Blog do Orlando

americanos comem e health food é a loucura novaiorquina
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Orlando

enquanto os brasileiros continuam ruminando as indigestas campanhas eleitorais para presidente, os americanos comem.
sabemos que nos eua tudo é mega, tudo é hiper, tudo é over mas no quesito comida, eles se superam.
há, como em todos os lugares, os gordos, os viciados em junk food, hamburguers de oito andares, etc, mas o lance agora é o health food, comida saudável e as opções têm as mesmas proporções da fartura americana.
das barraquinhas de rua até os imensos entrepostos como o whole foods, passando pelas feirinhas de produtos orgânicos, o americano e, em especial, o novaiorquino, come e consome como se fosse o último dia da terra.
e há opções para todos os gostos. salada e frutas cortadas, pães, patês, especiarias do mundo todo, azeite, peixe, carne, fritura, cozido, frutas, kebabs e sashimis. tudo muito. e as embalagens são lindas!
no restaurante, na lanchonete, no parque ou na praça. tanto faz.
o novaiorquino come.
come.
come.
come!
vejam as fotos:

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e, aí, tem a fila para pagar:

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montalvo machado traz trabalhos pessoais e oficinas na exposição hiperfoco
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Orlando

montalvo machado, paulistano da mooca, nascido em 1966, é um dos principais interlocutores quando se fala de ilustração no brasil.
pode-se concordar ou não com muitas de suas opiniões mas o que ninguém pode discordar é da importância de seus posicionamentos quanto ao mercado e postura dos profissionais.
ilustrador de longa carreira, colabora com estúdios, agências e publicações desde 1983.
entre 1990 e 1991 estudou desenho de embalagem na – sea – school of visual art e técnicas de ilustração e na fit – fashion institute of technology, ambas em nova iorque, e entre 1997 e 1998, estudou na illustration academy – william jewell college, em liberty, missouri.

montalvo não tem problemas em cruzar a ponte entre o analógico e o digital e é isso pode ser visto na mostra que hiperfoco que abriu no último dia 25, na galeria ornitorrinco, em são paulo.
os cerca de 30 trabalhos trazem pinturas em tela, aquarelas, pastéis e suportes não-convencionais como madeira e ladrilho hidráulico. além disso, há uma programação com conversas e oficinas com datas disponíveis no site da galeria: http://www.galeriaornitorrinco.com/

abaixo, entrevista com o artista:

blogdoorlando – vc optou por fazer uma exposição temática, quase voltada para a arquitetura. por que?
Montalvo - Durante muitos anos como ilustrador eu atendi a clientes, com jobs muito fechados tanto nos temas como nas técnicas, e deixei para fazer esta busca pelo meu próprio estilo muito tarde na minha carreira. E chega um momento em que todo artista quer atender ao próprio chamado, ser seu próprio cliente. Neste sentido eu custei a entender qual era o meu tema, e no meio de tantos caminhos, qual era o que eu realmente estava procurando. Eu encontrei esta linha temática há uns 10 anos, quando era sócio do Cárcamo e do Zuri na Mangue Galeria em Paraty, enquanto buscava referências para pintar novos trabalhos entre as minhas fotos de viagem. Tudo já estava lá, fotografado e pensado, e partindo destas referências eu encontrei o meu estilo pessoal.

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blogdoorlando – os quadros são recortes de imagens, detalhes…
Montalvo - Então, eu gosto de brincar no limiar entre o figurativo e o abstrato, sem cair no hiper-realismo ou na desconstrução total. Na verdade eu gosto mesmo é das cores, das relações tonais, da composição, equilíbrio, formas, planos… e tem tudo isto nos recortes das fotos que eu tiro, pensando exatamente em exagerar e tirar o máximo destes fundamentos. Eu não procuro repintar a foto como ela é, mas usar a imagem original como ponto de partida para estudos cromáticos, caminhando até a beira do abstrato, mas sem perder o contato com o objeto ou o lugar em si.

blogdoorlando – quais as técnicas e formatos? em qual vc se sente mais à vontade?
Montalvo - Eu adoro a experimentação, gosto de misturar técnicas, combinar materiais diferentes, e sempre há muito por explorar e descobrir no caminho. A cada quadro eu aprendo mais sobre técnicas e cores, e quando trabalho no digital eu procuro usar tudo isto para que o resultado fique natural, como se fosse uma pintura em tela mesmo, ou papel. Talvez por isto as obras tenham esta “conversa'' entre si, e o digital acabe se parecendo bastante com as pinturas feitas com tinta mesmo. Como sou ilustrador de formação, os formatos são pequenos e médios, mas estou me sentindo cada vez mais a vontade com áreas maiores, e acho que a tendência natural é produzir trabalhos em grandes formatos, o que deve acontecer em breve.

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blogdoorlando – onde o seu trabalho autoral se encontra com o profissional?
Montalvo - Eu acho que estou quebrando esta barreira agora, e o autoral me parece muito novo e tentador, mas o meu lado profissional sempre me traz para a realidade, e eu acabo me questionando muito sobre como isto vai se manter, como vou pagar as contas fazendo algo totalmente autoral. Por isto eu preciso manter os pés nas duas canoas, atendendo a clientes e explorando as possibilidades deste mercado novo que estou descobrindo agora, com esta exposição. Se der pé – e eu acho que vai dar – quero fazer a transição de uma vez e me dedicar totalmente à produção autoral.

blogdoorlando – o quanto vc acha importante ilustradores se dedicarem ao estudo e produção de materiais não encomendados?
Montalvo - Eu acho que existe um equilíbrio saudável entre os dois caminhos, principalmente no meio da carreira de um artista. O início é muito flexível, pode acontecer que a produção seja maior de um lado do que do outro, e é o momento do artista explorar as suas ferramentas, tentar tirar da cartola quantos coelhos puder, para poder achar seu nicho e sua clientela ideal. Aí começa a demanda, e o artista se torna escravo do que conquistou. Os clientes o chamarão para fazer mais do mesmo, e durante anos ele pode se cansar daquela fama que conquistou. Nesta hora ele deve se dedicar ao próprio instinto, e deve tentar se reinventar, em técnicas, temas, formatos, mídias, tudo. Assim ele vai se reciclar e descobrir novos caminhos, e quem sabe atender a novos mercados, e sempre com algo de novo, inédito, e surpreendente na mesa. O mais perigoso é o artista se tornar refém do tédio, amarrado em seu próprio estilo, ou da demanda que ele mesmo gerou, porque isto pode cansar não só a ele mesmo, mas como os seus consumidores.

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blogdoorlando – boa parte desse material foi produzido tendo como base anotações em sketchbooks. conte um pouco.
Montalvo - Os sketchbooks são o meu laboratório, meu quintal, o lugar onde eu me permito errar a vontade, sem medos ou cobranças. E é neste lugar mágico que a surpresa acontece, novos traços, novas combinações de técnicas, e coisas que eu mesmo não tinha como prever, acontecem o tempo todo. Os temas da exposição “Hiperfoco'' tem como origem os sketchbooks, não apenas na técnica, mas como nas composições e na temática mesmo. Eu gosto de levar os cadernos em viagens, ou nos lugares mais comuns como filas e restaurantes, e sempre tem alguma coisa que fica mais legal desenhada do que apenas vista. Parece que o banal se torna especial quando é desenhado. Pode ser qualquer coisa, uma arandela, um telefone velho, uma sombra na parede, se virar desenho, parece que ganha uma aura meio mágica. E a partir destes estudos, eu posso continuar puxando informações, fazer uma tela grande e carregar nela a concentração de tudo o que era espontâneo e gestual de um desenho pequeno do sketchbook, só que com uma técnica mais refinada.

blogdoorlando – a partir de hoje, quarta, vc começa uma série de palestras e oficinas. do que vão tratar e o que vc espera de quem vai participar?
Montalvo - Eu sempre gostei muito da troca que acontece em workshops e palestras, eu adoro compartilhar minhas descobertas. É como se a informação me incomodasse, se ela não for passada adiante. As oficinas são a continuidade do que eu já fazia no meu outro estúdio, com alguns temas novos, outras técnicas, mas mantendo a mesma linha de raciocínio. Eu gosto muito de ver o resultado aplicado do que as pessoas aprendem comigo, me dá uma sensação de continuidade, de ter passado o bastão adiante, e não guardar tudo só para mim. As oficinas vão de anatomia até dicas sobre negociações com clientes, passando por aquarela e pastel, encadernação de sketchbooks, técnicas mistas, etc. Eu espero encontrar gente curiosa e entusiasmada como sempre aconteceu na edições anteriores, artistas e designers que procuram técnicas e dicas para usar já no dia seguinte, informações práticas, teorias aplicáveis no dia-a-dia.

Ruinas na Bahia

blogdoorlando – como vc vê o futuro da ilustração comercial no brasil?
Montalvo - Eu tenho um misto de entusiasmo e preocupação, e acho que a balança está pendendo cada vez mais para o segundo lado. Tem muita gente boa hoje em dia, produzindo coisas espetaculares, mas parece que comercialmente falando, estamos despencando em queda livre, a caminho do zero, em valores negociados. Parece que publicar é mais importante do que comer, e isto não faz o menor sentido, porque os nossos clientes não pensam assim, eles exigem resultados financeiros antes de qualquer satisfação pessoal. Não sei como chegamos a este ponto, e a situação não é auto-sustentável. Se continuar assim, nenhum artista vai chegar a fazer 10 anos de carreira, talvez não cheguem nem na metade disto, terão que procurar outra coisa para trabalhar e desenhar só por hobby, o que é preocupante demais para qualquer um que queira viver de arte.

Eu acho que estamos num momento de transição importante, a ilustração está amadurecendo, as publicações autorais estão cada vez melhores, e uma cultura de consumo está sendo implementada, sem intermediários, a arte é produzida, distribuída e vendida diretamente ao consumidor final. Esta mudança de paradigma está mudando o comportamento de todos, e se tudo der certo logo teremos um nível de exigência maior e um público mais preparado para absorver uma produção de maior qualidade.

Talvez neste momento a arte volte a ter o valor que jamais deveria ter perdido, não só financeiramente, mas como valor qualitativo também.

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SERVIÇO
Exposição 'Hiperfoco'
Período: de 25/09/2014, às 19h a 08/11/2014
Horário: de segunda a sábado, das 10h às 19h
Local: Galeria Ornitorrinco (Av. Pompeia, 520 – São Paulo – SP)
Tel.: (11) 2338-1156
Site: www.galeriaornitorrinco.com.br
E-mail: contato@galeriaornitorrinco.com.br
Entrada: Gratuita
Compras: através de pagamento em dinheiro ou cartão de débito/crédito.
cópias digitais a partir de R$50. originais, entre R$700 e R$2.000.

http://montalvomachado.com.br/


nova iorque pode servir de inspiração para o uso de bikes em são paulo
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Orlando

o prefeito petista haddad comprou uma briga na cidade de são paulo.
na contra-mão das facilidades dadas pelo governo federal para a compra de carros, passou a priorizar o transporte público e o uso de bicicletas.
uma de suas inspirações pode ter sido a cidade de nova iorque.
a cidade americana possui mais de 200 quilometros de ciclo-faixas (não ciclovias) e prevê chegar a 1.800 quilometros até 2030.

nova iorque é uma cidade mais plana e tem ruas mais largas do que são paulo.
conta-se, também, a quantidade de ciclo-pontos, locais para se prender as bikes, a permissão de se entrar no metrô e um crescente respeito de motoristas e pedestres com os ciclistas.
abaixo, alguns registros:

mapa de ciclovias em ny que se concentram na região de manhattan.

mapa de ciclovias em ny que se concentram na região de manhattan.

 

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ilustradores lançam coleção com mini contos no mis, em sp
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Orlando

uma big mostra de ilustradores e outra de fotógrafos publicados pela editora abril foram o pontapé inicial para que a produtora mandacaru fosse criada, alçado vôo próprio e seja uma das mais respeitadas do mercado.
as irmãs e sócias bebel e manaira abreu, junto com o fiel escudeiro andré valente bolaram mais uma.
a partir de textos que roberto negreiros, o beto monstro, publicava aleatóriamente no facebook contando passagens e causos coloridos com sarcasmo, ironia e humor retratando seus perrengues com a família ou na redação dos jornais pelos quais passou, bolaram um novo projeto.
o resultado é uma caixa com uma trinca de livros com histórias do próprio negreiros, alê kalko e orlando pedroso, convidados para engrossar o caldo.
a idéia era que cada um contasse e ilustrasse mini contos com passagens curiosas e que levaria o título de “aconteceu comigo“.
todos juram que todos os textos tratam de situações verdadeiras.
que importa?
com a palavra o ilustrador'' dá voz àqueles que, por força da profissão, criam imagens para o texto de outras pessoas.
aqui, escrevem e ilustram.
tudo ficou divertido e, como diz meu amigo luiz solda, se não for divertido não tem graça.

Capas com a palavra

blogdoorlando – como surgiu esse projeto?
Bebel Abreu e André Valente - Nós estávamos há algum tempo com vontade de publicar um livro de histórias do Negreiros, que além de ser esse ilustrador incrível, é um excelente contador de causos. Todo encontro sempre foi sinônimo de gargalhadas e de surpresa com a memória impressionante dele sobre tantos assuntos. E ele nunca tinha lançado um livro!! Surgiu um edital do ProAC, em São Paulo, de uma coletânea de literatura. Pensamos que seria uma ótima chance de propor este livro – e chegamos à conclusão de que três livros seria o mínimo para termos uma coleção em cores e com bom acabamento que coubesse no orçamento. Então precisaríamos de mais dois autores.

blogdoorlando – e como foi feita a escolha dos participantes?
Bebel Abreu e André Valente - Era importante que, além de um traço autoral bem definido e reconhecido, os ilustradores que participassem do projeto fossem ótimos contadores de história. Tínhamos uma ideia da sua escrita por conta do Blog e do Fotolog. Sabíamos que colocar suas milhões de histórias no papel seria questão de tempo. Tendo convidado dois autores consagrados, convidamos Ale Kalko para trazer um olhar mais ingênuo à coleção. (Se bem que nessa pseudo-fofura tem bastante ironia!)

blogdoorlando – bem, uma aposta…
Bebel Abreu e André Valente - Foi mesmo uma aposta!! Estávamos muito curiosos pra ler as histórias – que as ilustrações nos agradariam já era certo. Bingo!! Estamos muito felizes com o resultado! A ideia era que o projeto trouxesse de lembranças de infância a experiências profissionais, mas sempre com o olhar de quem viveu essas histórias. O resultado é delicioso de ler e ver.

blogdoorlando – o projeto foi aprovado no edital proac – concurso de apoio a projetos de publicação de livros. qual vc acha que é o mérito dele?
Bebel Abreu e André Valente - Entendemos que o grande mérito do projeto é a inovação, trazendo profissionais que geralmente só ilustram textos alheios para o outro lado, o da escrita. A escolha dos autores convidados também foi bem feliz, possivelmente contou pontos.

blogdoorlando – houve alguma dificuldade no fechamento da ediçāo ou foi tudo doce?
Bebel Abreu e André Valente - Ah, sempre tem aquele ilustrador que entrega as imagens aos 45' do 2º tempo, rs, mas não tivemos grandes percalços.

blogdoorlando – há planos de continuidade do projeto?
Bebel Abreu - Sim, já convidamos os próximos três autores! Vamos torcer!

ALE KALKO 72

blogdoorlando – ilustradores sempre estāo ligados a um texto. como é estar ligado ao próprio texto?
Alê -  O bom de estar ligado ao próprio texto é construir as imagens e o texto de maneira complementar e simultânea. Alguns textos partiram do desenho já concebido, o que é uma experiência diferente de quando você é pautado.
Negreiros - Eu sempre gostei de escrever, mais ainda do que desenhar. Quando aprendi a escrever, eu já desenhava; na verdade, quando aprendi a falar, eu já desenhava.
E nunca mais parei de fazer nenhuma das três…
Ilustrar seu próprio texto é descobrir uma nova dimensão ao que já se estava acostumado a fazer. Posso dizer que é a diferença entre desenhar e esculpir, ou quase isso.
Orlando - sempre que ilustro algo procuro trazer alguma memória afetiva, algo que me faça entrar no assunto.
nesse caso, eu já estava lá e pareceu como tentar copiar uma foto que estava em uma gaveta no fundo da memória.

ROBERTO NEGREIROS 72

blogdoorlando – de onde vcs tiraram essas memórias? é tudo verdade?
Alê - Manoel de Barros fala que quem descreve não é dono do assunto, quem inventa é… As minhas memórias tem esse ponto de vista do que eu prestava atenção na hora. Eu fiquei um pouco obcecada pra ser fiel às coisas que eu ilustrei. Quando a minha Vó ouvia a notícia no rádio eu tinha fragmentos de como ele era na minha memória. Lembrava do cheiro, do clique do botão, da textura do painel, mas não conseguia construir ele inteiro. E tem um tempão que ele nem existe mais na casa dos meus pais. Liguei pra Mãe, pro Pai, pra Irmã pra ver se eles lembravam da marca. Cada um disse um nome. Aí veio a ideia de cruzar o ano que o Vô comprou  – a Mãe tinha uns 10 anos na época – com rádio de pilha no Google e ele apareceu. Exatinho! Deu um alívio encontrar o modelo certo! Não fazia sentido pra mim desenhar nenhum outro rádio. :)
Negreiros - Todas as histórias do livro são verdadeiras, rigorosamente. Sempre tive o hábito de narrar histórias da minha infância, entre amigos chegados e alguns deles se lembram mais delas do que eu mesmo, hoje em dia. Minha vida sempre foi repleta de gente e situações engraçadas, que nortearam a minha dedicação a arte cômica, através do desenho e, agora, em texto.
Orlando - tudo verdade! até que alguém prove o contrário, claro!
eu passei por poucas e boas mas até vc achar que isso pode ser algo interessante para o outro tem uma distância. aí vc fica achando que poderia florear um pouco aqui, um pouco ali, que aquilo que vc está tentando contar não tem interesse nenhum, que não é da conta de ninguém e vc tá citando alguém que pode ficar numa saia justa (não, não é sobre o laerte) ou tem algo muito íntimo.
é diferente de vc escrever contos ou um romance em que vc se esconde atrás de personagens.
nesse caso, o personagem é vc mesmo. ou vários vc mesmo…

blogdoorlando- vc tem pretençōes literárias a partir daqui?
Alê -  Sim, agora é assumir as crias e soltar elas pro mundo. Já tenho alguns projetos iniciados pra lançar em 2015. ;)
Negreiros - Quando cursei jornalismo migrando das artes plásticas tinha em mente, um dia, publicar meus textos com minhas ilustrações.
Isto é a realização de um sonho que pretendo dar continuidade.
Orlando - sim. vou escrever a continuação de harry potter e do 50 tons de cinza. 10 volumes para cada um.
entre esses, vou fazer uma versão hardcore do o alquimista do paulo coelho e trabalhar numa releitura dos catecismos do carlos zéfiro.
rico, pretendo montar uma editora para publicar zines feitos em mimeógrafo.

ORLANDO PEDROSO 72

blogdoorlando – o que vc achou da experiência?
Alê - Sempre escrevi e ilustrei vários projetos pessoais de maneira independente, mas ainda tímida. Bebel ter convidado pra participar do projeto foi lindo, um baita empurrão pra assumir que eu sou uma ilustradora que escreve e uma escritora que ilustra! ;)
Negreiros - Eu adorei a experiência de tal forma que já estou produzindo outros volumes que serão publicados em e-book, a partir deste.
Orlando - adorei. vou pedir emprego pra alê e pro negreiros.

 

serviço:

hoje, 30 de setembro de 2014
a partir das 19h.

Museu da Imagem e do Som

Avenida Europa, 158, Jardim Europa, 01449-000 São Paulo
COM A PALAVRA, OS ILUSTRADORES
Histórias escritas e ilustradas por Roberto Negreiros,
Ale Kalko e Orlando Pedroso
19h Apresentação dos autores
19h40 às 22h Sessão de autógrafostrês
volumes de 64 páginas + luva
Editores: Bebel Abreu e André Valente/Mandacaru
Preço promocional de lançamento: R$ 45,00
(dinheiro ou cartão)
Sobre os autores:
Em quase quatro décadas de humor, ROBERTO NEGREIROS ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo e, diversas vezes, o Prêmio Abril de Jornalismo. Suas ilustrações podem ser vistas regularmente em livros e nas revistas Veja, Veja São Paulo e Piauí.

Durante 27 anos, ORLANDO PEDROSO ilustrou diversas colunas e cadernos do jornal Folha de S. Paulo, além de revistas como a Atrevida. Escreve no Blog do Orlando, no Uol, sobre artes visuais, eventos culturais e opinião. É autor dos livros de ilustração Árvores e Moças Finas e do infantil Vida simples.

O trabalho de ALE KALKO é construído pelos anos de experiência no Mercado editoral, como designer e diretora de arte nas revistas Superinteressante,Women’s Health e Mundo Estranho. Seu trabalho de ilustradora pode ser encontrado na revista Nova e nas publicações independentes Manual de Ver Nuvens, 25 postal & poema, Just Be, Aurélio & Marion, Amarelo e Sonhos (Im)possíveis.

Promoção: IdeaFixa
Distribuição: Zarabatana Books

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


cartunista reinaldo vem a são paulo mostrar a arte zoar
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Orlando

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reinaldo lançou seu livro a arte de zoar na flip, em paraty, e no rio um dia depois do avião de eduardo campos ter caído.
agora, esperamos que em vôo seguro, ele chega à são paulo com sua publicação embaixo do braço.
imperdível!
o cartunista carioca já havia falado ao blog.
veja aqui.


ilustracon apresenta na web panorama da ilustração brasileira
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Orlando

o ilustrador rice araújo está juntando a fome com a vontade de comer.
há uma legião de garotos e garotas querendo dicas e informações sobre como entrar no mercado de trabalho. ao lado desses futuros ilustradores, profissionais também procuram entender em que pontos as recentes mudanças do cenário mudam ou mudarão sua forma de atuação.
a ferramenta para isso: a internet.
o ilustracon trará mais de duas dezenas de palestras com profissionais das mais variadas tendências, especialidades, métodos e que servirão, com certeza, para que todos tenhamos a dimensão dessa diversidade.
o ilustracon acontecerá nas noites de 22 a 28 de setembro com palestras pré-gravadas e gratuitas. na manhã seguinte serão reprisadas.
depois do dia 28 esses vídeos poderão ser adquiridos num pacote denominado ouro.
os horários, valores, inscrições e outras informações estão disponíveis no site http://www.ilustracon.com.br
abaixo, entrevista com o organizador e a lista de palestras e palestrantes:

blogdoorlando – como vc vê o mercado da ilustração hoje no brasil diante de tantas oscilações econômicas?
Rice - Penso que os humores do mercado são cíclicos e o que contribui para que o momento presente talvez seja mais desafiador do que os anteriores é que o mercado de ilustração passa por um momento de transição, não só no Brasil. Me parece ter alguma semelhança com outros períodos em que surgiram novas tecnologias e mídias mas com alguns fatores que tornam esse momento atual bem diferenciado.  Um desses fatores é a longevidade dos artistas que aumentou. Hoje os artistas iniciantes compartilham o mercado com artistas já com 30, 35 anos de experiência com gás suficiente pra mais 30 anos produzindo! Diferentemente de poucas décadas atrás, quando um artista de 60, 65 anos já se posicionava como um mestre formador das futuras gerações. Outro fator é a maior disponibilidade de ferramentas que suprem deficiências do artista, tornando possível a presença no mercado de profissionais cada vez mais jovens, mesmo que ainda com pouca vivência.
Somando isso às deficiências existentes também do lado de lá da mesa, onde as empresas contratantes fazem grande pressão por redução de custos sobre os profissionais que contratam nossos serviços, ao crescimento da oferta de bancos de imagem e a redução do nível de exigência por grande parte do mercado temos uma situação onde um futuro possível precisa ser realmente construído e passa pela valorização da ilustração e do ilustrador.

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blogdoorlando – vc está organizando um evento que abrange várias áreas de atuação do ilustrador. como foi feita a escolha dos palestrantes?
Rice - No tocante aos temas, a proposta foi mesclar vários setores para termos uma visão mais ampla e podermos perceber com mais clareza como funciona cada mercado e a escolha dos palestrantes teve como critério a solidez da carreira dos convidados e buscamos também diversificar um pouco no tocante a faixa etária dos convidados para, quem sabe, podermos perceber algumas diferenças de percepção que existam.
Uma coisa importante na escolha foi tentar trazer alguns profissionais que também ministram cursos em várias escolas diferentes e membros de diversas associações para que o Ilustracon não fosse confundido com uma entidade do setor ou uma escola. Quis desde o esboço do projeto que o Ilustracon pudesse ser um agente independente e agregador que pudesse estimular profissionais mais jovens e também os mais experientes a procurar participar ativamente dessas entidades existentes e buscar as várias boas escolas que temos para se aprimorar profissionalmente ou se reciclar e estabelecer redes de contato que poderão dar frutos importantes para si e para os demais colegas de profissão.

blogdoorlando – e como vai funcionar?
Rice - Nesse primeiro Ilustracon a forma possível de viabilizar foi através de palestras pré-gravadas que serão exibidas gratuitamente de 22 a 28 de setembro.
Além das palestras haverão algumas mini-aulas com com enfoque mais prático e técnico.
Esse formato online permite que de forma gratuita, profissionais, iniciantes e estudantes residentes em pequenas cidades também possam ter acesso a nomes de peso da ilustração que, na maioria das vezes, só podemos ouvir participando de eventos em grandes centros.
Seguindo essa linha de democratização da informação, fizemos uma pesquisa para poder exibir as palestras no melhor horário para o público e como o período noturno foi o preferido por quase 50% dos votantes iremos concentrar o máximo de  palestras a noite.
Sabendo que isso iria impossibilitar que estudantes do período noturno pudessem acompanhar, iremos exibir as palestras da noite também na manhã seguinte. Para o ano que vem a proposta é criar uma estrutura que permita a interação direta do público com os palestrantes.

blogdoorlando – então, quem não puder acompanhar a palestra na hora, vai poder ver depois?
Rice - Sim, mas não mais gratuitamente. As palestras serão exibidas apenas durante a semana do congresso e não estarão mais disponíveis ao público.
Depois de 28 de setembro elas irão para um site restrito e comercializaremos um pacote denominado “ouro'' que dará acesso às palestras até 30 de agosto de 2015, além de alguns outros bônus que estamos agregando e que julgamos sejam interessantes tanto para profissionais mais experientes quanto para os mais novos.

blogdoorlando – e quem quiser ver todas depois?
Rice - Todos os palestrantes receberão o acesso ouro, até por cederem seu tempo e experiência gratuitamente. Essa é uma forma de agradecermos o desprendimento e o senso de compartilhamento. Já o público geral poderá adquirir o plano ouro que estará disponível para venda durante o congresso e o seu preço normal será de R$ 530,00 mas pretendemos também oferecer o pacote ouro alguns dias antes da abertura oficial com um desconto que ainda estamos avaliando mas que certamente será muito, muito expressivo.
A função desse desconto é fazer com que a limitação financeira não seja um impeditivo, justamente para quem talvez mais precise desse conhecimento, ao mesmo tempo cobrindo no mínimo as despesas financeiras com softwares, divulgação e ferramentas digitais que utilizamos nesse primeiro Ilustracon.

blogdoorlando – como vc está conseguindo viabilizar o projeto?
Rice - O projeto a princípio era algo bem menor e por isso foi planejado para ser realizado com recursos próprios e com apenas alguns amigos. Seria um projeto piloto mesmo, porém, me surpreendi com o peso e a experiência dos palestrantes que se dispuseram a participar mesmo com as suas agendas estando apertadas, então decidi ampliar o projeto, mesmo aumentando o investimento de recursos pessoais e tempo para beneficiar o máximo de pessoas possível.

blogdoorlando – de que tamanho é sua equipe para levantar o projeto todo?
Rice - A equipe é muito enxuta. Fixas no projeto temos apenas 3 pessoas, porém conto com também com alguns amigos que auxiliam pontualmente, tanto como consultores como realizando tarefas mais práticas. Para alocar mais tempo no Ilustracon pausei meus projetos pessoais e também praticamente fechei meu estúdio até o início de outubro, mantendo apenas tempo para cumprir dois contratos fixos semanais que tenho.

blogdoorlando – que tipo de retorno vc espera ter com esse evento?
Rice - O grande objetivo do congresso é abrir espaço para que se conheça melhor os vários mercados em que o talento do ilustrador é fundamental e fomentar a discussão dos rumos da ilustração brasileira, reavivando propostas como por exemplo a levantada pelo Faoza anos atrás, e defendida por entidades como a SIB e AEILIJ, de inclusão da disciplina de ilustração nos cursos superiores de comunicação design e artes.
Do ponto de vista da equipe organizadora, esperamos que seja um grande aprendizado para podermos fazer ainda melhor a segunda edição em 2015.
Dois retornos inesperados e muito gratificantes que já tivemos foram o comprometimento e desejo de compartilhar apresentado por todos os palestrantes e o engajamento do público, onde muitos dos inscritos estão divulgando espontaneamente o Ilustracon e se colocando a disposição para ajudar no que for preciso. Isso nos indica que esse enfoque diferenciado do nosso congresso soma esforços com outras grandes contribuições realizadas por entidades, escolas e indivíduos da nossa área e reforça o nosso compromisso em oferecer o máximo possível pelo menor valor viável  a todos os que levam a sério as suas carreiras.

palestras e palestrantes:

KAKO
A ilustração made in Brazil – Participação especial de sua agente internacional Sari Levy-Schorr (Levy Creative Management)

ORLANDO PEDROSO
O ilustrador como autor

MARCIO GUERRA / MAURO SOUZA
A ilustração como arte

MIKE AZEVEDO
Ilustração para gamesSPACCAAdaptação de literatura para quadrinhos

MARCOS SAMPAIO / EDUARDO BARONI
Os bastidores da Ilustração 3D – Estúdio Notan

MARCATTI
HQ independente: controlando 100% do processo

LAUDO FERREIRA
HQ – fazendo arte em parceria

MANOHEAD
Caricatura – trabalhando arte e humor de forma séria

FERNANDA GUEDES
Ilustração editorial

JOÃO CARLOS MATTIAS
Cenografia: a arte saindo do papel

FABIO COALA
Segredos do webcomics

KLEBS JUNIOR
HQ – Brasileiros no mercado internacional

FERNANDES / GILMAR / SERI
Ilustração de humor na imprensa

MONICA FUCHSHUBER
O design de superfície

MONTALVO MACHADO
A ilustração como profissão

NEWTON VERLANGIERI
Os bastidores da ilustração publicitária

PAULO BORGES
Didáticos e Literatura: a ilustração a serviço da educação

BIRA DANTAS
Ilustração sindical: arte a serviço do trabalhador

MARCOS VENCESLAU
HQs, fanzines e oficinas: a arte nas mãos do público

GILBERTO LEFEVRE
Os segredos do Storyboard

IRIAM STARLING
A ilustração científica no Brasil

IVAN QUERINO
Turbinando seu portifólio

THAIS LINHARES
O direito autoral na ilustração

ALEX CÓI
Dicas de desenho de observação

RICARDO SOARES
Dicas de ilustração Digital

LUÍS GUSTAVO BARBOSA
Dicas de ilustração Digital

quem é Rice Araújo
Ilustrador e cartunista, atuou em diversas agências de publicidade de S. Paulo e intituiu também o curso de aerografia da Escola Oficina de Artes, em Santo André, onde lecionou por três anos.
Como chargista e cartunista do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, participou da publicações como o livro “Vítimas'' que contribuíram para que o sindicato recebesse o prêmio de melhor imprensa sindical do período.
Foi premiado em salões de humor como a Bienal Internacional de Quadrinhos, Festival de Humor de Santos e Salão Universitário de Humor de Piracicaba.
Criou também vinhetas animadas da Rede Globo (os plim-plins) e entre as publicações que participou estão os livros de caricaturas “Brasil do Bem'' e “Noel é 100″ do Instituto Memória Musical Brasileira.
Atualmente mora no interior de SP de onde produz charges, cartuns e ilustrações para empresas, agências de publicidade e sindicatos.

www.ilustracaodigital.com

http://ricearaujo.blog.uol.com.br

ricearaujo@gmail.com

 

 

 

 

 


prefeitura de teresina ameaça fundação nacional do humor e salão do piauí
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Orlando

 

sede da fundação nacional do humor

sede da fundação nacional do humor

o salão de humor do piauí não é o mais rico do brasil mas continua sendo um dos mais importantes do país por seu formato aberto e democrático.
boa parte das mostras paralelas acontecem no passeio público usado por trabalhadores e estudantes
a.
a crise econômica e gerencial dos últimos anos teve seu ápice meses atrás quando a sede da fundação nacional do humor foi invadida e depredada por vândalos.
veja aqui.
dispostos a reverter essa situação, a antiga diretoria formada por fundadores do salão, tomou as rédeas e, encabeçada pelo jornalista kenard kruel conseguiram reformar o prédio e marcar a data do salão deste ano.
o tom dramático do episódio é a citação, enviada ao presidente da fundação pela prefeitura de teresina, pedindo o prédio de volta.
a novela promete novos capítulos e um posicionamento de todos os cartunistas para que o salão do piauí renasça mais forte.
abaixo, entrevista com kenard:

blogdoorlando – O Salão Internacional do Piauí é um dos mais antigos e importantes do país. Por que?

Kenard -  O mais antigo é o de Piracicaba. Foi nele que nos espelhamos para realizar o Salão Internacional do Humor do Piauí, em 1982. Eu era assessor de comunicação da Secretaria da Cultura do Piauí, na gestão do secretário Wilson de Andrade Brandão, governo Lucídio Portella, irmão de Petrônio Portella. Com o apoio do presidente da Fundação Cultural do Piauí, José Elias Martins de Arêa Leão, e da diretora de Atividades Culturais da Fundação Cultural do Piauí, a saudosa Luiza Vitória Figueiredo (Sulica), e do chefe de gabinete da Secretaria da Cultura, o hoje des. Luiz Gonzaga Brandão de Carvalho, nasceu o Salão Internacional do Humor do Piauí.

blogdoorlando – O que veio acontecendo com ele nos últimos anos?
Kenard – Nos três primeiros anos, essa equipe acima dirigia o Salão Internacional do Humor. A partir do quarto ano, a coordenação foi entregue ao cartunista Albert Piauí, que deu outra dimensão ao Salão. Mais experiente, e sendo do ramo, fez o Salão crescer ano a ano. Mas, mantendo a mesma característica do seu nascedouro, de ser um evento popular. O Salão toma conta das ruas, das praças, dos espaços públicos da cidade, com exposições, shows, teatro, cinema, artes em geral. A cidade tomou conta do Salão. E faz dele, talvez, o maior evento do ramo aberto do mundo.

blogdoorlando – Se o Salão é um patrimônio público, qual a dificuldade que o estado tem em lidar com isso?
Kenard – O problema não é o estado, mas sim a organização do Salão. Antes, ele era realizado pela Fundação Cultural do Piauí. Era estatal. Depois, com a criação da Fundação Nacional do Humor, em 27 de agosto de 1991, ele passou a ser feito pela entidade. Quando havia harmonia entre a Fundação Nacional do Humor e da Fundação Cultural do Piauí, o Salão navegava em céu de brigadeiro. Quando não, sempre foi um Deus nos acuda. A Fundação Nacional do Humor não se preparava a contento para realizar o Salão. Quando ia elaborar o projeto (com programação e tudo) já era em cima do evento. Por falta de tempo, sempre foi difícil captar recursos para a sua realização. Assim, o Salão sempre viveu em altos e baixos.

blogdoorlando – E é um salão nada elitista, feito em boa parte na rua e com atividades abertas a todos…
Kenard – Esse é outro grande problema. Não se cobra nada de ninguém. O trânsito é livre. Como não contamos com patrocinadores a contento, muitas vezes o Salão se encerra com débitos em hotéis, restaurantes, lojas, artistas etc. A partir de agora, em nossa administração, algumas das atividades terão ingressos pagos. Além do mais, as bandas que quiserem tocar, terão que procurar patrocinadores. Ao invés de fazermos pagamentos, elas terão que nos dar 30 por cento do que foi captado. Isso porque, por exemplo, eram contratadas mais de 20 bandas. Algumas sem público algum. Elas chegavam, tocavam e se mandavam, sem participar nem antes e nem depois do evento. Isso não queremos mais. Queremos integração total. Só vão participar do evento os que queiram interagir com todas as atividades apresentadas. Vamos continuar fazendo atividades abertas, mas antes patrocinadas, para não ficarmos devendo a ninguém mais.

blogdoorlando –O salão de 2013 foi realizado na cidade de Parnaíba. Por que foi para lá e por que volta a Teresina?
Kenard – O Albert Piauí teve um atrito com o ex-prefeito Silvio Mendes, e, de lá para cá, a Prefeitura de Teresina passou a perseguir a Fundação Nacional do Humor. Uma das maneiras de denunciar isso, publicamente, já que não podia fazer pelos meios de comunicação (quase todos comprados pelo poder público), foi tirando o Salão da Capital. Mas, com isso, como já falamos, deixou o prédio sede abandonado. E deu no que deu, com ação de despejo por parte da prefeitura de Teresina, que só queria um pezinho de nada para tomar a nossa sede. Agora, vamos realizar o Salão novamente em Teresina. Mas, temos proposta de fazê-lo nas principais cidades do Estado e nas principais capitais e cidades do país. Afinal de contas, a nossa Fundação do Humor é Nacional. Tem que estar presente em toda parte do nosso território nacional. Realizando, participando, incentivando no lugar que não tiver Salão de Humor.

blogdoorlando – a Fundação Nacional do Humor, patrimônio de Teresina e do humor, foi depredada e parte de seu acervo foi vendida em praça pública pelas pessoas que invadiram o prédio. Que providências foram tomadas, o quanto desse material foi recuperado e quais os planos para a fundação a partir de agora?
Kenard – Não houve tanto estrago como foi divulgado. O prédio foi pichado, mas já pintado novamente. Duas janelas que, no período de chuva, recebem bastante água, e, sem proteção ou limpeza adequada, enferrujaram, foram arrancadas do lugar, por onde algumas pessoas entraram, mais para fazer sexo, fumar crack, usar outras drogas, do que propriamente para roubar o acervo existente. Além do mais, esse ato de vandalismo contou com a participação de setores da Prefeitura de Teresina, que, assim, se aproveitou para justificar a ação de despejo da Fundação Nacional do Humor. Alguns desenhos cópias foram vendidos na Praça Pedro II, centro da cidade. Falam em originais, mas, quando o Dr. João Henrique Sousa, piauiense, foi presidente dos Correios, a Fundação Nacional do Humor conseguiu com ele a devolução dos originais que se encontravam na sede para os seus donos. A partir de então, não se recebia mais original, e sim cópia enviada pela Internet. A Fundação Nacional do Humor mantém HDs externos com essas cópias, que podem ser impressas à medida do necessário. Estamos organizando todo o nosso acervo. Uma equipe de especialistas da Universidade Federal do Piauí, chefiada pela professor Lurdinha Nunes, está nos ajudando nessa tarefa.

blogdoorlando – como está sendo feito o gerenciamento do Salão e da Fundação?
Kenard - Na gestão anterior, a Fundação Nacional do Humor só se preocupava única e exclusivamente com a realização do Salão Internacional do Humor do Piauí. Vivia em função desse único evento. Duravam os holofotes apenas uma semana. No restante do ano, a Fundação Nacional do Humor praticamente não existia. Não preparava outras atividades para manter a sede aberta e participativa. Na nossa gestão, em pouco tempo, conseguimos realizar diversos eventos, como o Humor na Praça, todos os sábados, exposições de desenhos, de fotografias, cursos e oficinais diversos. Cedemos os espaços para Fundação Nacional do Humor e da Praça Ocílio Lago, onde fica a nossa sede, para quem queira realizar os seus eventos. Com isso, a cidade acordou novamente para a Fundação Nacional do Humor, que funciona quase que 24 horas, diariamente. Nisso, contamos com a cumplicidade total de vários voluntários, com destaque para Mariano D’Abreu, comandante de todos eles. Mariano é ator, diretor de teatro, produtor cultural dos mais respeitados no Piauí. E está nos dando uma força incrível. Obrigado, amigo. Obrigado a todos os voluntários. Torquato Neto nos diz que Cada louco é um Exército. E o nosso, graça a Deus, todos os dias aumenta mais e mais. Agora, para manter a fundação com caixa, estamos instalando diversos projetos em nossa sede. Livraria Millor, Editora Lapi, Bar Jaguar, oficinas e cursos diversos de arte, aluguel de salas, promoções culturais e artísticas diversas, tudo que puder nos trazer recursos para não ficarmos de pires na mão diante das portas do poder público, como acontecia na gestão anterior.

blogdoorlando – já há uma data marcada para o salão 2014. o que se pode esperar dele?
Kenard – Vamos realizar, da maneira que pudermos, de 5 a 9 de novembro, na Praça Ocílio Lago, onde funciona a sede da Fundação Nacional do Humor. Não será um grande evento. Será modesto, para não deixar a peteca cair. Contudo, contando com a solidariedade dos cartunistas do Brasil e do exterior, já temos várias exposições confirmadas. Bandas confirmadas. Atividades, como oficinas, cursos, teatro, cinema, literatura, tudo na programação. Estamos vendo a possibilidade voltar à premiação em charge, cartum, caricatura e quadrinhos. Estamos buscando, ainda, patrocínios. Se der bem, faremos. Se não, vamos aguardar o próximo ano A partir deste, já vamos começar a organizar o Salão de 2015.

 

quem é kenard kruel:
 jornalista, escritor, professor e editor (Editora zodíaco). Formado em letras Português , em Letras Inglês e em Direito. presidente da Fundação nacional do humor. Presidente do Sindicato dos Escritores. presidente da associação Piauiense de Imprensa. Um dos fundadores do Salão Internacional do Humor e da Fundação Nacional do Humor.