, de Ricardo Toscani, mostra os modelitos da filhota nos dois meses da cidade-luz
– Callejero, de Bruno Miranda, traz o olhar do fotógrafo nos dois meses que passou na ilha logo após a notícia de reaproximação com os EUA – ele revela que pouco ou nada mudou, por enquanto.

Temos mais alguns planos pra 2015, mas por hora estou me dedicando a trabalhar estes cinco. Até porque o ano na Mandacaru agora decolou e eu tenho que voltar pro serviço!

 

serviço:
suruba para colorir
onde: le basquiat
r. lisboa, 191 – pinheiros – sp
4.03.2015
a partir das 19h

Autores:
Adão Iturrusgarai – Córdoba
Ale Kalko – São Paulo
Alejandro Magallanes – Cidade do México
Alex Vieira – Vila Velha
André Valente – Brasília
Christiano Mascaro – Recife
Diego Sanches – São Paulo
Eduardo Belga – Brasília
Fábio Zimbres – Porto Alegre
Feppa – São Paulo
Fernanda Guedes – São Paulo
Flávio Flock – Rio de Janeiro
Flávio Zerloti – São Paulo
Gabriel Góes – Brasília
Guma – São Paulo
Indio San – São Paulo
Janara Lopes – São Paulo
João Montanaro – São Paulo
Kiko Dinucci – São Paulo
Laerte – São Paulo
Luciana Bastos – Brasília
Luciano Feijão – Vitória
Maël Boutin – Brasília/Paris
Marcelo Araújo – Brasília
Max Kisman – Amsterdã
Oga Mendonca – São Paulo
Orlando Pedroso – São Paulo
Renata Miwa – São Paulo
Rogerio Nunes – São Paulo
Samuel Rodrigues – São Paulo
Santiago Mourão – Brasília
Sen Hesse (Carlo Giovani) – Porto Alegre
Thais dos Anjos – Nova York
Tiago Elcerdo – Rio de Janeiro
Zé Otavio – Olímpia, SP

Vol. 1, 19 páginas, 17 ilustradores (700 exemplares)
Vol. 2, 19 páginas, 17 ilustradores (700 exemplares)
R$ 30, cada, impressão em papel alta alvura
Kit com Vol. 1 + Vol. 2 em papel especial + 14 giz de cera (200 unidades)
R$ 90 a partir de 4/3 ou com desconto a R$ 60, em bebelbooks.iluria.com até 3/3 (pode retirar no lançamento, sem frete)

facebook.com/bebelbooks
instagram: @bebelbooks

 

 

 

 

 

 

 

 


curso de criação e planejamento editorial ajuda quem quer se auto-editar
Comentários Comente

Orlando

todo mundo quer ter sua própria publicação. todo mundo quer uma revista ou livro para chamar de seu.
o nó é quando temos que decidir qual a cara do produto, como decidir sobre o projeto gráfico e editorial, que tipo de fonte, sangria, cores, brancos, capa, grampo ou lombada quadrada, etc, etc, etc.
muita calma nessa hora. seus problemas acabaram!
tem dois caras que podem ajudar muito!
cassiano polesi e luciano pessoa são profissionais atuantes na área há muitos anos e desenvolveram um curso condensado em 4 sábados na fapcom, em são paulo, e que pode abrir as águas para aqueles que querem atravessar o oceano das dúvidas.
se vc não sabe se picas se fala picas ou páicas, #ficaadica.
abaixo, entrevistas com os p'sôres:

blogdoorlando – a onda agora é a auto-publicação. até onde um curso como esse pode ajudar um garoto a produzir um impresso mais bem planejado?
Cassiano - Acho que o curso ajuda ao dar uma visão do todo, pensar de forma integrada. Claro que a conversa tem uma pegada mais útil para quem está trabalhando em equipe. No caso da autopublicação, geralmente vc não precisa explicar pra vc mesmo o que está pensando, né? :) Mas, exatamete por estar agindo sozinho, o curso agrega ao falar de planejamento como uma forma de facilitar o processo de criação. Nesse sentido, o curso pode ajudar muito.
Luciano - Creio que o curso ajuda a entender melhor o que se quer e o que se pode publicar. Tanto em termos de planejamento como em termos de linguagem visual. É uma pequena imersão nas dificuldades e soluções de um projeto editorial.
blogdoorlando – a tecnologia facilitou muito o processo mas as questões visuais e estéticas continuam ainda no âmbito do conhecimento e da sensibilidade.
como lidar com isso?
Cassiano - para mim, as questões fundamentais continuam rigorosamente as mesmas. Creio que somos todos editores. Há milênios. Basta olhar os bisões nas carvernas, uma imagem que gosto de usar como símbolo da minha forma de trabalhar, do meu livro e da minha tese sobre comunicação corporativa. Está tudo lá: por que bisões?? Antes, tínhamos cavernas e algumas tintas, hoje temos umas ferramentinhas a mais, mas a essência é ainda a mesma: dizer algo, de algum jeito, para alguém.

Altamira_teto pb

Teto da caverna de Altamira, na Espanha, retrata uma manada de bisões e outros mamíferos, conforme publicado por M. Sanz de Sautuola em 1880, segundo Cartailhac, em 1902.

Luciano - Sim. A tecnologia permite maior alcance e maior controle por parte do designer e do editor, e ao mesmo tempo exige desempenho em territórios novos, como o “online'' por exemplo, que até ontem não existia, e onde tudo é mais fragmentado.

blogdoorlando – aliás, o curso trata da questão prática ou é mais teórico?

Cassiano - é superprático, no sentido de exercitar a capacidade de desenhar uma ideia viável, facilitando o trabalho de edição e a conversa com o designer. Mas não descuidamos de alguma teoria, principalmente no lado do design, onde o Luciano entra com toda a força. Meu papel é dar uma visão de produção ao processo editorial, e aí eu gosto de usar umas três ferramentinhas que dão suporte ao meu método. Costuma dar certo! :) Nesta versão de quatro aulas não dá pra trabalhar um produto real; queremos fazer uma versão de três meses, na qual faremos um produto do começo ao fim. Nesse caso, a prática é ainda mais palpável.
Luciano – Ambos. Há um pouco de teoria e um pouco da prática reunidos, assim como na vida real de um projeto. É uma oficina de quatro encontros, e há também uma versão mais longa do mesmo curso, de três meses, em que cada aluno explora todos os aspectos em maior profundidade.

Esbocos P3 e  4

É rafeando que a gente se entéeende! Exemplo de uma proposta preliminar de página: além de ajudar o design, ajuda ainda mais o editor.

blogdoorlando – vcs dois têm experiências na grande imprensa e com projetos independentes.
qual a diferença hoje quando tudo parece meio misturado?

Cassiano - acho que o mais bacana é perceber que hoje não é a infra do produtor que faz o produto, né? Vc consegue viabilizar coisas bem legais sem ser gigante. Aliás, geralmente é até mais fácil; tem o lado da grana, claro, viabilização econômica… mesmo isso está sendo contornado pela tecnologia, o que iguala o grandão ao pequeninho. Sobra o talento de cada um pra fazer a diferença, por isso tudo está bem mais divertido!
Luciano – Bem, creio que haja ainda diferenças. Na grande imprensa você tende a ter competências definidas, e a produtividade está normalmente em primeiro plano. Há um nível de exigência mais alto, mesmo para um resultado mediano, em função do tamanho da máquina. No meu estúdio os clientes são outros, as relações são outras, e todos participam de cada projeto de forma mais integrada. De modo geral vejo como a diferença entre produtividade e qualidade.

blogdoorlando – para vcs, qual o futuro do impresso?

Cassiano - tendo a achar que o impresso irá superar essa fase de instabilidade até reencontrar seu lugar, seu nicho. Esse curso também serve para o on-line, embora nesse ambiente os limites sejam mais elásticos por natureza, o que muda um pouco a forma de fazer e de pensar o resultado final.
Luciano - Por mim, pode ter vida longa. O conteúdo digital inclui o som, o vídeo, mas para ler prefiro o papel, o analógico. Novas tecnologias desaparecem como surgiram. A imprensa tem 500 anos. O lápis e papel outros tantos. A informação é instantânea, mas para ler é preciso tempo.

blogdoorlando – o que é a publicação perfeita?
Cassiano – ​é aquela que fica pronta na prazo, fica bacana e, principalmente, a gente consegue fazer dando muita risada no caminho. Edição e design é pura diversão!! Se conseguir fazer isso junto, é diversão ao quadrado :)
O curso vai um pouco por aí, de andar pela fusão de lados que antes eram vistos como distantes, mas que só têm a ganhar quando sabem andar juntos.
Luciano - Todas. Nenhuma. A que li ontem. A que vou projetar amanhã. A que você pode ler, mas é totalmente inesperada. :)

 

quem são:
Luciano Pessoa é designer, arquiteto, professor e quase músico. Pós-graduado em design pela USP, é mestrando em Comunicação pela Universidade Paulista, e tem atuado como docente na Universidade Anhembi Morumbi (Design Gráfico), Universidade Paulista (Design de Interiores) e Universidade Metodista de Piracicaba (Comunicação/Fotografia). Desenvolve pesquisa na área de teoria da imagem e mantém seu estúdio de design e comunicação em São Paulo, voltado às áreas de imagem corporativa, design editorial, música e exposições. Cassiano Polesi é jornalista, diretor de arte, mestre em Relações Públicas pela Universidade da Flórida, especialista em comunicação de marketing pela ECA/USP e autor do livro matriz de Marketing, comunicação e Negócios.

 

serviço:

início: 07/03/2015
horário: 08h as 12h

vagas: 20

término: 28/03/2015

duração: 4 semanas

carga horária: 14h

R$ 280,00

FAPCOM

Rua Major Maragliano, 191 – Vila Mariana – São Paulo/SP – 04017-030

secretaria@fapcom.edu.br

(11) 2139-8500

inscrições:

http://www.fapcom.edu.br/loja/workshop-de-criacao-e-planejamento-editorial_p_2933.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


alfaiate da ilustração, junior lopes abre exposição em são paulo
Comentários Comente

Orlando

junior lopes, paraense de 48 anos, logo percebeu ao chegar em são paulo em 1999, que teria que inventar algo diferente para se destacar entre os ilustradores que admirava. essa é uma das questões que mais aflige os profissionais do traço: como sair do lugar comum e criar uma marca própria e identificável.
pesquisando, trocou o papel por tela, as tintas por tecidos, as retículas por tramas de linha e desenvolveu uma combinação absolutamente particular de criar ilustrações e, principalmente, retratos.
expôs seus trabalhos em são paulo, piracicaba, porto alegre e moçambique.
foi escolhido pela conceituada illustration now!, da editora taschen um dos 150 melhores ilustradores de 2014 além de ter participado da campanha da levi’s, leão de ouro em cannes, em 2004.
abaixo, entrevista com o alfaiate da ilustração:

blogdoorlando – como foi migrar do papel, do traço para o corte/costura? :>)
Junior Lopes - Vontade natural de fazer algo novo… Cheguei de Castanhal (PA) em 99 e sabia que na área de ilustração tinha que ter um diferencial pois aqui em São Paulo a quantidade de ilustradores excelentes é irritante.

JeY_baixa

blogdoorlando – vc parte de fotos, recortes e o que mais? como é o processo?
Junior Lopes - Já mudei bastante, mas quase sempre parto de referências fotográficas e vou dando ctrl+c, ctrl+v. Copio imagens  em alto contraste e vou colando meus layers naturais (retalhos de tecidos) sobre tela.

loureed_baixa

blogdoorlando – como vc escolhe os materiais e os formatos? os formatos aumentaram também desde o início, não?
Junior Lopes - Essa é a parte lúdica do processo. Vou para o Brás, na zona central de São Paulo, compro retalhos de tecidos que acho interessantes e procuro extrair das tramas e texturas dos tecidos um pouco da personalidade do retratado… É sempre uma surpresa o resultado… sempre.

deus_e_o_diabo_na_terra_do_sol_juniorlopes_net

blogdoorlando – vc pensa em tratar de outros temas que não sejam baseados em referências?
Junior Lopes - Sim… Os retratos são meu ganha pão, pois faço muita encomenda e, basicamente, sobrevivo deles. Naturalmente o desejo é expandir para outros temas. Na exposição que abre hoje, tem o “A Ponte”, inspirado num quadro do Monet, e que foge do retrato. Quero mais pra frente fazer uma exposição erótica, desenhada sem referências fotográficas.

taxi_baixa

blogdoorlando – a exposição é uma retrospectiva ou há trabalhos novos e antigos?
Junior Lopes - É uma retrospectiva, abrangendo os primórdios (comecei em 2000), passando pelos originais da campanha da Levi’s, que ganhou um Leão de Ouro em Cannes (2003) e avança para os inéditos de hoje, que são a maioria.

blogdoorlando – como foi ser indicado pela illustration now! e receber o leão de ouro?
Junior Lopes – Nossa profissão é solitária e receber prêmios, além da importância artística, é um afago no ego. Mostrando que tem que batalhar muito para se conseguir reconhecimento. Meu trabalho é diferenciado, até pelo material que uso e esses prêmios comprovam que tô seguindo na estrada certa…ou na errada… tanto faz… rs

 

 

JL

SERVIÇO

Exposição “Retalhos de Junior Lopes”
Período: 26 de fevereiro, às 19h (abertura), até 31 de março.
Horário: de segunda a sábado, das 10h às 19h
Local: Galeria Ornitorrinco (Av. Pompeia, 520 – São Paulo – SP)
Tel.: (11) 2338-1156
Site: www.galeriaornitorrinco.com.br
E-mail: contato@galeriaornitorrinco.com.br
Entrada: Gratuita
Compras: através de pagamento em dinheiro ou cartão de débito/crédito.
Preços: de R$1.500 a R$5.000