Blog do Orlando

chupar pode ser gostoso mas copiar é fundamental
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Orlando

Perereca

um dos grandes dramas dos novatos é achar seu estilo.
a palavra causa tremores e a obrigação de se achar uma forma absolutamente pessoal de desenhar pode ser uma tortura especialmente em tempos como os nossos em que temos tudo à mão mas pouquíssimas referências.
explico: muitos dos profissionais (de imprensa, especialmente) começaram a desenhar e a desejar publicar porque viam páginas duplas, desenhos maravilhosos e bem editados em jornais e revistas.
hoje, talvez, tenhamos mais títulos nas bancas mas, ironicamente, menos espaço para publicar e os que publicam também estão aprendendo como os novatos que ainda brigam consigo mesmo em seu próprio quarto.
por outro lado, temos em um simples monitor, o mundo. museus, exposições, publicações, blogs e sites. mas não é a mesma coisa.
a publicação na banca demonstra que alguém pode viver de seu desenho, que ser profissional é estar lá e com as contas pagas.
profissionais também vivem esse drama. vivem comparando seu trabalho com os dos colegas, vivem se questionando se o desenho não está envelhecendo, se a fonte de ideias está secando.
eu mesmo tinha mais de 10 anos de profissão e vivia às turras com meu traço, com a não intimidade com certos materiais e com uma inevitável inveja branca quando via algum desenho matador publicado aqui e ali.

pois bem, tenho falado muito sobre isso com garotos que me procuram para mostrar portifolio.
todos, sem exceção, se desesperam na tentativa de achar um traço para chamar de seu, para desenhar mãos, desenhar pés, dar expressão, usar perspectiva e eu digo simplesmente que tudo já está inventado e o que nos resta é copiar. sim, copiar.
copiar é diferente de chupar.
copiar é estudar o trabalho de outro para entender como ele chegou lá.
num “piratas do tietê”, do laerte, por exemplo, tem tudo para se começar bem. tem anatomia, uma infinidade de expressões, profundidade, perspectivas, navios, movimento, claro/escuro, arquitetura e mãos, muitas mãos.
copiar o laerte é um bom começo.

modelo vivo é sempre outra boa opção mas nem sempre se pode ter um profissional à mão. podemos, então, observar os passageiros do metrô, do ônibus, transeuntes na rua, parentes em casa. modelos não precisam, necessariamente, estarem pelados.
e se a questão é anatomia, vamos aos gregos. nas estátuas gregas encontramos todos os músculos e posições que precisamos para entender o corpo humano. um bom livrou ou o querido google resolvem fácil.

quando falo em copiar, os olhos se arregalam mas, como disse, copiar é diferente de chupar. vc copia para aprender, para entender, não para mostrar para os outros ou colocar no portifolio.
se a gente copiar um, o outro, mais outro, mais aquele e tantos quanto puder dos quadrinhos, da ilustração até os pintores clássicos, mais chance de se criar um repertório próprio. ele será a soma de tudo o que se copiou mais o que se descobriu de si próprio passado por uma peneira.
o que pingar no papel é nosso estilo.

coincidentemente estou lendo “vida”, a biografia do guitarrista dos stones, keith richards e o que me chamou a atenção logo de cara (fora o fato de ele ter tomado todas e ainda assim se lembrar de coisas) é a obsessão por tentar tocar igual aos guitarristas de blues de chicago. ele e mick jagger queriam chegar à crueza daquele som e, para isso, colocavam a bolachona na vitrola e faziam infinitas sessões de escuta e tentativas.
ele não queria ser um compositor. queria ter uma banda que soasse como um jimmy reed, como jimmy rogers, pat hare, caras que tocavam com muddy waters e chuck berry.
escutar, escutar, copiar as notas, tentar reproduzir.
vc só fica bom repetindo à exaustão.
keith não perseguia seu estilo. queria ficar bom como os heróis americanos que ele escutava nos compactos simples que conseguia com amigos em londres.
anos depois, numa dessas encruzilhadas, percebeu que conseguia compor algo, que era bom em criar riffs, que podia decidir por uma afinação mais aberta e, finalmente, ter sua assinatura em algumas das músicas mais importantes do rock mundial.
keith richards todo mundo conhece. e ele começou copiando.
o truque está em saber o momento de se desgarrar de seus mestres e passar a ter uma identidade, um dna reconhecível.

no desenho, é a mesma coisa. treino, observação, repetição, curiosidade.
se dar a liberdade de errar e tirar proveito disso.
o estilo, aliás, pode estar escondido atrás de erros e não na tentativa de se fazer tudo certinho mas isso a gente só descobre fazendo.
e fazer dá um certo trabalho.

 

 

 

 


caco galhardo lança coletânea de tiras de lili, a ex
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Orlando

capa lili
caco galhardo começou publicando a tira os pescoçudos na folha de s. paulo em 1996. de lá para cá, criou uma série de personagens que tratam de relacionamentos ou da falta de, como chico bacon e a lili, uma ex que vive para infernizar a vida do pobre do reginaldo.
lili, agora, vira livro e reúne uma seleção das melhores tiras publicadas na folha.
toninho mendes, que edita o livro, diz:
“Lili é uma personagem que segue uma tradição marcante no desenho de tiras e quadrinhos no Brasil. Desde J.Carlos com sua Melindrosa, passando pela Super Mãe de Ziraldo, A Tânia da fossa de Jaguar, A Mônica de Mauricio de Souza, O Casal Neuras de Glauco e a Rê Bordosa de Angeli. Lili é contemporânea e satiriza uma situação cada vez mais constante no casamento: as separações, o ciúme e um sentimento de perda generalizado que se transforma em raiva, ódio e vingança. Tudo trabalhado com ironia e um humor fino e cortante.”

abaixo, entrevista com reginaldo. quer dizer, caco:

blogdoorlando – vc já tem uma boa galeria de personagens. como surgiu a lili?
Caco Galhardo - Minha ex-mulher ficava horas no telefone com suas amigas recém separadas, falando sobre seus ex-maridos. Comecei a achar graça e criei a personagem da mulher obsessiva pelo ex.

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blogdoorlando – vc, aliás, tem algum personagem preferido?
Caco Galhardo - Chico Bacon e Lili.

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blogdoorlando – a lili, como outros personagens femininos de quadrinhos é rodeada de dilemas e tormentos. isso é uma sina delas?
Caco Galhardo - Obsessões são uma poderosa fonte para quem trabalha com humor. Nesse aspecto, a psiquê feminina é um prato cheio.

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blogdoorlando – a lili foi adaptada para a tv. como foi a escolha da maria casadevall e o quanto vc ficou contente com o tratamento dado à série?
Caco Galhardo - Comecei a desenvolver esse projeto há dois anos, pelo meu interesse em dramaturgia e a vontade de participar desse momento incrível da televisão. A experiência foi riquíssima, um puta aprendizado e o resultado foi melhor que o esperado, tô muito feliz com a série. A Maria Casadevall foi indicação do diretor Luis Pinheiro e foi, disparado, o maior acerto da série. Ela é uma atriz genial.

lili tira 04

blogdoorlando – o livro traz alguma tira inédita? como foi feita a edição?
Caco Galhardo - É coletânea das tiras publicadas na Folha. Foi idéia do Toninho Mendes, uma figura lendária, mitológica, pontual na HQ nacional. Foi um prazer enorme fazer esse livro com o Toninho, ele amarrou tudo de um jeito muito legal, com o lançamento do livro casado com a exposição dos originais na Galeria Ornitorrinco. Todas as tiras já estão num site de pré-venda: http://liliaex.lojaintegrada.com.br/.

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blogdoorlando – vc estava trabalhando no texto de uma nova peça de teatro. como está isso?
Caco Galhardo - Já estou com uma nova peça escrita, chama “Flutuante''. Agora é levantar grana, produção, elenco, sala. Dá um trabalho da porra, mas a recompensa é imbativel. Se tudo correr bem, estréia ano que vem.

covite caco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


revista as periquitas reúne produção feminina em desenhos e textos
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Orlando

maria claudia frança nogueira, a cartunista crau da ilha nasceu em 1956 mas é cria, de fato, do “grilo”, “balão” e “pasquim” publicados no início dos anos 70. depois, colaborou com “o bicho”, editado pelo fortuna, fazendo cartuns, textos e ajudando na produção.
em 1977 foi morar em ilhabela, litoral de são paulo, e trabalhou com várias publicações como imprensa livre, jornal da ilha e diário do litoral norte, entre outras.
foi funcionária pública, fez ativismo ambiental, escreveu 3 livros, trabalhou num projeto de resgate do samba caiçara.
hoje, morando em florianópolis, estuda engenharia de aquicultura e tem um taxi.
com a facilidade da internet conseguiu encontrar antigas parceiras e retomar a idéia de uma publicação que reunisse a produção de mulheres cartunistas, ilustradoras, quadrinistas, escritoras.
nasce, assim, com o apoio da pesquisadora cris merlo e do editor franco de rosa, a revista as periquitas.
mariza dias costa, ciça alves pinto, claudia kfouri, natalia forcat, germana viana e lorena kaz (que assina uma das duas capas) são algumas das integrantes. há, também, a participação da tatuadora carla rissatto e uma longa entrevista com laerte.
abaixo, entrevista com crau:

Capa Crau

blogdoorlando – como surgiu a idéia de uma publicação só com mulheres?
Crau - Foi ainda no milênio passado quando reencontrei pessoas do meio, o Gualberto e o JAL. Eu havia passado um longo tempo atuando em outras áreas e, eventualmente, desenhando mas fora dos grandes centros. Gualberto, alegando que quase não havia cartunistas mulheres, provocou: – Por que será que as mulheres começam a fazer mas não persistem no cartum? Respondi: Pois, agora, estou pensando em fazer uma revista de mulheres cartunistas. Ele e o JAL adoraram a idéia e logo me passaram o contato de dezenas de meninas que estariam fazendo cartum e quadrinhos. Era o início dos anos 90 e poucas pessoas usavam o computador, muito menos a Internet. Escrevi cartas para quarenta mulheres que, ou desenhavam, ou faziam roteiros, ou criavam histórias completas ou cartuns, de que fui tendo notícia, pelo Brasil afora. E elas chegaram a me mandar trabalhos. Foi o primeiro movimento nesse sentido, mas como eu morava no mato e não tinha estrutura alguma para produzir uma revista, o projeto ficou incubado no ninho.

blogdoorlando – e como a revista foi viabilizada?
Crau - No ano 2000, envolvida em outro projeto de vida, de música, entreguei de presente a idéia da revista com a sugestão de nome “A Periquita'' para que a pesquisadora de quadrinhos Cristina Merlo fizesse acontecer. No ano passado a Cris me reencontrou e disse que havia um editor interessado em produzir a revista e os dois me intimaram a editá-la. Era o Franco de Rosa que, aliás, tem como sobrenome um nome de mulher. Como já é outro tempo e A PERIQUITA deu cria, agora somos AS PERIQUITAS.

Cica

blogdoorlando – há muitas mulheres ilustrando mas poucas se dedicando ao cartum. por que?
Crau - Quando fazíamos OBicho com o Fortuna, no Rio dos anos 70, havia algumas cartunistas  tentando trabalhar. Naquela época eu conhecia pelo menos três que faziam algum tipo de humor gráfico: a Ciça n'A Folha, a Mariza (OBicho, O Pasquim), a Patrícia Mendonça (na Crás) além de mim, que apenas iniciava n'OBicho. Se havia essas atuando, imagino que houvesse outras, ocultas ou até mesmo envergonhadas de se apresentarem diante da profusão produtiva e visível dos talentos masculinos. Mas desde a caricaturista Rian (1886-1981), o desenho de humor deixou de ser exercido exclusivamente por homens.
Talvez o tempo de criação das mulheres seja um pouco diferente da dos homens e isto nos torne invisíveis.
Desde que convidei as meninas para esse mesmo projeto no século passado, criamos quadrinhos, cartuns e outras obras,  além de cabelos brancos, filhos e netos. Algumas cresceram na profissão, outras decolaram, mas continuam a dizer que “não há mulheres cartunistas”.
Reflito se nosso próprio senso de humor se manifeste de diferentes maneiras e possa às vezes não ser reconhecido. Mas não gosto de limitar o conceito “cartunista'' somente para quem faz piadas desenhadas, mas estendê-lo para quem interpreta o mundo mediante mensagens gráficas, seja em forma de narrativa nas histórias em quadrinhos, seja pela visão crítica do desenho de humor, como faz Mariza.

blogdoorlando – como foram escolhidas as participantes?
Crau - Lembrei da Mariza, da Ciça, da Thaís Linhares, da Natália Forcat,  a quem já havia convidado na edição da Primeira Periquita. Chamei também outras amigas de quem respeito o trabalho como a Ana Viegas, que considero uma plena humorista do traço que nem sabia que era. Ela me indicou a Luiza Nasser e a Claudia Kfouri. O Franco trouxe e citou mais algumas que fiquei caçando na Internet e assim foram chegando a Lorena, a Alessandra Mattos, a Dadí, a Maria Rita, as argentinas e todas as demais. Como o critério principal era “ter algo a dizer'', descobri uma sobrinha de dez anos, a Bibi, que sabia fazer roteiros bem engraçados e resolveu desenhar.

Claudia Kfouri

Nesse período de chocadeira das Periquitas (levou um ano) fiquei feliz ao constatar que aconteceu pelo menos uma edição de revista, “Mulherada'',  com cartuns de mulheres trabalhando exclusivamente o tema “gênero'', e que a Folha abriu um espaço exclusivo para tiras feitas por mulheres, o que parece ter levantado um pouco o manto da invisibilidade. Só para deixar dito, As Periquitas não têm as questões de gênero como tema exclusivo, embora neste número isso tenha aflorado em diversas páginas.

blogdoorlando – o laerte concedeu uma grande entrevista, não?
Crau - Sim. Grande, em tamanho e uma histórica entrevista. Foi um papo delicioso entre comadres em que muitos paradigmas foram expostos e questionados, que durou mais de três horas e  foi um “isso'' para transcrever. Laerte, além de ser uma referência no cartum, sempre foi ativista de causas político-sociais e não podia deixar de estar presente, já que se propôs a se encarnar em mulher. Já como precursor de Arlete, personagem consultora sobre assuntos polêmicos,  forneceu uma perspectiva histórica do feminismo e sobre a presença da mulher no cartum.

Capa Lorena

blogdoorlando – a revista vai ser distribuída onde? onde ela poderá ser encontrada?
Crau - A revista vai ser distribuída em bancas, juntamente com a Caros Amigos e poderá ser encontrada em algumas livrarias ou encomendada pela internet.
Deverá estar nas bancas a partir do dia 15.
Serão feitos diversos eventos de lançamento em algumas capitais e outras cidades como Florianópolis, Curitiba, Ilhabela, Santos e não sei mais onde.

Serviço:

As Periquitas
Data: 29 de outubro
Horário: das 19h às 21h30
Local: Casa das Rosas – Espaço da Palavra
Endereço: Av. Paulista, 37
Editorial Kalaco
96 páginas
Capa dupla com slip
Formato 20,5 x 27,5 cm
Preço de Capa: R$ 39,90


americanos comem e health food é a loucura novaiorquina
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Orlando

enquanto os brasileiros continuam ruminando as indigestas campanhas eleitorais para presidente, os americanos comem.
sabemos que nos eua tudo é mega, tudo é hiper, tudo é over mas no quesito comida, eles se superam.
há, como em todos os lugares, os gordos, os viciados em junk food, hamburguers de oito andares, etc, mas o lance agora é o health food, comida saudável e as opções têm as mesmas proporções da fartura americana.
das barraquinhas de rua até os imensos entrepostos como o whole foods, passando pelas feirinhas de produtos orgânicos, o americano e, em especial, o novaiorquino, come e consome como se fosse o último dia da terra.
e há opções para todos os gostos. salada e frutas cortadas, pães, patês, especiarias do mundo todo, azeite, peixe, carne, fritura, cozido, frutas, kebabs e sashimis. tudo muito. e as embalagens são lindas!
no restaurante, na lanchonete, no parque ou na praça. tanto faz.
o novaiorquino come.
come.
come.
come!
vejam as fotos:

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e, aí, tem a fila para pagar:

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montalvo machado traz trabalhos pessoais e oficinas na exposição hiperfoco
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Orlando

montalvo machado, paulistano da mooca, nascido em 1966, é um dos principais interlocutores quando se fala de ilustração no brasil.
pode-se concordar ou não com muitas de suas opiniões mas o que ninguém pode discordar é da importância de seus posicionamentos quanto ao mercado e postura dos profissionais.
ilustrador de longa carreira, colabora com estúdios, agências e publicações desde 1983.
entre 1990 e 1991 estudou desenho de embalagem na – sea – school of visual art e técnicas de ilustração e na fit – fashion institute of technology, ambas em nova iorque, e entre 1997 e 1998, estudou na illustration academy – william jewell college, em liberty, missouri.

montalvo não tem problemas em cruzar a ponte entre o analógico e o digital e é isso pode ser visto na mostra que hiperfoco que abriu no último dia 25, na galeria ornitorrinco, em são paulo.
os cerca de 30 trabalhos trazem pinturas em tela, aquarelas, pastéis e suportes não-convencionais como madeira e ladrilho hidráulico. além disso, há uma programação com conversas e oficinas com datas disponíveis no site da galeria: http://www.galeriaornitorrinco.com/

abaixo, entrevista com o artista:

blogdoorlando – vc optou por fazer uma exposição temática, quase voltada para a arquitetura. por que?
Montalvo - Durante muitos anos como ilustrador eu atendi a clientes, com jobs muito fechados tanto nos temas como nas técnicas, e deixei para fazer esta busca pelo meu próprio estilo muito tarde na minha carreira. E chega um momento em que todo artista quer atender ao próprio chamado, ser seu próprio cliente. Neste sentido eu custei a entender qual era o meu tema, e no meio de tantos caminhos, qual era o que eu realmente estava procurando. Eu encontrei esta linha temática há uns 10 anos, quando era sócio do Cárcamo e do Zuri na Mangue Galeria em Paraty, enquanto buscava referências para pintar novos trabalhos entre as minhas fotos de viagem. Tudo já estava lá, fotografado e pensado, e partindo destas referências eu encontrei o meu estilo pessoal.

Jangada 02 - 120x90

blogdoorlando – os quadros são recortes de imagens, detalhes…
Montalvo - Então, eu gosto de brincar no limiar entre o figurativo e o abstrato, sem cair no hiper-realismo ou na desconstrução total. Na verdade eu gosto mesmo é das cores, das relações tonais, da composição, equilíbrio, formas, planos… e tem tudo isto nos recortes das fotos que eu tiro, pensando exatamente em exagerar e tirar o máximo destes fundamentos. Eu não procuro repintar a foto como ela é, mas usar a imagem original como ponto de partida para estudos cromáticos, caminhando até a beira do abstrato, mas sem perder o contato com o objeto ou o lugar em si.

blogdoorlando – quais as técnicas e formatos? em qual vc se sente mais à vontade?
Montalvo - Eu adoro a experimentação, gosto de misturar técnicas, combinar materiais diferentes, e sempre há muito por explorar e descobrir no caminho. A cada quadro eu aprendo mais sobre técnicas e cores, e quando trabalho no digital eu procuro usar tudo isto para que o resultado fique natural, como se fosse uma pintura em tela mesmo, ou papel. Talvez por isto as obras tenham esta “conversa'' entre si, e o digital acabe se parecendo bastante com as pinturas feitas com tinta mesmo. Como sou ilustrador de formação, os formatos são pequenos e médios, mas estou me sentindo cada vez mais a vontade com áreas maiores, e acho que a tendência natural é produzir trabalhos em grandes formatos, o que deve acontecer em breve.

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blogdoorlando – onde o seu trabalho autoral se encontra com o profissional?
Montalvo - Eu acho que estou quebrando esta barreira agora, e o autoral me parece muito novo e tentador, mas o meu lado profissional sempre me traz para a realidade, e eu acabo me questionando muito sobre como isto vai se manter, como vou pagar as contas fazendo algo totalmente autoral. Por isto eu preciso manter os pés nas duas canoas, atendendo a clientes e explorando as possibilidades deste mercado novo que estou descobrindo agora, com esta exposição. Se der pé – e eu acho que vai dar – quero fazer a transição de uma vez e me dedicar totalmente à produção autoral.

blogdoorlando – o quanto vc acha importante ilustradores se dedicarem ao estudo e produção de materiais não encomendados?
Montalvo - Eu acho que existe um equilíbrio saudável entre os dois caminhos, principalmente no meio da carreira de um artista. O início é muito flexível, pode acontecer que a produção seja maior de um lado do que do outro, e é o momento do artista explorar as suas ferramentas, tentar tirar da cartola quantos coelhos puder, para poder achar seu nicho e sua clientela ideal. Aí começa a demanda, e o artista se torna escravo do que conquistou. Os clientes o chamarão para fazer mais do mesmo, e durante anos ele pode se cansar daquela fama que conquistou. Nesta hora ele deve se dedicar ao próprio instinto, e deve tentar se reinventar, em técnicas, temas, formatos, mídias, tudo. Assim ele vai se reciclar e descobrir novos caminhos, e quem sabe atender a novos mercados, e sempre com algo de novo, inédito, e surpreendente na mesa. O mais perigoso é o artista se tornar refém do tédio, amarrado em seu próprio estilo, ou da demanda que ele mesmo gerou, porque isto pode cansar não só a ele mesmo, mas como os seus consumidores.

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blogdoorlando – boa parte desse material foi produzido tendo como base anotações em sketchbooks. conte um pouco.
Montalvo - Os sketchbooks são o meu laboratório, meu quintal, o lugar onde eu me permito errar a vontade, sem medos ou cobranças. E é neste lugar mágico que a surpresa acontece, novos traços, novas combinações de técnicas, e coisas que eu mesmo não tinha como prever, acontecem o tempo todo. Os temas da exposição “Hiperfoco'' tem como origem os sketchbooks, não apenas na técnica, mas como nas composições e na temática mesmo. Eu gosto de levar os cadernos em viagens, ou nos lugares mais comuns como filas e restaurantes, e sempre tem alguma coisa que fica mais legal desenhada do que apenas vista. Parece que o banal se torna especial quando é desenhado. Pode ser qualquer coisa, uma arandela, um telefone velho, uma sombra na parede, se virar desenho, parece que ganha uma aura meio mágica. E a partir destes estudos, eu posso continuar puxando informações, fazer uma tela grande e carregar nela a concentração de tudo o que era espontâneo e gestual de um desenho pequeno do sketchbook, só que com uma técnica mais refinada.

blogdoorlando – a partir de hoje, quarta, vc começa uma série de palestras e oficinas. do que vão tratar e o que vc espera de quem vai participar?
Montalvo - Eu sempre gostei muito da troca que acontece em workshops e palestras, eu adoro compartilhar minhas descobertas. É como se a informação me incomodasse, se ela não for passada adiante. As oficinas são a continuidade do que eu já fazia no meu outro estúdio, com alguns temas novos, outras técnicas, mas mantendo a mesma linha de raciocínio. Eu gosto muito de ver o resultado aplicado do que as pessoas aprendem comigo, me dá uma sensação de continuidade, de ter passado o bastão adiante, e não guardar tudo só para mim. As oficinas vão de anatomia até dicas sobre negociações com clientes, passando por aquarela e pastel, encadernação de sketchbooks, técnicas mistas, etc. Eu espero encontrar gente curiosa e entusiasmada como sempre aconteceu na edições anteriores, artistas e designers que procuram técnicas e dicas para usar já no dia seguinte, informações práticas, teorias aplicáveis no dia-a-dia.

Ruinas na Bahia

blogdoorlando – como vc vê o futuro da ilustração comercial no brasil?
Montalvo - Eu tenho um misto de entusiasmo e preocupação, e acho que a balança está pendendo cada vez mais para o segundo lado. Tem muita gente boa hoje em dia, produzindo coisas espetaculares, mas parece que comercialmente falando, estamos despencando em queda livre, a caminho do zero, em valores negociados. Parece que publicar é mais importante do que comer, e isto não faz o menor sentido, porque os nossos clientes não pensam assim, eles exigem resultados financeiros antes de qualquer satisfação pessoal. Não sei como chegamos a este ponto, e a situação não é auto-sustentável. Se continuar assim, nenhum artista vai chegar a fazer 10 anos de carreira, talvez não cheguem nem na metade disto, terão que procurar outra coisa para trabalhar e desenhar só por hobby, o que é preocupante demais para qualquer um que queira viver de arte.

Eu acho que estamos num momento de transição importante, a ilustração está amadurecendo, as publicações autorais estão cada vez melhores, e uma cultura de consumo está sendo implementada, sem intermediários, a arte é produzida, distribuída e vendida diretamente ao consumidor final. Esta mudança de paradigma está mudando o comportamento de todos, e se tudo der certo logo teremos um nível de exigência maior e um público mais preparado para absorver uma produção de maior qualidade.

Talvez neste momento a arte volte a ter o valor que jamais deveria ter perdido, não só financeiramente, mas como valor qualitativo também.

Sintra 03 - 38x51

SERVIÇO
Exposição 'Hiperfoco'
Período: de 25/09/2014, às 19h a 08/11/2014
Horário: de segunda a sábado, das 10h às 19h
Local: Galeria Ornitorrinco (Av. Pompeia, 520 – São Paulo – SP)
Tel.: (11) 2338-1156
Site: www.galeriaornitorrinco.com.br
E-mail: contato@galeriaornitorrinco.com.br
Entrada: Gratuita
Compras: através de pagamento em dinheiro ou cartão de débito/crédito.
cópias digitais a partir de R$50. originais, entre R$700 e R$2.000.

http://montalvomachado.com.br/


nova iorque pode servir de inspiração para o uso de bikes em são paulo
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Orlando

o prefeito petista haddad comprou uma briga na cidade de são paulo.
na contra-mão das facilidades dadas pelo governo federal para a compra de carros, passou a priorizar o transporte público e o uso de bicicletas.
uma de suas inspirações pode ter sido a cidade de nova iorque.
a cidade americana possui mais de 200 quilometros de ciclo-faixas (não ciclovias) e prevê chegar a 1.800 quilometros até 2030.

nova iorque é uma cidade mais plana e tem ruas mais largas do que são paulo.
conta-se, também, a quantidade de ciclo-pontos, locais para se prender as bikes, a permissão de se entrar no metrô e um crescente respeito de motoristas e pedestres com os ciclistas.
abaixo, alguns registros:

mapa de ciclovias em ny que se concentram na região de manhattan.

mapa de ciclovias em ny que se concentram na região de manhattan.

 

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ilustradores lançam coleção com mini contos no mis, em sp
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Orlando

uma big mostra de ilustradores e outra de fotógrafos publicados pela editora abril foram o pontapé inicial para que a produtora mandacaru fosse criada, alçado vôo próprio e seja uma das mais respeitadas do mercado.
as irmãs e sócias bebel e manaira abreu, junto com o fiel escudeiro andré valente bolaram mais uma.
a partir de textos que roberto negreiros, o beto monstro, publicava aleatóriamente no facebook contando passagens e causos coloridos com sarcasmo, ironia e humor retratando seus perrengues com a família ou na redação dos jornais pelos quais passou, bolaram um novo projeto.
o resultado é uma caixa com uma trinca de livros com histórias do próprio negreiros, alê kalko e orlando pedroso, convidados para engrossar o caldo.
a idéia era que cada um contasse e ilustrasse mini contos com passagens curiosas e que levaria o título de “aconteceu comigo“.
todos juram que todos os textos tratam de situações verdadeiras.
que importa?
com a palavra o ilustrador'' dá voz àqueles que, por força da profissão, criam imagens para o texto de outras pessoas.
aqui, escrevem e ilustram.
tudo ficou divertido e, como diz meu amigo luiz solda, se não for divertido não tem graça.

Capas com a palavra

blogdoorlando – como surgiu esse projeto?
Bebel Abreu e André Valente - Nós estávamos há algum tempo com vontade de publicar um livro de histórias do Negreiros, que além de ser esse ilustrador incrível, é um excelente contador de causos. Todo encontro sempre foi sinônimo de gargalhadas e de surpresa com a memória impressionante dele sobre tantos assuntos. E ele nunca tinha lançado um livro!! Surgiu um edital do ProAC, em São Paulo, de uma coletânea de literatura. Pensamos que seria uma ótima chance de propor este livro – e chegamos à conclusão de que três livros seria o mínimo para termos uma coleção em cores e com bom acabamento que coubesse no orçamento. Então precisaríamos de mais dois autores.

blogdoorlando – e como foi feita a escolha dos participantes?
Bebel Abreu e André Valente - Era importante que, além de um traço autoral bem definido e reconhecido, os ilustradores que participassem do projeto fossem ótimos contadores de história. Tínhamos uma ideia da sua escrita por conta do Blog e do Fotolog. Sabíamos que colocar suas milhões de histórias no papel seria questão de tempo. Tendo convidado dois autores consagrados, convidamos Ale Kalko para trazer um olhar mais ingênuo à coleção. (Se bem que nessa pseudo-fofura tem bastante ironia!)

blogdoorlando – bem, uma aposta…
Bebel Abreu e André Valente - Foi mesmo uma aposta!! Estávamos muito curiosos pra ler as histórias – que as ilustrações nos agradariam já era certo. Bingo!! Estamos muito felizes com o resultado! A ideia era que o projeto trouxesse de lembranças de infância a experiências profissionais, mas sempre com o olhar de quem viveu essas histórias. O resultado é delicioso de ler e ver.

blogdoorlando – o projeto foi aprovado no edital proac – concurso de apoio a projetos de publicação de livros. qual vc acha que é o mérito dele?
Bebel Abreu e André Valente - Entendemos que o grande mérito do projeto é a inovação, trazendo profissionais que geralmente só ilustram textos alheios para o outro lado, o da escrita. A escolha dos autores convidados também foi bem feliz, possivelmente contou pontos.

blogdoorlando – houve alguma dificuldade no fechamento da ediçāo ou foi tudo doce?
Bebel Abreu e André Valente - Ah, sempre tem aquele ilustrador que entrega as imagens aos 45' do 2º tempo, rs, mas não tivemos grandes percalços.

blogdoorlando – há planos de continuidade do projeto?
Bebel Abreu - Sim, já convidamos os próximos três autores! Vamos torcer!

ALE KALKO 72

blogdoorlando – ilustradores sempre estāo ligados a um texto. como é estar ligado ao próprio texto?
Alê -  O bom de estar ligado ao próprio texto é construir as imagens e o texto de maneira complementar e simultânea. Alguns textos partiram do desenho já concebido, o que é uma experiência diferente de quando você é pautado.
Negreiros - Eu sempre gostei de escrever, mais ainda do que desenhar. Quando aprendi a escrever, eu já desenhava; na verdade, quando aprendi a falar, eu já desenhava.
E nunca mais parei de fazer nenhuma das três…
Ilustrar seu próprio texto é descobrir uma nova dimensão ao que já se estava acostumado a fazer. Posso dizer que é a diferença entre desenhar e esculpir, ou quase isso.
Orlando - sempre que ilustro algo procuro trazer alguma memória afetiva, algo que me faça entrar no assunto.
nesse caso, eu já estava lá e pareceu como tentar copiar uma foto que estava em uma gaveta no fundo da memória.

ROBERTO NEGREIROS 72

blogdoorlando – de onde vcs tiraram essas memórias? é tudo verdade?
Alê - Manoel de Barros fala que quem descreve não é dono do assunto, quem inventa é… As minhas memórias tem esse ponto de vista do que eu prestava atenção na hora. Eu fiquei um pouco obcecada pra ser fiel às coisas que eu ilustrei. Quando a minha Vó ouvia a notícia no rádio eu tinha fragmentos de como ele era na minha memória. Lembrava do cheiro, do clique do botão, da textura do painel, mas não conseguia construir ele inteiro. E tem um tempão que ele nem existe mais na casa dos meus pais. Liguei pra Mãe, pro Pai, pra Irmã pra ver se eles lembravam da marca. Cada um disse um nome. Aí veio a ideia de cruzar o ano que o Vô comprou  – a Mãe tinha uns 10 anos na época – com rádio de pilha no Google e ele apareceu. Exatinho! Deu um alívio encontrar o modelo certo! Não fazia sentido pra mim desenhar nenhum outro rádio. :)
Negreiros - Todas as histórias do livro são verdadeiras, rigorosamente. Sempre tive o hábito de narrar histórias da minha infância, entre amigos chegados e alguns deles se lembram mais delas do que eu mesmo, hoje em dia. Minha vida sempre foi repleta de gente e situações engraçadas, que nortearam a minha dedicação a arte cômica, através do desenho e, agora, em texto.
Orlando - tudo verdade! até que alguém prove o contrário, claro!
eu passei por poucas e boas mas até vc achar que isso pode ser algo interessante para o outro tem uma distância. aí vc fica achando que poderia florear um pouco aqui, um pouco ali, que aquilo que vc está tentando contar não tem interesse nenhum, que não é da conta de ninguém e vc tá citando alguém que pode ficar numa saia justa (não, não é sobre o laerte) ou tem algo muito íntimo.
é diferente de vc escrever contos ou um romance em que vc se esconde atrás de personagens.
nesse caso, o personagem é vc mesmo. ou vários vc mesmo…

blogdoorlando- vc tem pretençōes literárias a partir daqui?
Alê -  Sim, agora é assumir as crias e soltar elas pro mundo. Já tenho alguns projetos iniciados pra lançar em 2015. ;)
Negreiros - Quando cursei jornalismo migrando das artes plásticas tinha em mente, um dia, publicar meus textos com minhas ilustrações.
Isto é a realização de um sonho que pretendo dar continuidade.
Orlando - sim. vou escrever a continuação de harry potter e do 50 tons de cinza. 10 volumes para cada um.
entre esses, vou fazer uma versão hardcore do o alquimista do paulo coelho e trabalhar numa releitura dos catecismos do carlos zéfiro.
rico, pretendo montar uma editora para publicar zines feitos em mimeógrafo.

ORLANDO PEDROSO 72

blogdoorlando – o que vc achou da experiência?
Alê - Sempre escrevi e ilustrei vários projetos pessoais de maneira independente, mas ainda tímida. Bebel ter convidado pra participar do projeto foi lindo, um baita empurrão pra assumir que eu sou uma ilustradora que escreve e uma escritora que ilustra! ;)
Negreiros - Eu adorei a experiência de tal forma que já estou produzindo outros volumes que serão publicados em e-book, a partir deste.
Orlando - adorei. vou pedir emprego pra alê e pro negreiros.

 

serviço:

hoje, 30 de setembro de 2014
a partir das 19h.

Museu da Imagem e do Som

Avenida Europa, 158, Jardim Europa, 01449-000 São Paulo
COM A PALAVRA, OS ILUSTRADORES
Histórias escritas e ilustradas por Roberto Negreiros,
Ale Kalko e Orlando Pedroso
19h Apresentação dos autores
19h40 às 22h Sessão de autógrafostrês
volumes de 64 páginas + luva
Editores: Bebel Abreu e André Valente/Mandacaru
Preço promocional de lançamento: R$ 45,00
(dinheiro ou cartão)
Sobre os autores:
Em quase quatro décadas de humor, ROBERTO NEGREIROS ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo e, diversas vezes, o Prêmio Abril de Jornalismo. Suas ilustrações podem ser vistas regularmente em livros e nas revistas Veja, Veja São Paulo e Piauí.

Durante 27 anos, ORLANDO PEDROSO ilustrou diversas colunas e cadernos do jornal Folha de S. Paulo, além de revistas como a Atrevida. Escreve no Blog do Orlando, no Uol, sobre artes visuais, eventos culturais e opinião. É autor dos livros de ilustração Árvores e Moças Finas e do infantil Vida simples.

O trabalho de ALE KALKO é construído pelos anos de experiência no Mercado editoral, como designer e diretora de arte nas revistas Superinteressante,Women’s Health e Mundo Estranho. Seu trabalho de ilustradora pode ser encontrado na revista Nova e nas publicações independentes Manual de Ver Nuvens, 25 postal & poema, Just Be, Aurélio & Marion, Amarelo e Sonhos (Im)possíveis.

Promoção: IdeaFixa
Distribuição: Zarabatana Books