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front comemora 15 anos do primeiro lançamento com coletânea de hqs
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Orlando

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henrique antonio kipper, gaúcho de santa cruz do sul é um dos grandes expoentes da ilustração e dos quadrinhos surgidos na década de 80.
mais que isso, foi, talvez, o primeiro artista gráfico a perceber a força que a internet e, em especial, os e-grupos teriam na relação entre artistas, e entre artista e trabalhos de outros artistas.
de fato, ao criar os grupos imagodays e frontbraza, ele abriu a possibilidade de reunir um número gigante de desenhistas espalhados pelo brasil afora e fazer com que todos esses solitários se sentissem fazendo parte de uma tribo em torno de um projeto.
“para quem tem menos de 25 ou 30 anos, e-grupos eram a forma popular de conversa antes do orkut e antes do facebook. eram baseados em resumos de e-mail em que todos recebiam as conversas trocadas… algo como um grupo de whatsapp por e-mail”, explica kipper.
o cenário, nessa época, não era dos melhores. as publicações de banca haviam minguado, editoras passaram a investir em álbuns de luxo, a economia sofria de anemia profunda (quando não?) e ainda não existia uma tecnologia que barateasse os custos de pequenas tiragens.
nesse ponto, os e-grupos se tornaram um oásis.
contrário ao humor pelo humor, kipper esperava que as discussões girassem em torno de conceitos, de histórias longas e perenes.
a publicação do álbum , pela editora via lettera, se tornou inevitável.
para se fugir da terrível sina de acabar logo nos primeiros números, a primeira edição começa pelo número 7 e teve 13 edições temáticas entre 2001 e 2007 e mais outra, especial, em 2008.
15 anos depois, uma compilação de histórias das primeiras edições é lançada em comemoração pela mesma via lettera em parceria com o instituto hq e editada por kipper, orlando e maringoni.
o projeto gráfico é de orlando pedroso/estúdio bala.
nela são reunidas histórias experimentais, cartuns, ilustrações, uma sessão de cartas bizarra e a ilustração textada que era um desenho enviado para três profissionais do texto para que escrevessem uma crônica em torno dela, invertendo o processo.
abaixo, entrevista com o homem de cabelos vermelhos:

blogdoorlando – qual era o cenário quando o projeto front surgiu?
Kipper –  No aspecto material, era muito, muito difícil publicar. Os custos editoriais e de gráfica eram inviáveis para produções de livraria e baixa tiragem como a maioria das atuais. Para publicações de banca, mudou pouco: os custos continuam proibitivos. Publicar um álbum pessoal individual era um “sonho de vida” .  Já no aspecto conceitual tínhamos também uma mentalidade diferente, todos os exemplos bem sucedidos (ou que chegaram a existir) eram publicações mix de banca baseadas no quadrinho europeu ou cartunistas oriundos da imprensa, trabalhando com humor… por ordem cronológica tivemos Circo, Animal, Chiclete, Piratas, Mil Perigos, Lúcifer e CyberComix neste modelo.   O que viria a ser a FRONT online em 98 quase saiu em banca pela Abril em 95/96. Foi sair em livraria só em 2001.  Enquanto isso, claro, todo o pessoal que fazia HQ estilo norte-americano continuava trabalhando para fora.  Algumas coisas não mudaram: desde 1999  não conseguimos chegar ao grande público com trabalhos autorais de quadrinho brasileiro. Mesmo a FRONT ficou limitada à distribuição de setorizada. Nos últimos anos apenas os webcomics do modelo tiras ou cartuns conseguem ter publico online, mas ainda assim é uma restrição de forma e de segmento social atingido.

Front 01

kitagawa

blogdoorlando – muita gente guardava projetos em gavetas. como esse povo foi encontrado?
Kipper –  Na verdade a maior parte do material publicado inicialmente foi material novo, produzido pela motivação e desafios dos debates nos e-grupos* Imago Days e depois o FrontBraza.   Nos e-grupos tivemos o encontro de várias gerações, tanto sobreviventes dos anos 80 e 90 quanto um pessoal que se formou naquela época e está por aí hoje publicando muita coisa maravilhosa.   Mas como, lá por 2001 muita gente não tinha onde publicar – o que é  difícil de entender hoje – pessoas tinham trabalhos guardados.

guazzelli

guazzelli

blogdoorlando – a lista imagodays existia quando arquivos de mais de 100 kb eram de um peso absurdo…
Kipper –   A capacidade de envio e a velocidade da internet brasileira aumentou incrivelmente desde o início em 1996. Para quem trabalha com imagens era uma tortura e um pesadelo.  Imaginem que por 2000 ou 2001 deixávamos uma (1) música em mp3 baixando a noite para gastar menos…. Hoje é uma maravilha!

samuel casal

samuel casal

blogdoorlando – muitos artistas publicaram suas primeiras histórias ou ilustrações nessa época e depois se destacaram. isso não é pouco, não?
Kipper – Sim, tivemos a honra de ser ninho da formação de muitos artistas que estão fazendo coisas muito boas hoje, mas penso que o diferencial não está na existência deles, mas em certas características dos seus trabalhos terem sido potencializadas pelo trabalho e reflexão que fizemos na FRONT.  Esse tipo de reflexão e abordagem dos quadrinhos continua necessária hoje, e muito, neste momento em que o Brasil regride em termos conceituais na maioria das áreas humanas.

cau gomez

cau gomez

blogdoorlando – vc foi o primeiro a criar um yahoogrupo que juntava desenhistas do brasil todo. por que desistiu dele?
Kipper –  Criei vários, a Imago Days teve irmãs, e depois a Front Braza em que se produzia o FRONT.  A lógica que me rege é republicana  Não adianta fundar uma república democrática e se manter como “presidente” indefinidamente, rsss.   O importante é que a república continue democrática.   Se as pessoas autosabotarem, a democracia (como estamos vendo no Brasil hoje)  bem, então é hora de começar tudo de novo, pois o aprendizado de qualquer coisa não é linear, se dá por aproximações e afastamentos.

d'salete

d'salete

blogdoorlando – hoje temos uma cena repleta de feiras que reúnem pequenos e médios produtores de quadrinhos e de peças gráficas. como vc vê isso?
Kipper –  Como produção é maravilhoso, as pessoas estão fazendo tiragens baixas do que 15 ou 20 anos atrás ficaria na gaveta… MAS… abandonamos a maior parte do público potencial de quadrinhos, porque estamos fazendo produtos caros, em tiragens baixas que só chegam até as feiras e livrarias.  Ou seja: atingimos um recorte de uma classe social mais alta, e um recorte geográfico mínimo.  No mundo real continua a existir só Disney, Mônica (formatinho ou jovem) e quando muito, os Mangás. Os super heróis perdem terreno, ficando como público mais velho (devido principalmente ao preço alto dos álbuns).

pepe casals

pepe casals

blogdoorlando – depois dessa coletânea comemorativa, qual o futuro da front e de outros projetos seus?
Kipper – Pessoalmente, tenho na parede uma lista de roteiros meus para uns 10 anos, rs. Eles existirem depende só de financiamento.  Mas a FRONT não se trata  apenas de uma publicação mix para mostrar trabalhos individuais. É um processo de reflexão que tem que ser contínuo porque, como estamos vendo no Brasil hoje, avanços estruturais e conceituais podem se perder e irmos retornando ao século XX, XIX, XVIII…  Por isso estamos de volta com o grupo FRONT-BRAZA. Não sabermos as respostas não é motivo para paramos de procurar a pergunta certa: https://www.facebook.com/groups/372389779551358/

caco galhardo

caco galhardo

blogdoorlando – e pra encerrar?
Kipper – 

A grande e boa arte sempre foi política, apenas a arte ruim prejudica sua ideologia sendo panfletária.

 

 

serviço:
Front: 15 anos uma história
Guazzelli, Kipper, Custódio, Samuel Casal, Pepe Casals, Jinnie, Fabio Zimbres, Caco Galhardo, Cau Gomez, Caco Xavier, Maxx, Orlandeli, Maria Eugênia, Marcelo D’Salete, Kitagawa, Theo, Maringoni, Spacca, Marcelo de Andrade, Negreiros, Bueno, Mariza, Marcelo Duarte, Moacir Scliar, Plínio de Arruda Sampaio, Emílio Damiani, Galvão, Orlando
Formato:17×26 cm

onde: Livraria Monkix
R. Harmonia, 150
Vila Madalena – SP
Quando: sábado, 13/08 a partir das 15h
Preço: R$42,00

 

 

 

 

 

 

 

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alemão henning wagenbreath abre parada gráfica 2016 em porto alegre
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Orlando

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acontece, nos dias 5, 6 e 7 de agosto, no museu do trabalho de porto alegre, a 4ª edição da parada gráfica.
neste ano serão 113 bancas que trazem trabalhos de cerca de 400 artistas gráficos do brasil, argentina, peru, uruguai, venezuela e colômbia. zines, revistas, livros, posters, gravuras e variadas peças gráficas fazem com que o evento esteja à altura da feira plana e tijuana, de são paulo ou da pão de forma, do rio de janeiro.

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nesta edição de 2016 o convidado é o artista alemão henning wagenbreath, reconhecido pelo seu trabalho pop, colorido e instigante. ele é ilustrador, designer, flerta com teatro e música, além de dar aulas no curso de ilustração da universidade de artes (udk) de berlim.
henning se destaca por trabalhar em vários formatos – de selos a posters enormes passando por livros, revistas, jornais, animação  – e por desenhar suas próprias fontes.
nesta sexta, 5, a partir das 19h, o artista de 54 anos, dá uma palestra e abre uma exposição na galeria península, vizinha do museu do trabalho.
vc pode conhecer o trabalho dele aqui:  http://www.wagenbreth.de

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Serviço:
Exposição do artista gráfico berlinense Henning Wagenbreth

Abertura: cinco de agosto, às 19h, na Galeria Península (Rua dos Andradas, 351)
Visitação até 13 de agosto, de terça a sábado, das 14h30 às 18h30
No mesmo dia e local, haverá um bate-papo com Henning Wagenbreth, às 18h30, com mediação do artista gráfico paulistano Orlando Pedroso.

Ponta-seca com Wilson Cavalcanti

Dia 06 de agosto (sábado), das 14h30 às 17h30, nas oficinas de gravura.
Mais conhecido como Cava, o artista pelotense é gravador da gema, leciona no Atelier Livre, e vai estar na Parada ensinando os macetes da ponta-seca em matriz de plástico.
Cada participante fará duas cópias a partir de uma matriz

Festa da Parada Gráfica – com a banda Trabalhos Espaciais Manuais
Dia 06 de agosto, sábado, às 23h no Espaço 512 (Rua João Alfredo, 512)
Trabalhos Espaciais Manuais é um coletivo instrumental que pesquisa a música popular brasileira.
Com dez integrantes, o baile-show dessa banda-família acontece em bares, casas de shows, teatros, festivais e ruas desde 2013.
Impressão de Gravuras

Dias 6 e 7 de agosto, sábado e domingo, das 14h30 às 17h30
Durante a Parada Gráfica, Marcelo Lunardi, Paulo Chimendes, Xadalu e Henrique Pasqual vão fazer impressões de gravura em metal, litografia, serigrafia e xilogravura nas oficinas do Museu.
As gravuras de vários artistas também estarão a venda.
Programa infantil:
Venha desenhar com a YOYO!
A equipe da revista infantil Yoyo virá de São Paulo e convida a criançada para desenhar, colorir e fazer colagens. A experiência é para crianças de até 08 anos.
Dias 06 e 07 de agosto, das 13h30 às 20h na banca da revista Yoyo
A YOYO, publicada desde 2013, é uma revista inteligente e divertida para meninos e meninas de quatro a sete anos curtirem com seus pais.

Todas as atividades são gratuitas.
inscrições para as oficinas em paradagrafica@museudotrabalho.org
Vagas limitadas.

Parada Gráfica
Abertura dia 05 com Henning Wagenbreth
Na Galeria Península – Rua dos Andradas, 351. Centro Histórico
Dias 6 e 7 de agosto, das 14h às 19h no Museu do Trabalho
Rua dos Andradas, 230 – Porto Alegre – RS / Fone: (51) 3227 5196
Realização: Museu do Trabalho
Mais informações: (51) 3227 5196
www.museudotrabalho.org

www.flickr.com/photos/museudotrabalho

 

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