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comic con experience é caldeirão de experiências boas e ruins

Orlando

06/12/2016 18h25

comic con experiences, assim, no plural, talvez fosse um nome mais adequado para o evento que aconteceu no são paulo expo de 1º a 4 de dezembro em são paulo.
de boas a ruins, tem para todos os gostos, de filas gigantes a desfiles de cosplays, de gibis a bandas de rock.
visitei o espaço gigantesco (150 mil metros quadrados) no dia anterior à abertura e às 19h quase tudo estava no chão ainda. vc pensa: não vai dar tempo.
deu.
no dia seguinte, quando as filas davam voltas e voltas para a entrada, dentro cheirava carpete novo e tinta fresca.
em plena quinta-feira, meio dia, o espaço era tomado por milhares de garotos e adultos que esperavam que aquele lugar se tornasse, por quatro dias, mágico.
seria cabotino de minha parte fazer uma análise do evento como um todo já que fiquei “confinado” ao espaço do artists’ alley, destinado aos criadores e produtores de quadrinhos.
no centro do evento, mais de 300 desenhistas e roteiristas expuseram seus livros, gibis e prints para um público que trazia dinheiro vivo para as compras e é a partir daí que faço minhas observações.

no artists’ alley existiam 4 categorias: os picas estrangeiros, os picas brasileiros, um mundo de desenhistas e eu.
os picas estrangeiros e os picas brasileiros produziam filas instantâneas sempre que se aproximavam de suas mesas. na grande maioria são experientes e têm toda a paciência do mundo para lidar com seus fãs que elogiam, pedem autógrafos, fotos e abraços.
todos têm seu momento menudo.
os outros desenhistas, enfileirados, produziam o grand bazaar do evento, disputando as centenas de milhares de reais que flanavam pelo espaço oferecendo lançamentos, seus produtos de linha, novidades ou nem tanto.
a comic con, antes de ser o evento épico e catalisador, é um evento extremamente comercial. tudo se vende, tudo se compra. e caro. uma água a 5 mangos, uma água de côco a 12, um x-burguer amassado do bob’s a 15, um cachecol do harry potter a 150, uma cabeça de plástico com pipoca dentro a 50, estacionamento a 40 pilas, só para ficar em alguns exemplos básicos.
por último, eu, possivelmente o único ilustrador/cartunista do evento. eu não faço quadrinhos.
isso pode não ter sido uma grande ideia já que o público da comic con é extremamente conservador. quer ver os seus heróis de sempre, quer mais do mesmo, quer rever os mesmos seriados, os mesmos filmes, cultuar os mesmos nomes e consumir os produtos já consagrados. há pouco interesse pelo novo pelo o que eu pude perceber.
diante de um desenho do batman beijando o super-homem, as expressões eram de espanto e vergonha. cutucadas em quem estava do lado.
fiquei sem entender até que uma jovem disse: “lindo isso! lindo! mas se eu apareço com isso em casa, minha mãe me mata.” e ela não era exatamente uma criança…
dentro da comic con não se vende nada alcoólico.
gordura trans, açúcares, anti-oxidantes, corantes e flavours têm para todos os gostos.
tampouco se vê publicações de crumb, allan sieber ou adão iturrusgarai. desenhistas de coisas bem fofas e meigas, aliás, se dão muito bem mesmo entre os adultos.
evidentemente me senti honrado em ter sido convidado a ter uma mesa exclusiva, bonitona e com um painel classe atrás de mim. mas senti falta de mais ilustradores/cartunistas participando e de uma rodada de discussões sobre esse segmento.

se foi uma bola dentro ter colocado o artists’ alley no centro do evento (no ano passado ele ficava na turma do fundão), o que o cercava não foi nada agradável.
de um lado o stand da netflix e do outro, o palco rock.
a netflix montou um palco com 3 atrações: um karaokê, um esquete de dublagem e um momento mímica animados por um grupo de 4 apresentadores que se revezavam nos berros e na tentativa de levar o público à histeria.
muita gritaria o tempo todo, distribuição de camisetas, adesivos e posters para o lado do público mais animado.
o portal do inferno se abria quando começava o karaokê que tinha 4 opções de música de seus seriados. todos escolhiam a mesma canção. what’s up, do grupo four non blondes, no sábado, tocou pelo menos uma centena de vezes num volume ensurdecedor.
não vou comentar as interpretações.
na outra ponta, o palco rock trouxe bandas de heavy metal com repertórios próprios e/ou covers.
ninguém conseguia conversar entre si ou com os possíveis compradores. no início da tarde todos estavam roucos e a bagaça iria ainda até as 22h…

pontos negativos também para os funis nas ruas ao redor do são paulo expo, pela falta de sinalização externa, pelo bate cabeça nas informações fornecidas pelos terceirizados que deveriam orientar o público, pela falta de esquema para se descarregar as caixas com impressos e falta de acessos opcionais. tudo é longe, se anda muito para tudo.
e o calor, claro.
na quinta e sexta o tempo estava nublado e houve quem reclamasse do frio.
com o sol a pino de sábado e domingo, a sauna estava em modo on.
calor, barulho, gente fantasiada e estava feito o carnaval geek.

de pontos positivos, a comic con ser um evento quase sem incidentes mesmo com a quantidade absurda de visitação, ser um evento que mostra que a crise pode ficar pro lado de fora da porta, de juntar gente que está a fins de produzir e gente que quer consumir e se divertir.
e, de fato, as pessoas se divertem muito mesmo passando horas em uma única fila.
uma cervejinha ajudaria muito.

Batman-Superman neve Batman kissing Superman neve 72

Sobre o autor

Orlando Pedroso é artista gráfico e ilustrador, trabalhou com praticamente todas as publicações da grande imprensa. Foi colaborador da Folha de S. Paulo de 1985 a 2011. Ilustrou mais de 60 livros infanto-juvenis e é co-autor de “Livro dos Segundos Socorros” e “Não Vou Dormir” – finalista do prêmio Jabuti de 2007 nas categorias “ilustração” e “melhor livro”. Foi vencedor do Prêmio HQ Mix de melhor ilustrador nos anos de 2001, 2005 e 2006. Expôs nas mostras individuais como “Como o Diabo Gosta”(1997) , “Olha o Passarinho!”(2001), “Uns Desenhos” e “Ôtros Desenhos” (2007). Em 2008, faz uma exposição retrospectiva de 30 anos de trabalho como artista convidado do 35º Salão de Humor de Piracicaba.- É autor dos livros Moças Finas, Árvres e do infantil Vida Simples, e membro do conselho da SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil.

Sobre o blog

Este blog trata de artes gráficas, ilustração, cartum, quadrinhos e assuntos aleatórios.

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