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com livro novo, laerte diz que desenhar é um pouco como transar

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Laerte capa fechada em ALTA

desculpem, mas eu vou manter o artigo masculino. só assim posso continuar chamando laerte de O cara.
e fora o fato de ele já ter declarado que não se importa que seus velhos conhecidos o chamem da forma como sempre o chamaram, a verdade é que seu talento como artista e como figura pública ultrapassa em muito a questão dos artigos masculino ou feminino.
laerte tem uma obra extensa, inquieta, sempre surpreendente como podemos atestar em seu novo livro modelo vivo com lançamento neste sábado, 5, pela barricada, selo de quadrinhos da boitempo.
com organização do incansável toninho mendes, o livro é um pouco caótico. isso talvez reflita bem o mundo repleto de gangsters, palhaços, mulheres, dúvidas e questões filosóficas de laerte.
pontuadas por desenhos soltos e livres feitos em sessões com modelos vivos, dezenas de histórias e tiras pinçadas das revistas circo, piratas do tietê, cachalote, geraldão e chiclete com banana mostram o como e o porque de ele ser um dos mais importantes quadrinistas que o brasil já produziu.
o livro, mais que um recorte de sua obra, é uma dessas experiências com cheiro de frescor apesar do tempo.
poucos autores mantém esse ar de eterna novidade, por mais que ele ache o contrário.
a crueldade dos quadrinhos tem similaridade com o cinema. depois de feito, não tem volta.
quer dizer, tem: refazer tudo.
como prova o livro, laerte não precisa refazer nada.
nele, tem histórias antigas, tem modelo vivo. e um autor vivíssimo!
abaixo entrevista:

blogdoorlando – apesar de muitos artistas se destacarem na infância por desenharem bem, para eles o desenho é sempre um mistério, uma dificuldade.
como foi e como é para vc?
Laerte – Pra mim não era mistério, era mais uma delícia, um sentimento de poder. Minha memória guarda uma época em que percebi que desenhar era controlar histórias: mudá-las, prosseguí-las, repetí-las…e, mais tarde, criá-las. Há dificuldades, claro. Mas não chegam a entrar no campo do mistério.

Laerte 03

blogdoorlando – todo mundo acha que desenhar é só riscar que sai…
Laerte – ah, eu adoraria que fosse! Adoraria que nem precisasse riscar. Um aplicativo orgânico que transplantasse o desenho imaginado direto pro papel. Agora, tem uma coisa que muito desenhista tem, esse prazer no riscar, no cansar de riscar (você tem), que pra mim é difícil. Eu desenho quando não tem mais o que enrolar fora do papel.

blogdoorlando – seu novo livro tem coisas de várias épocas.
como vc vê esses trabalhos em retrospecto?
Laerte – com uma melancolia. Não gosto muito de ver o que fiz. Aparecem problemas em todo canto, dá um arrependimento, não sei. Não gosto não. Mas gosto de ver os desenhos de modelo.

Laerte 01

blogdoorlando – é comum a gente achar que desenhos soltos, rabiscos, têm mais vida do que trabalhos finalizados. no seu caso, o movimento é parte essencial.
Laerte – Espero um dia conseguir esse tom, esse ponto – a soltura do rabisco como resultado. O Fortuna chegava nessa soltura, mas fazia um caminho complexíssimo até chegar. Os originais dele tinham camadas geológicas de correções e emendas.

blogdoorlando – em suas histórias, o desenho serve de suporte para a ideia, para o roteiro que vc pensou.
como vc trabalha essa combinação?
Laerte – Varia de história pra história. Em geral me motiva muito mais a ideia. Algumas delas “pedem” uma solução gráfica especial, outras sugerem discretamente. Mas faço sempre várias tentativas de roteiro, construindo antes ou mesmo enquanto desenho. Quando a ideia é boa a ponto a ponto de me deixar excitada, mal posso esperar, vou logo desenhando e finalizando. Às vezes dá uns erros…

Laerte 04

blogdoorlando – em várias de suas histórias existem espaços, ruas, postes, cenas de observação.
qual a diferença entre o desenho de observação e o de modelo vivo?
Laerte – Modelo vivo é gente, isso muda tudo. É alguém como a gente. Com cenários em torno acabamos estabelecendo uma relação mais fria.

blogdoorlando – vc gosta de desenhar?
Laerte – Olha. Eu gosto. Mas não consigo ter muita paciência e carinho. É um pouco como transar.

Laerte 05

serviço:

Lançamento e sessão de autógrafos de Modelo vivo
Laerte Coutinho
5 de novembro | sábado | Das 15h às 17h
Comix Book Shop | Alameda Jaú, 1998 – SP – SP
R$49

Salvar

Sobre o autor

Orlando Pedroso é artista gráfico e ilustrador, trabalhou com praticamente todas as publicações da grande imprensa. Foi colaborador da Folha de S. Paulo de 1985 a 2011. Ilustrou mais de 60 livros infanto-juvenis e é co-autor de “Livro dos Segundos Socorros” e “Não Vou Dormir” – finalista do prêmio Jabuti de 2007 nas categorias “ilustração” e “melhor livro”. Foi vencedor do Prêmio HQ Mix de melhor ilustrador nos anos de 2001, 2005 e 2006. Expôs nas mostras individuais como “Como o Diabo Gosta”(1997) , “Olha o Passarinho!”(2001), “Uns Desenhos” e “Ôtros Desenhos” (2007). Em 2008, faz uma exposição retrospectiva de 30 anos de trabalho como artista convidado do 35º Salão de Humor de Piracicaba.- É autor dos livros Moças Finas, Árvres e do infantil Vida Simples, e membro do conselho da SIB – Sociedade dos Ilustradores do Brasil.

Sobre o blog

Este blog trata de artes gráficas, ilustração, cartum, quadrinhos e assuntos aleatórios.

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